Esses dias estava tentando lembrar o que tinha lido na biblioteca do meu trabalho ano passado, no meu tempo "livre" (lê-se: agora tenho estado tão atolada de tarefas que isso nem é mais uma possibilidade), às vezes ia até à biblioteca (ou, também, "sala de leitura") caçar uns livros diferentes. Uma coisa que me interessava muito na época dessa foto eram os livros infantis e infanto-juvenis.
Até mesmo, comecei a rememorar essa obra em questão porque meu pensamento foi longe sobre dar uma olhadinha em algumas obras infantis. Gosto de fazer esse exercício porque sinto que a literatura voltada pro público infantil tem uma coisa que às vezes falta, talvez por falta de capricho, no restante: um senso de urgência de se conectar com o mundo, explorando sua porosidade de uma forma curiosa, sensível e, ao mesmo tempo, pela sua própria estrutura, mais objetiva.
Li muito Júlio Verne (aquelas adaptações infantis e, depois, resumidas) quando criança. Meu pai sempre foi um grande fã e, até hoje, deixo dois livros de edições especiais como uma iguaria em minha sala. Eu sequer fazia ideia de suas propostas para além dos livros mais conhecidos ("A volta ao mundo em 80 dias", "Viagem ao centro da terra" e meu favorito, "Vinte mil léguas submarinas"). Então encontrei esse, jogado em meio à tantos outros: "As aventuras da família Raton".
É uma obra fenomenal. A evolução do seres vivos, de moluscos à seres humanos, com a passagem ao estado de "rato" e, ao desafiar um aparente estado de igualdade, a volta ao estado de ostra, além de engraçado (eu genuinamente dei risada lendo), é incrível. Incrível no sentido mais puro da palavra: algo difícil de crer. E, ao mesmo tempo, uma metáfora extremamente concreta.