Sem dúvida alguma mais um livrinho que leva sem qualquer tipo de hesitação as minhas 5 estrelinhas.
Uma história muito bem construída com um dos temas que mais me assusta: Alzheimer.
Konrad Lang, um senhor que leva uma vida algo descontraída, ligado a uma família endinheirada, apaixona-se e quer viver essa nova vida aos 60 anos com tudo a que tem direito mas que a perda da memória lhe retira todos os sonhos. . . Primeiro começa com coisas sem importância, mais tarde, sai de casa para ir ao supermercado, que fica mesmo ao virar da esquina e não encontra o caminho de regresso, um percurso a pé. . .
Começa a ter de fazer desenhos, pequenos "mapas" para andarem sempre com ele na carteira, inclusivé, o nome da nova companheira. . .
A família que está por trás, esconde um passado que para Konrad lhe é desconhecido, no entanto, com Alzheimer, acontece que, as memórias recentes esvaem-se mas as memórias de anos passados, de há muitos anos mesmo, não se esvaem e permanecem com ele. . . Konrad vai viver o presente em paralelo com o passado. . . Para ele, o presente É O PASSADO. . .
As várias descrições do avançar da doença são comoventes, todas as passagens que lemos muito bem representadas, chegamos a querer fazer parte da quipa médica por trás de Konrad para lhe dar um pouco de apoio e carinho.
Este livro também é um livro de esperança, mas também de mágoas passadas e com mais de uma personagem feminina com a força e a coragem de virarem o mundo. Embora, infelizmente, uma delas tenha sofrido no passado e consequentemente, no presente, não seja a melhor mulher entre as mulheres. . .
Um livro que NÃO é um policial, é um livro de mistério psicológico, um livro que, tal como a capa demonstra, não conta as horas. . . as horas não interessam e os dias passam. . .