Nunca me interessei muito nem tive especial fascínio por Marilyn Monroe e apesar de não ser o maior fã de biografias decidi experimentar esta, sobre a actriz e Arthur Miller com quem foi casada. O livro divide-se em momentos-chave da relação dos dois, mas aborda toda a história de Marilyn desde o seu nascimento até ao seu suposto suicídio, inclusive todas as outras relações que a actriz teve (e foram muitas). Do ponto de vista psicológico, a sua história é absolutamente interessante e especialmente quando olhamos para Marilyn como uma personagem peculiar, considerada o apogeu do sex symbol, ainda hoje em dia, mas que no fundo e apesar da aparente confiança demonstrada, era vulnerável, insegura, depressiva e por vezes patética (o estereótipo da loira burra nasceu de Marilyn).
Apesar da interessante história de vida, o autor cria um livro divisivo por múltiplos factores, sendo o principal o facto de nunca assumir publicamente o carácter de quase crónica de opinião e não necessariamente uma biografia apenas baseada em factos. Embora profundamente documentado, o livro assume demasiadas vezes inúmeros juízos de valor acerca de Marilyn e até dos seus filmes (onde critica se eram bons ou maus, do ponto de vista cinematográficos) e insiste, repetidamente e quase exaustivamente, em se referir ao passado sexual da actriz, mesmo nos momentos mais inoportunos. Insiste ainda em comparar a vida da actriz e dos seus intervenientes com outras personalidade aleatórias da história, sem qualquer sentido ou interesse. Nota-se sobretudo uma intenção de melhorar a imagem de Arthur Miller perante a de Marilyn Monroe.
Não deixa de ser um livro interessante, especialmente para quem como eu, pouco ou nada conhece da vida de Marilyn Monroe, mas é tão repetitivo e tendencioso que por vezes torna-se absolutamente fastidioso.