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O crime do restaurante chinês: carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos Anos 30

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São Paulo, Quarta-Feira de Cinzas de 1938. Ho-Fung e Maria Akiau, donos de uma restaurante chinês, aparecem brutalmente assassinados dentro de seu estabelecimento, na rua Wenceslau de Braz. As duas outras vítimas, um lituano e um brasileiro, eram seus empregados. O suspeito é um jovem negro, ex-funcionário do restaurante. Será este um romance policial? Ou trata-se de um livro de história do Brasil?Em O crime do restaurante chinês, o historiador Boris Fausto recorre aos arquivos da história e da memória pessoal para narrar e analisar, com a maestria de um romancista, um dos acontecimentos policiais que mais mobilizaram a opinião publica paulistana nos anos 30. O enredo serve de mote para discutir vários temas cruciais para a historiografia do periodo, como as teorias raciais então em voga, o papel da imprensa na formação da opinião pública, as relações entre imigrantes, migrantes e trabalhadores marginalizados na metrópole e, por fim, a euforia que tomou conta do país com a Copa do Mundo da França.

230 pages, Paperback

First published January 1, 2009

4 people are currently reading
138 people want to read

About the author

Boris Fausto

31 books22 followers
BORIS FAUSTO nasceu em 1930, em São Paulo. É professor aposentado do Departamento de Ciência Política da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e autor de livros como A revolução de 1930, Negócios e ócios e O crime do restaurante chinês.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Ana.
148 reviews
May 3, 2025
Antes dos podcasts de true crime, tínhamos os livros do Prof. Boris Fausto.
O crime no restaurante chinês aconteceu na quarta feira de cinzas, em 1938. O casal de chineses, donos do restaurante, mais dois funcionários, um brasileiro e um lituano foram encontrados mortos de maneira brutal por um outro funcionário lituano.
Prenderam sem nenhuma prova um ex-funcionário negro. Sua prisão foi por causa dos resultados de testes psicanalíticos como os de Jung-Bleuler, de Rorschach, de barragem de Pressey e a teoria de Lombroso que era eugenista, racista e afirmava que "indivíduos com traços semelhantes aos do macaco tinham inclinação à prática de crimes".
A comunidade chinesa era ainda pequena no Brasil, por volta de 200 pessoas vindas de Cantão, não falavam português e no momento ocorria a guerra sino-japonesa. Os jornais começaram a inventar sem nenhuma prova uma tal de máfia chinesa.
Muito além do crime, é uma história sobre migração e consequentemente de racismo e xenofobia no Brasil.
Profile Image for Ricardo.
199 reviews9 followers
March 20, 2021
Este é um livro de História do Brasil. Mais detidamente, um livro de história social da cidade de São Paulo no final dos anos 30. Não é uma reinvestigação sobre um crime do passado, muito menos um romance policial. Não é, para usar o nome do gênero em voga, true crime. É uma reconstituição, o mais factual que as fontes permitem ao autor, da realidade social em torno de um evento: um crime brutal que atiçou a imprensa e a população da São Paulo de 1938.

O foco do livro é o assassinato de quatro pessoas num modesto restaurante da antiga rua Wenceslau Braz: o proprietário, sua esposa e dois funcionários que dormiam nas dependências. Um massacre a pauladas em plena Quarta-Feira de Cinzas do penúltimo Carnaval antes de Hitler invadir a Polônia. É rua de uma cidade que se acha direita e trabalhadora; governada, com algum ressentimento, por um interventor da ditadura do Estado Novo, escolhido por Getúlio Vargas para evitar levantes como o de 1932. Um lugar aonde crimes bárbaros são raros: movem montanhas na opinião pública, aumentam a circulação de jornais, pedem fotos sangrentas de cadáveres.

É uma época em que se indiciava um suspeito (um homem preto sem emprego fixo, tipicamente) com base em testes psicológicos vagos e estudos inerentemente racistas do Positivismo de Cesare Lombroso e seus correligionários. E é uma época em que Boris Fausto viveu, passeando como criança no banco de trás de um automóvel naquele mesmo Carnaval. É um cenário de fantasmagoria a perdurar nos sonhos de uma criança que se tornou um dos maiores historiadores vivos dessa mesma cidade, e que reconstituiu com pesquisa incansável não só todos os relatos, autos, documentos, personagens e notícias que resistiram ao tempo, mas também a aura da opinião pública, a macrossituação política e social, atendo-se estritamente a documentos e conhecimento acumulado sobre a época.

Não é um comentário narrativo, uma reflexão julgadora ou uma opinião delongada do autor. É a trilha dos acontecimentos em seu contexto razoavelmente objetivo. O mais longo comentário pessoal que Boris Fausto se permitiu fazer está na conclusão, em que o escritor esclarece por que decidiu escrever essa história. É documento de historiador, não narrativa de jornalista, muito menos reinvenção de cronista.

"O Crime do Restaurante Chinês" é um mergulho no cotidiano desaparecido da mesma cidade onde moro hoje. Um passado que só se vislumbra em notas de livros sobre o Estado Novo ou em acontecimentos políticos de almanaque. Aqui, é um passado de gente lidando com gente, todo dia, como a gente também faz todo dia, hoje. E não somos assim tão diferentes.
Profile Image for Leonardo.
36 reviews13 followers
December 27, 2011
Muito bom livro. Transporta o leitor para os anos 30 para acompanhar um crime violento e a investigação e julgamento que se seguiram. Interessante o rigor histórico, já que se trata de uma história real. Mesmo nas (poucas) vezes em que o autor reconhece não ter sido possível precisar determinada informação, nos passa a segurança de que o que ele afirma teve de fato a veracidade comprovada.

O que me impressionou particularmente foram os métodos psicanalíticos usados pela polícia nas investigações. Lembrou muito o Blade Runner (ou o livro que lhe deu origem "Do Androids Dream of Electric Sheep?"). O método usado para reconhecer androides no filme, em que se buscam reações emocionais para determinadas ideias lançadas pelo caçador de androides é muito semelhante ao método de "Jung-Bleuler" usado pela polícia neste caso nos anos 30.

E ainda de lambuja o ivro fala em carnaval, futebol e outros aspectos do cotidiano das pessoas daquele tempo, inclusive com umas fotos bem interessantes.

Enfim, altamente recomendável pra quem gosta de história, ou de psicologia, ou de direito ou de livros policiais.
Profile Image for Henrique Fendrich.
1,029 reviews27 followers
January 10, 2024
Interessante reconstrução histórica de um antigo crime, em que o autor se vale da caraterização do espaço e da época para lançar mais algumas luzes sobre um caso em que a própria justiça não tem muito o que concluir. Há recursos literários bem interessantes na parte em que ele descreve o crime em si. Achei que poderia haver mais desses recursos na parte do julgamento. Mas é uma leitura rápida e interessante, boa para a comparação entre as épocas.
10 reviews4 followers
January 26, 2023
Um livro que é uma leitura curta, e ao mesmo tempo bem focado e bem abrangente.

Usa como pano de fundo um assassinato ocorrido em um restaurante chinês em São Paulo em 1938, perpassando pelos vários aspectos do cotidiano, indo da comunidade de imigrantes em SP, até as visões das pessoas sobre carnaval, a copa do mundo, como funcionava a justiça e o tribunal do júri, e outras coisas.
10 reviews
December 13, 2016
Quatro pessoas, dois chineses, um lituano e um nordestino, são achadas mortas em um restaurante. A culpa recai sobre Arias de Oliveira, negro, semianalfabeto, andarilho de emprego em emprego, um tanto oligofrênico. Foi ele? Ninguém sabe e ninguém soube. O fato de os mortos serem de fora da elite contribuiu para que Arias acabasse sendo absolvido em dois julgamentos e isso contra o que talvez fosse de esperar devido ao suposto racismo paulista, que acaba em questão. Ser negro e pobre despertou simpatia. Interessante é que, por ser caso de fazer agitação, dar manchete &c., Arias foi submetido a uma série de exames científicos que hoje acharíamos bobos e que, mesmo na época, eram alvo de desconfiança, tanto que acabaram tendo seus resultados descartados pelos júris. Por que Boris Fausto escreveu o livro? Por que ele tinha o caso na memória e se lembrava de alguém que lhe disse que a primeira pessoa a aparecer na cena do crime teria sido uma menininha que gritava "peto, peto". Ele sonhou isso ou sonharam para ele, mas a memória ficou.
Profile Image for Felipe Thomaz.
2 reviews5 followers
September 11, 2009
Adoro os livros do Boris Fausto. As histórias contadas dão uma impressão imparcial, e as correlações históricas são incrivelmente pertinentes e esclarecedoras do tempo em que ocorreram.
Excelente leitura.
Profile Image for Carlos Hugo Winckler Godinho.
203 reviews7 followers
December 5, 2015
Uma (rápida) viagem pela década de 30, mostrando a organização da sociedade, os costumes do povo em uma forma de história que, ao meu ver, deveria ser mais utilizado inclusive no ensino de crianças e adolescentes.
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