O livro Auto-engano é um daqueles achados maravilhosos. É um livro que mostra muito bem o que a mente de um autor perspicaz pode fazer: pegar um assunto considerado simples, até mesmo demasiadamente óbvio e destrinchá-la de tal forma que nos leva a pensar no assunto de forma diferente. É a sensação satisfatória de se ter uma ideia expandindo em nossa mente. Mas nesse quesito, permita-me usar as palavras do autor, que descreve de forma cirúrgica a troca de ideias entre o leitor e autor em seu prefácio: “Mais que uma simples troca intelectual entre autor e leitor, a leitura é o enredo de dois solilóquios silenciosos e separados no tempo: o diálogo interno do autor com ele mesmo enquanto concebe e escreve o que lhe vai pela mente absorta; e o diálogo interno do leitor consigo próprio enquanto lê, interpreta, assimila e recorda o que leu.”
Nesta pequena obra, o autor Eduardo Giannetti busca uma explicação do fenômeno do auto-engano e o problema da lógica do ser humano que consegue mentir para si mesmo e acreditar nesta mentira. O autor já nos adverte no prefácio que um trabalho como este é exploratório e incompleto, já que somos incapazes de entendendê-lo de forma clara e satisfatória, afinal, como conseguimos desvender todos os mistérios do interior do homem? Mas não há como negar que este pequeno, porém, profundo livro é um trabalho criativo, filosófico e permeado de referências notáveis. Eduardo Giannetti explora o tema com uma linguagem poética e fluida, que nos envolve e nos indaga as problemáticas ao auto-engano nas diversas esferas da nossa vida. Aqui não temos fórmulas e respostas prontas sobre o assunto, mas sim uma reflexão perspicaz e profunda sobre as contradições da mente humana.