Eu tenho uma dificuldade com a banda desenhada, a capacidade de atentar no traço do autor, nos quadradinhos e tudo o resto que está fora dos balõezinhos com texto. Claro que reparo no traço, se é harmonioso e colorido, por exemplo, mas não é pormenor a que me atenha com muita atenção. Com esta BD de Jiro Taniguchi isso foi ainda mais notório, pois balões e diálogos são coisas que praticamente não existem. O leitor tem de atentar nos pormenores, posições, ambientes e expressões do que/quem está desenhado para poder inferir das reações provocadas. Tem de tentar deslindar a mensagem só a olhar para os desenhos e expressões, neste caso, do homem que caminha e ele caminha muito e passa por muitos espaços, pessoas, situações e contextos diferentes. Cada passeio é, tanto para o protagonista, como para o leitor, uma oportunidade de aprender, admirar, observar, refletir e sentir algo novo e isso, pelo menos para mim, é muito desafiante e diferente do habitual. Gostei de todas as caminhadas do homem, mas as que mais me tocaram foram as do encontro debaixo da cerejeira, da ida ao banho público depois de ter passado por uma enorme tempestade e, claro, a da adoção do Yuki. Foi uma leitura interessante, desafiante e diferente do que estou habituada enquanto leitora, mas definitivamente foi uma experiência enriquecedora.