Num Egito onde hebreus vivem uma vida dura de servidão e privações em todos os sentidos, Zarah tem uma vida sofrida. Órfã de um pai que é lembrado como um traidor de seu povo e com uma mãe doente, a única coisa que ela tem certeza é de que não quer se casar nem ter pôr filhos no mundo para que tenham a mesma vida que ela. Mas tudo muda completamente quando ela é salva por um nobre egípcio do mais alto escalão que, após notar uma marca de nascença nela, lhe pergunta se ela não se lembra dele. Se apenas isso não te deixou curioso pra saber como essa história continua, é porque você é muito mais forte do que eu, pois eu me rendi ao livro nesse exato momento, rsrs...
Ramose é o primo do faraó Seti I, o pai do famoso Ramsés, e é cotado para ser o novo vizir, o cargo mais importante do reino ficando atrás apenas do faraó, pelo qual ele vem trabalhando há muitos anos. Ele tem muito poder como nobre, é respeitado como sacerdote e temido como militar. E quando ele reconhece Zarah, a entrega à essa paixão é total. Ele a tira da vida sofrida que ela tinha, lhe apresentando à uma realidade que ela jamais poderia imaginar que pudesse existir, além de mandar o melhor médico do Egito para cuidar da saúde de sua mãe. E mesmo com Zarah reticente quanto a tudo que ele lhe prometia e proporcionava, Ramose sempre se mostra um verdadeiro príncipe encantado para sua lótus. Totalmente apaixonante.
Então, levando-se em consideração, que a flor de lótus é um símbolo de ressurreição e renascimento, temos aqui uma verdadeira história de resgate em muitos sentidos. Não é apenas o resgate do perigo do qual Ramose a salva. Ele a resgata da vida de privações e sofrimento em que vive e do medo de se render ao amor. Zarah desabrocha tal qual a lótus que nasce da lama em busca da luz do sol e se torna um verdadeiro espetáculo da natureza, se permitindo ser beijada e aquecida pelos raios solares. Zarah desabrocha pra vida, como se tirada do lodo e posta num vaso dourado incrustado de pedras preciosas.
Mas nem tudo são flores quando se trata de um amor proibido. O status de Ramose exige uma esposa da mais alta classe que jamais poderia ser a mulher de um povo que é visto pelos egípcios como inferior e totalmente inadequado à cultura deles. E isso é apenas o estopim para que a paixão desenfreada dos dois entre numa espiral perigosa de super-proteção, obsessão, ciúmes e posse, que ninguém sabe ao certo onde isso pode parar.
Um amor tão grande e intenso, pode transpor tantos obstáculos?
Essa foi uma leitura que me surpreendeu em muitos momentos. Como boa leitora de romances ambientados no Egito, em diferentes momentos eu esperava que a trama fosse seguir um determinado rumo, e ia pra outro totalmente diferente e sempre de uma maneira tão boa e envolvente que me instigava a continuar lendo porque eu simplesmente precisava saber onde aquilo ia dar. E foi uma leitura intensa, muito intensa mesmo, já que os personagens são muito humanos, são vulneráveis, falhos, tomam decisões erradas, cometendo muitos erros que os levam a um sentimento que perde o controle de um jeito muito real, trabalhando muito bem um tipo de relacionamento que começa de mansinho, envolto em carinhos, mimos, cuidados, mas que vai se transformando em algo tão tóxico sem que as partes consigam perceber até que seja tarde demais. Um livro incrível que trata com muito tato um tema tão delicado e atual como esse. Sem dúvida alguma, uma das minhas melhores leituras do ano!
Recomendo super tanto pra fãs de históricos, quanto de época e para apaixonados pelo Egito Antigo!