Os árabes… Desde o século VIII que a sua presença se fez sempre sentir entre nós. Primeiro, como conquistadores e senhores; depois, como vizinhos; mais tarde, como gente apenas tolerada ou perseguida; e por fim, como cidadãos de direito pleno.
As ruas de Lisboa têm a sua marca oculta em muitos cantos, que este livro nos convida a desvendar. Uma marca que, tantas vezes de forma inesperada, ainda hoje vislumbramos num troço de muralha, da dolência de um fado, numa casa da Mouraria ou de Alfama, no sabor de um petisco.
Esta é a história multissecular dos árabes de Lisboa e em Lisboa, uma história rica e nobre, tantas vezes olvidada e tantas vezes diminuída, mas que se reergue sempre, nesta cidade que preza o seu passado e o seu património.
Esta é uma história de Lisboa…
Uma maravilhosa viagem por uma cidade de tolerância e liberdade.
SÉRGIO LUÍS DE CARVALHO nasceu em Lisboa, a 2 de Julho de 1959. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981) e tirou o mestrado em História Medieval pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1988), com a tese A Vila de Sintra nos séculos XIV e XV. Actualmente, é docente de História e de História da Arte, sendo ainda Director Científico do Museu do Pão e do Museu da Cerveja.
Publicou os romances "Anno Domini 1348" (Edição C. M. S., 1990; Prémio Literário Ferreira de Castro 1989; finalista do Prémio Jean Monnet de Literatura Europeia, Cognac 2004 e finalista do Prémio Amphi de literatura Europeia Lille 2005), "As Horas de Monsaraz" (1997), "El-Rei-Pastor" (2000), "Os Rios da Babilónia" (2003), "Retrato de S. Jerónimo no seu Estúdio" (2006), "Os Peregrinos Sem Fé" (2007), "O Retábulo de Genebra" (2008), "O Destino do Capitão Blanc" (2009) e "O Segredo da Barcarrota" (2011). Alguns dos seus romances estão traduzidos e publicados em França e Espanha. É ainda autor de vários livros de investigação histórica e literatura juvenil.
Como era a cidade de Lisboa no seu tempo árabe? Este livro tenta responder a esta questão, procurando retratar Lisboa nos tempos mouros. Não é tarefa fácil, as fontes documentais são escassas, e o autor socorre-se de alguma especulação informada, traçando paralelos com o que se conhece de outras cidades do Al-andaluz. O livro dá-nos um excelente panorama do que era Lisboa nesses tempos, entre a geografia da cidade, os modos de vida dos seus habitantes. Parte do desafio, para quem conhece a cidade, é tentar perceber com base da Lisboa de hoje quais os espaços da cidade islâmica. Nisso, o livro socorre-se de mapas e ilustrações, que nos dão uma visão dessa geografia.
A obra não se foca apenas na cidade, e dá-nos um vislumbre da zona islamizada que vai de Sintra a Almada, terras que estavam na dependência direta de Lisboa. Terminada a análise ao período islâmico, com a descrição da conquista da cidade, o livro debruça-se sobre a persistência da islamização na cidade. Primeiro, com a tolerância e convivência entre comunidades, depois com o secretismo que se seguiu à expulsão de mouros e judeus da península ibérica, e finalmente com a progressiva liberdade vinda das guerras liberais, onde se iniciou um processo de aceitação aberta das comunidades islâmicas.
Sérgio Carvalho leva-nos a conhecer a Lisboa nos tempos da presença muçulmana (714-1147), com as diversas vicissitudes vividas nesta época, turbulenta, mas também rica, cultural, científica e economicamente. Passa depois para a história da conquista de Lisboa, onde se socorre da descrição da descrição feita pelo cruzado Osborne. Depois para o período, para mim revelador, que passa até à expulsão de 1496 e o que depois dessa acontece até ao fim da repressão que acontece com a revolução liberal. Com uma escrita sedutora o autor leva-nos por este longo período histórico a conhecer o que foi ou o que seria a Lisboa através desses tempos no que aos muçulmanos diz respeito. O que me impediu de dar um 5 foi o chamar reconquista à conquista pelos reinos cristão da ibéria e ainda a omissão da inicial fé ariana dos visigodos.