4,5*
#nonfictionnovember
War is cruelty, and you cannot refine it.
-1864-
O que mais me impressionou nesta recolha de cartas foi o seu carácter universal. Apesar do inevitável destaque para as duas guerras mundiais, esta correspondência não se circunscreve geográfica nem temporalmente a esses eventos, recuando a tempos tão remotos como o século I, com as placas de Vindolanda…
Masculus to Cerialis his king, greetings. (…) My fellow soldiers have no beer. Please order some to be sent.
…até chegar aos nossos dias, com as despedidas de um bombista suicida à sua família.
Em “Letters of Note: War” há cartas de grandes estadistas, como Lord Nelson à sua amante, de correspondentes de guerra como Martha Gellhorn a Leonor Roosevelt, de soldados anónimos às suas mães desde continentes distantes como na Guerra Anglo-Zulu, de escritores como Kurt Vonnegut a interceder pelo filho objector de consciência, e até de crianças a apelar ao um Secretário de Guerra:
Dear good Lord Kitchener, we are writing for our pony, which we are very afraid may be taken for your army. Please spare her. (…) It would break our hearts to let her go. We have given 2 others and 3 of our family are now fighting for you in the Navy.
O tom geral é pesaroso, sobretudo nas cartas de mães para filhos…
Dear Bill, today is February 13, 1984. I came to this black wall again to see and touch your name and as I do I wonder if anyone ever stops to realize that next to your name, in this black wall, is your mother’s heart. A heart broken 15 years ago, when you lost your life in Vietnam.
…mas aligeira-se noutras como a de Mark Twain e roça o absurdo com o chorrilho de insultos dos Cossacos de Zaporizhia ao sultão do Império Otomano em 1675:
You Babylonian scullion, Macedonian wheelwright, brewer of Jerusalem, goat-fucker of Alexandria, swineherd of Grater and Lesser Egypt. (…) Pig’s snout, mare’s arse, butcher’s dog, unchristened brow, screw your own mother!
Shaun Usher refere-se a si mesmo como “professional letter nerd” e creio que me contagiou, pois pretendo ler todas as compilações que publicou, onde espero encontrar pequenos tesouros como este, a carta de Blanca Brissac Vázquez, uma das jovens que ficaram conhecidas como as Trece Rosas e foram fuziladas durante a Guerra Civil de Espanha.
My dear, my precious son, I’m thinking of you in my last moments. I only think of my darling boy, who is now a young man, and knows to be honourable as his parents were.