Luís Cardoso de Noronha, Timor-Leste | Prémio Oceanos 2021
"Poderá a mais encantatória das toadas narrar o desencanto? Com este romance, Luís Cardoso parece provar que as vozes entrecruzadas das narrativas são assim canivete suíço, oferecendo ao instante a ferramenta exata para abrir o que se esconde em quadro, em nome de personagem, em uma figura ou momento histórico. Uma mulher espera e pinta e portanto pensa. Por ela passam episódios, possibilidades, falhanços, recordações, antepassados, animais, países, homens, a História.
E o que fica nela de tudo? A mulher não coleciona, procura nos gestos a construção. De uma casa, por exemplo. E do amor, afinal e para sempre a maior das histórias. Dizer o que acontece nestas páginas arrisca reduzir o que de humano, tão humano, o escritor faz acontecer. A cada passo nos comovemos, rimos e refletimos. Timor, esse cenário mítico, não voltará a ser o mesmo depois desta viagem onde o concreto e mítico, Sancho Pança e Chibanga, as rosas e o café, o cavalo e o ganso, o Império Colonial e o Oriente são chamados a palco para narrar os modos de fazer mundo.
Conseguiremos ser donos das nossas sementes? Poderá o mundo ser uma abóbora?"
Luís Cardoso nasceu no Timor-Leste. Formou-se em silvicultura pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e fez pós-graduação em Direito e Política do Ambiente pela Universidade Lusófona. Foi representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere em Lisboa. É autor de Crónica de uma travessia (1997), Olhos de coruja, olhos de gato bravo (2002) e A última morte do coronel Santiago (2003). Requiem para o navegador solitário (2007) é seu primeiro livro publicado no Brasil. Suas obras já foram traduzidas para vários idiomas, como o alemão, francês, holandês, inglês e sueco.
# O Plantador de Abóboras - Vencedor Do Premio Oceanos
“Não se plantam, semeiam-se abóboras.” (Página 150)
Do timorense Luís Cardoso, O Plantador de Abóboras foi o vencedor do Prêmio Oceanos em 2021. Dedicada à literatura de língua portuguesa, a premiação é o equivalente lusófono ao britânico Man Booker Prize e pela primeira vez, ela foi concedida a uma obra do continente asiático, ou melhor, pela primeira vez uma obra do continente asiático esteve entre os finalistas.
Curiosamente, o romance enfrentou dificuldades para ser publicado. Apesar de Cardoso ser um nome conhecido tanto em seu país como em Portugal, O Plantador de Abóboras foi levado ao prelo pela Abysmo, após ser rejeitado pela Porto Editora, a antiga casa do escritor, sob a alegação do baixo retorno financeiro de seus livros. Uma situação que traz a pauta uma antiga discussão: a frequente dicotomia entre critica e público, ou da qualidade literária versus o mercado de livros.
Resumidamente, a narrativa é um longo monólogo que, em 160 páginas, reconta a história de um país construído por sucessivas ocupações e que, hoje em dia, tornou-se refém do petróleo existente em seu litoral. Na mão dos australianos, essa riqueza não tem sido aproveitada para incentivar a educação, a saúde e a agricultura da ilha. Conforme Cardoso denuncia, falta “vontade política” para mudar essa conjuntura, afinal, “não se pode passar a vida toda recriminando o passado pelo presente”.
Num fluxo poético marcado pela violência, o romance assemelha-se a uma sonata e é apresentado em três andamentos – ou capítulos – relacionados entre si: a revolta contra a colonização portuguesa em 1912, a tomada do país pelo Japão durante a Segunda Guerra e a invasão da Indonésia (1975-1978) que dizimou um terço da população da ilha. O resultado é uma composição polifônica que se distingue pelo emprego de expressões e palavras extraídas do “tétum”, língua nacional e co-oficial do Timor. Para exemplificar, ao invés de europeu é usado “malae-mutin” e “malae-metanque” significa africano.
Outro destaque do romance é a intertextualidade tanto a homoautoral, com outros livros de Cardoso, como a heteroautoral, com livros de outros escritores. Nesse último caso, há referências explícitas a Dom Quixote, de Miguel Cervantes, e implícitas à obra de Gabriel Garcia Márquez: Manue-mutin, um local imaginário que é pano de fundo da historia, remete a Macondo, e sua protagonista e narradora, a espera do noivo há décadas, recorda Fermina Daza, de O Amor Nos Tempos Do Cólera.
Finalmente, a escolha do título do livro remete ao sonho da grande maioria dos timorenses: ter um terreno para plantar abóboras. De fácil frutificação, eles aproveitam todo o fruto, comem dos rebentos às flores, e desde a sua chegada no período colonial, a abóbora tem sido fundamental para a sobrevivência dos ilhéus, em especial, em tempo de vacas magras.
“Numa guerra ninguém faz considerações morais: ou se mata ou se morre. Mata-se e pronto. Mataste quantas pessoas, antes de entrares nesta casa para me dizeres que gostarias de plantar abóboras? Não precisas de me responder. Se tiveste de o fazer foi certamente ao serviço da Pátria. Fora de mim pensar em outras absurdas hipóteses. Haverá alguma que seja mais convincente do que matar por medo que te matem a ti?” (Página 45)
“¿Aún quieres sembrar calabazas? ¿O ha sido algo que se te ocurrió decir para justificar tu venida? Sabías muy bien a qué venías. Entraste aquí como si conocieras los rincones de la casa y aferraste mis manos como nadie lo había hecho.”
Con esta cantilena, con variaciones, arranca cada párrafo de esta narración, tras lo cual ella va hilvanando su monólogo, desordenado y por momentos delirante, una sonata para la neblina; la neblina que dio su nombre al lugar donde ocurrieron las cosas antes de la llegada del plantador de calabazas: Manu mutin, término en lengua tetún para designar al gallo blanco, blanco como la permanente neblina.
Y esta mujer, a través de este monólogo nos irá contando y mostrando su vida y la de sus antepasados, que tiene como trasfondo imprescindible la historia de Timor Oriental, un país nuevo con una larga historia; las rebeliones contra los colonizadores portugueses lideradas por Dom Boaventura, y que fueran reprimidas definitivamente en 1912 con la ayuda de soldados traídos de Mozambique (entre los que vino el abuelo de la narradora); la lucha por la primera independencia con la caída del dictador Zalazar (el Francisco Franco de Portugal); la posterior invasión indonesia, y el referéndum de independencia de 2002.
Y ella que maneja la hacienda y el cafetal de su padre en el paraje perdido de Manu Mutin, con la ayuda del siempre ambiguo capataz Borromeo, mientras espera (o tal vez ya no) la vuelta de su prometido; y su traje de novia manchado de sangre; y la historia de su madre, la de los dos Timores; y muchas historias más.
El inicio de lectura no me resultó fácil, hasta que pude tomarle el ritmo y salir de la confusa neblina; una narración que juguetea con las palabras (como saben hacer los poetas) hasta alcanzar una belleza propia, tal vez la mejor para contar esta historia llena de violencia y locura.
Una muy buena novela.
Luis Cardoso nació en Timor Oriental (o Timor Leste) en 1958. Luego de la invasión indonesia se exilió en Portugal , donde reside actualmente. El país finalmente logró su independencia después de un referéndum que implicó una gran valentía cívica, ya que los paramilitares indonesios mataron a miles de los que fueron a votar.
A modo de postfacio La edición que leí es en castellano, El plantador de calabazas. Sonata para una neblina, Tragaluz Editores (Colombia), 2022, 140 páginas. Traducción del portugués por Renato Sandoval Bacigalupo. ISBN 9789585463-653 (https://casatragaluz.com/libro/el-pla...), y no está incluida en la oferta de Goodreads.
Não conhecia o autor, mas logo as primeiras páginas me encantaram pela forma poética da escrita. Uma história de luta, de sobrevivência pessoal num país em permanente guerra. Poesia ou apenas uma singular forma de escrita?
A história de O Plantador de Abóboras começa com a chegada de um homem a Manu-mutin. Lá está a mulher, que é a filha adotada (roubada) por aquele que era o proprietário, daquela terra, morto entretanto. É uma mulher, noiva sem noivo, mas é também uma casa, uma terra, a memória ou a história do país, e ali permanece sozinha: “Que devia ir-me embora para não estar aqui sozinha e ser devorada pela minha memoria. Que estou povoada de ausentes. Não dos que foram embora para a cidade de Dili, mas dos que partiram e não se ausentaram.” A mulher (tal como a mãe daquele que seria o seu pai) não tem nome, ao contrário das outras personagens que percorrem a história. Lendo o livro, que decorre em círculos, com regresso ritmado ao ponto de partida, o da chegada do homem que queria plantar abóboras, percorremos a história de Timor Leste e sentimos como esta afetou de forma indelével a personalidade dos seus habitantes: “(...) Fizemos o mesmo jogo de dupla face, correndo riscos calculados, sabendo de antemão que no fim se perdermos uma, fosse ela a verdadeira ou a falsa, há de sobrar aquela que nos salvará a face. Foi assim que os ludibriámos. E continuamos a fazê-lo entre nós como se ainda cá estivessem, mascarados com os nossos rostos.” “(…) Foi tudo em grande, os sonhos e as expetativas. Pena não termos a mesma grandeza para aceitarmos que afinal de contas somos iguais aos outros. Tão maus como os maus e tão bons quanto os bons. Passada a fase romântica da luta heroica que nos elevou tão alto como a montanha de Ramelau fomos escorregando pela encosta abaixo e descemos tão baixo que metemos a mão no lodo e na lama na disputa pela posse da galinha dos ovos de ouro.” N'O Plantador de Abóboras está a história de Timor-Leste, do último século: a revolta do Manufahi, o colonialismo português, a invasão japonesa, as colunas negras, a invasão indonésia e, por fim, a independência. E estão também as suas tradições e crenças, o crocodilo, os galos, o café, algumas palavras em tétum. E está, parece-me, uma declaração de amor àquele novíssimo país à mistura com a descrença ou desilusão quanto à sua elite: "Que pelo facto de teres participado na luta de libertação não te concede nenhum privilégio especial de esbanjar o dinheiro do Fundo Petrolífero". Em formato de poesia e com o ritmo de uma sinfonia, é também um apelo à memória porque como diz “O passado é um lugar estranho quando se sai dele como se nunca lá se tivesse entrado.” https://leiturasemclube.blogspot.com/...
O título é delicioso, a capa o formato. Tudo no livro era expectativa, mas acabou por ser uma desilusão. O livro é difícil de ler e é repetitivo. A história é muito cifrada e acho que não será fácil de perceber - e eu vivi em Timor e estudei sobre. A história mistura-se e repete-se e é difícil, a certo ponto, discernir. Talvez a intenção seja esta, mas é um livro que custa. Uma pena. O título é delicioso, a capa o formato. A frase de título também, mas às tantas é quase bengala. Bom, há coisas melhores do autor. Esta é uma tentativa bonita, e escrever literatura tendo como referência Timor deve ser tudo menos fácil.
Foi com entusiasmo que recebi a notícia da atribuição do Prémio Oceanos a um escritor timorense. Um entusiasmo misturado de surpresa, já que o nome do autor nada me dizia. Percebi então que Luís Cardoso nascera numa pequena vila no interior de Timor-Leste e passara a infância na ilha de Ataúro. Com o pai, enfermeiro, vivera em várias localidades e aprendera diversos idiomas do país. Licenciado em silvicultura no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, desempenhara as funções de representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere em Portugal. “O Plantador de Abóboras”, o seu sétimo romance, está povoado de reminiscências destas memórias, em particular as que se prendem com a situação económica e política do país durante a invasão indonésia e no período pós-independência. Talvez por isso, entenda que o livro encerre um forte cunho autobiográfico, o que o transforma num longo monólogo reflexivo e que representará, porventura, um balanço da própria existência do seu autor.
As primeira páginas do livro trouxeram-me um enorme conforto. Densa e penetrante, marcadamente poética, a prosa pede para ser lida em voz alta. Soam intensas e delicadas as palavras desta “noiva mutin de Manu-mutin” quando fala da espessa neblina como se fosse sumaúma, se refere ao petróleo como “mina-rai” e ao oleoduto como “au-kadoras”, demonstra conhecer bem as figuras de Dom Quixote e Sancho Pança ou revela as diferenças entre plantar e semear abóboras. Na sua frente tem um desconhecido - “não tenho memória das tuas mãos. Não sei quem sejas. Não sei donde vens. Não sei quem eras antes de entrares nesta casa para me dizeres que gostarias de plantar abóboras” - e é a ele que se dirige. É a ele que conta (que canta?) esta “sonata para uma neblina”, repartida por três andamentos de acordo com uma linha cronológica que se desloca do passado para o presente. É nele que deposita a história de três gerações da sua família, falando-lhe de um tempo em que a necessidade imperiosa de partir se confunde com o desejo de ficar e chamar seu a cada novo lugar.
Diz o povo que “não há bem que sempre dure (…)” e assim é com este livro. A beleza e emoção das páginas iniciais rapidamente cede lugar à monotonia e ao bocejo. As frases repetem-se, buscando correspondência numa suposta ideia de circularidade, mas o mais que conseguem é acentuar a sensação de frustração perante uma narrativa que se revela demasiado frágil nos seus alicerces. Luís Cardoso carregou de simbolismo a (sua) história, partindo do princípio que o leitor estaria munido das necessárias “palavras-passe” para desvendar o conjunto de códigos que a povoam. Percebo, então, o quão distante estou do conhecimento da história do povo timorense. Creio ver nesse “irmão extraordinário” o líder revolucionário Xanana Gusmão mas não tenho, sequer, a certeza disso. Mistura-se pintura com Cervantes, segunda Guerra Mundial com a ilusão de um país rico em petróleo e busca-se acerto para as ideias. Em vão. O tédio adensa-se e contam-se as páginas para o fim do livro. Uma decepção!
Sinto tanta dificuldade em escrever sobre esse livro como senti ao lê-lo. Não sei definir a sensação que me causou. Antes de tudo, é um livro belíssimo. Achei a linguagem do autor bonita, poética e diferente. As voltas que o discurso da personagem dá têm um efeito de torná-la familiar ao leitor (já adivinhamos as frases que ela vai dizer, como se a conhecêssemos), ao mesmo tempo que simula bem uma narrativa embasada em recordações, de alguém que fala e se lembra de episódios, gostei desse efeito. Entretanto, achei a leitura um bocado difícil. Senti que não compreendia parte das referências. É um livro muito denso, e sinto que muito rico, mas é como se me faltasse bagagem para compreendê-lo (e apreciá-lo) no todo, talvez conhecer mais a história do Timor Leste. Por isso tive dificuldade em mergulhar na história, demorei muitas semanas para terminar (e é um livro pequeno em número de páginas). Talvez eu o releia em algum momento. Obs: A edição da Abysmo é maravilhosa, linda arte, lindas imagens!
Gostei muito da história apesar de ter sentido alguma dificuldade em compreender o enredo. Ainda assim senti que me transportou para um contexto muito dramático de guerra e cheguei a sentir-me desconfortável com algumas situações descritas.
Em o Plantador de Abóboras, Luís Cardoso conduz o leitor em um labiríntico e musical relato que dialoga com eventos da história do Timor-Leste. Portanto existem duas forma de ter contato com a obra, o leitor pode optar por entrar na leitura completamente no escuro ou pode fazer uma rápida pesquisa o que lhe permitirá identificar alguns elementos tratados na narrativa. Por mais que algum conhecimento da história timorense ajude a aclarar alguns pontos, porém a narrativa se sustenta mesmo que o leitor ignore até mesmo a existência do país. Em alguma medida a narrativa de Cardoso transcende a história de seu país, já que poderia acontecer em várias regiões do mundo. O apelo da obra é identificável a quase todo leitor. Apesar disso talvez alguns leitores sintam alguma dificuldade com a estrutura proposta na narrativa. Não temos uma narrativa linear e sim algo que se aproxima de uma narrativa em espiral, sempre retornando a um “refrão” e ao mesmo tempo o ressignificando. A narrativa cíclica justificasse pois nossa narradora, dada como mentalmente perturbada, não se dispõe a contar sua história de forma linear. A narrativa oscila entre a realidade, o sonho e o anseio. Em mais de um momento o leitor se sentirá pedido, fora do tempo. O fato de dentro da narrativa Dom Quixote ser lido não é algo solto, jogado, antes claramente é uma das chaves que nos desvenda o sentido da obra. A insanidade permeia a narrativa mas como acontece em Dom Quixote nos pegamos pensando quem afinal é o louco. Uma crítica que se pode fazer a essa edição da Todavia (não sei se outras edições também seguem esse padrão) é a falta de um glossário para as palavras em tétum. Ainda que algumas possam ser depreendidas da leitura e outras não sejam assim tão necessárias ao entendimento é uma falha da edição. O Plantador de Abóboras, portanto é uma obra poética, musical, em alguma medida enganosamente simples, que possui muito mais camadas do que pode transparecer numa leitura descuidada. Como acontece em alguns livros uma leitura arrítmica não é a melhor opção, vale a pena o leitor ler alguns trechos em voz alta, pegar a cadência do texto. A partir daí a leitura com certeza fluíra melhor, o texto que transpira musicalidade.
Descobri o autor e o livro numa entrevista na televisão. Tratava-se de um relato de uma mulher só, de certa idade, a quem o autor ouvira contar, com maravilhamento, a história da sua vida e do seu próprio pais, Timor Leste. É isso mesmo que o livro é, uma sonata a três andamentos, lírica, sobre as atribulações de um povo colonizado, invadido, combatente e depois ludibriado pelos vapores do petróleo e pela aura do herói que não o era assim tanto. E é cantada por uma mulher, pois são elas, tidas como o sexo fraco, as mais castigadas pela violência.
🌟 Destaco de la historia su carácter exótico y su abordaje del colonialismo.
⭐️ Sin embargo, la narración por momentos se vuelve entreverada y poco clara. La escritura de Cardoso en esta obra es muy particular. La organización del libro en tes partes y la extensión de las mismas hizo que la lectura me resultara tediosa e incómoda por momentos.
A estranheza que me causa Timor Leste é a mesma estranheza que me gerou a narrativa do autor, tão bem descrita como hipnotizante na orelha do livro. Me serviu como uma poética Carta de Apresentação desse país tão peculiar.
Terminar de leer este libro, buscar Timor Oriental en Maps y leer la review de turistas de lugares de la isla, fue por lo menos una experiencia *radicalizante*.
"Una de las playas más conocidas de Timor Oriental. _Era un lugar popular entre las fuerzas de paz de la ONU a principios de la década de 2000._ Los lugareños les cobrarían $1 por acceder a la playa. La entrada ahora es gratuita pero la playa está cerrada con la puerta cerrada y las instalaciones (baños, piscinas, etc.) fuera de servicio. No hay un cronograma sobre cuándo reabrirá la playa, pero se puede acceder caminando alrededor de las paredes de la playa. _Las torres son una característica novedosa, ya que ofrecen buenas vistas y sombra, pero junto con el muro perimetral rematado con alambre de púas, lo hacen sentir más como un campo de prisioneros que como un centro turístico junto a la playa. Aquí se puede hacer buen snorkel._ La playa es parte de la gran Área Importante para las Aves Subaun, que se extiende por ~60,000 acres hasta el Monte Curic"