As Obras completas de Freud têm continuidade com o décimo sétimo lançamento, o volume 5, que contém duas obras publicadas em 1901: Psicopatologia da vida cotidiana e Sobre os sonhos.
A Psicopatologia da vida cotidiana trata dos atos falhos, agora também chamados "lapsos freudianos", que são os erros involuntários ao falar, ouvir ou escrever algo, esquecer ou trocar nomes, pôr coisas fora do lugar etc. Recorrendo a uma infinidade de exemplos, dele próprio e de outras pessoas, Freud argumenta que, longe de serem casuais, esses lapsos têm explicação e significado. Eles são explicados como influência de desejos inconscientes sobre a conduta consciente do indivíduo. Foi o que houve quando, num exemplo divertido, o presidente do parlamento austríaco, ao abrir um debate que imaginava que seria tempestuoso, declarou "encerrada" a sessão, em vez de "inaugurada" — termos parecidos em alemão.O outro texto do volume, Sobre os sonhos, constitui um resumo bastante acessível da Interpretação dos sonhos.
Dr. Sigismund Freud (later changed to Sigmund) was a neurologist and the founder of psychoanalysis, who created an entirely new approach to the understanding of the human personality. He is regarded as one of the most influential—and controversial—minds of the 20th century.
In 1873, Freud began to study medicine at the University of Vienna. After graduating, he worked at the Vienna General Hospital. He collaborated with Josef Breuer in treating hysteria by the recall of painful experiences under hypnosis. In 1885, Freud went to Paris as a student of the neurologist Jean Charcot. On his return to Vienna the following year, Freud set up in private practice, specialising in nervous and brain disorders. The same year he married Martha Bernays, with whom he had six children.
Freud developed the theory that humans have an unconscious in which sexual and aggressive impulses are in perpetual conflict for supremacy with the defences against them. In 1897, he began an intensive analysis of himself. In 1900, his major work 'The Interpretation of Dreams' was published in which Freud analysed dreams in terms of unconscious desires and experiences.
In 1902, Freud was appointed Professor of Neuropathology at the University of Vienna, a post he held until 1938. Although the medical establishment disagreed with many of his theories, a group of pupils and followers began to gather around Freud. In 1910, the International Psychoanalytic Association was founded with Carl Jung, a close associate of Freud's, as the president. Jung later broke with Freud and developed his own theories.
After World War One, Freud spent less time in clinical observation and concentrated on the application of his theories to history, art, literature and anthropology. In 1923, he published 'The Ego and the Id', which suggested a new structural model of the mind, divided into the 'id, the 'ego' and the 'superego'.
In 1933, the Nazis publicly burnt a number of Freud's books. In 1938, shortly after the Nazis annexed Austria, Freud left Vienna for London with his wife and daughter Anna.
Freud had been diagnosed with cancer of the jaw in 1923, and underwent more than 30 operations. He died of cancer on 23 September 1939.
Dizer que todo mundo precisa de terapia parece à meia distância um tipo de defesa da colonização do outro. Será que todo mundo precisa de terapia mesmo? Até as pessoas naturalmente bem resolvidas que conseguem ser cientes de si e as pessoas ao seu redor? O psicólogo/psicanalista age literalmente como espelho do paciente e nem sempre o que é visto agrada, por isso é tão importante o laço de amor transferencial, sem esse amor é insuportável o que se vê no espelho. Hoje me ocorreu um caso interessante numa rede social de livros, uma moça aparentemente bem jovenzinha começou a me atacar gratuitamente em minha própria página, estava bem óbvio que ela estava projetando as questões inconscientes dela em mim, tudo que ela me acusava de ser ela própria estava sendo e o mais curioso é que sem a mínima consciência disso. Óbvio que o caminho mais fácil pra mim seria dizer que ela precisa de terapia, mas esse bordão é cansativo demais, sem falar que terapia não serve para domesticar ninguém (quanto mais se faz análise menos domesticada se fica), só se aprende a separar a si do outro, aprende a perceber que a questão que tanto incomoda no outro também está em você. Projeção é um mecanismo de defesa absolutamente normal, não há nada errado em projetar para aliviar a dor da existência, só resta aprendermos a lidar com isso conscientemente. Seja com terapia ou não.
“Psicopatologia da Vida Cotidiana e Sobre os Sonhos"- 1901
Aqui Freud aborda sobre os lapsos verbais, de escrita, de leitura e outras variáveis. Os atos falhos, visto por muitos como algo irrelevante feitos por falta de atenção, na realidade contém elementos muito mais profundos, até então ocultos no insconsciente. Uma “traição de si mesmo”, um modo de defesa. Segundo ele, todo lapso contém um motivo, geralmente revelando alguma questão desprazerosa reprimida. Se você vai falar alguma frase que contém a palavra “bolo” e troca por “bola”, não é insignificante, pois carrega algo além (provavelmente de origem sexual e oriunda da infância, tratando de Freud).
Mais que isso, ele fala sobre o esquecimento, as distrações, os casos de extravio (perda de objetos), os erros de memória, até uma análise complexa de uma escolha aparentemente arbitrária de um número. Pensa em um número qualquer. Ele não é tão qualquer assim. Freud explica. Ele trabalha com uma enxurrada de exemplos, próprios e de pacientes, o que dá um apoio mais inteligível para a parte teórica dos conceitos.
Na última parte do livro, quase que como um resumo do clássico “Interpretações dos Sonhos”, ele trata do mundo onírico. Divide os sonhos em 3 níveis (compreensíveis, estranhos e absurdos) e diferencia os sonhos infantis dos da fase adulta. Todo sonho liga-se pelo menos com uma impressão do dia anterior, geralmente algo tão insignificante que é merecedora de esquecimento. Ao mesmo tempo, um conteúdo aparentemente sem importância mostra-se, em análise, proveniente de uma vivência significativa e reprimida. As representações mistas dignas de um quadro de Salvador Dalí, revelam pelo menos algum ponto em comum. A repetição de uma mesma questão, representada de diferentes formas. Novamente através de exemplos, ele decompões e faz conexões escondidas no inconsciente.
Seguindo a leitura das obras completas do Freud tenho que repisar esse que considero o livro mais chato do véio. Nesses textos, Freud fortalece essa terrível imagem do psicanalista-detetive, que consegue apontar a origem específica dos atos falhos, esquecimentos, trocas de letras, etc. Felizmente, no fim da vida Freud foi substituindo a comparação do analista com um Sherlock Holmes por uma mais realista do analista com um arqueólogo. Apesar de ser considerado o livro mais acessível do véio (provavelmente por ser abarrotado de infindáveis exemplos anedóticos de atos falhos) acho sua leitura um suplício. De qualquer forma, chega a conclusões interessantes sobre como no fundo todo mundo é neurótico e frito.