"Ana que, no árabe, quer dizer: eu. As Mulheres de Tijucopapo, esperança adulta e amorosa lembrança infantil, é a procura de Nema, a do único abraço, a que desapareceu na mata, rumo à Pedra Branca. Nema, nemo, neminis: ninguém. A busca da origem é busca de si rodopiando entre dois polos – eu, a doida; ninguém, a amante amada. Somente ao cabo da procura Rísia há de rir, na pura celebração de si."
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"Mas de que me adianta evitar? Eu não tenho mais esse começo que acho que tenho. Meu começo se perdeu serras lá para trás, não vou iniciar ninguém em nada. Não sei iniciar. Só sei terminar. Mas é muito difícil chegar ao fim também. Sei que do começo não me resta mais nada e que devo prender todas as esperanças ao final. Seria fácil se eu não estivesse exatamente no meio. Estou no meio, na metade. De que me adianta evitar? Isto é uma estrada de ninguém por onde vou já a 250 mil milhas. E estou aqui porque não mais pude telefonar. Porque não mais pude falar. Porque o meu é um caso de perda de amor. Eu fui, vez por todas, esculhambada. A desgraça deu um pulo medonho para cima de mim, me deu um pontapé no toitiço. Eu mal acredito, tonta, abestalhada. Às vezes eu paro e me escoro numa pedra ou numa árvore do caminho porque quase desfaleço andando sem querer crer. Filhos-da-puta. Pois eu amava esse homem e, de repente..."
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"O meu salário era o mais alto de minha casa e minha mãe depositava todas as esperanças em minha pessoa. Eu não aguentei, pois, o sufoco e saí por aqui. Saí de casa porque nos dias de domingo as pessoas jogavam relances na cara uma da outra tentando descobrir o que é que elas não tinham para dizer. Como isso eu não suportava, e como sou tão inteligente que o que me aparece são mulheres perdidas querendo os meus conselhos sobre a dor de amar um amante, como sou muito inteligente e vomito com extrema facilidade diante duma casa assim em dias de domingo, e de uma cidade de mulheres perdidas como São Paulo, eu me retirei. Eu me retirei e quero compor uma ária que recomponha em retrospectiva a minha retirada."