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Mulheres na História do Mundo: De 1450 ao presente

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«Este livro condensa a história das mulheres do mundo num único relato, que se desenrola ao longo dos últimos cinco séculos. Fala de escritoras chinesas aclamadas do século XVII e de estrelas de cinema chinesas igualmente aclamadas da década de 1930; de princesas indianas e de humildes camponesas iletradas da Índia que aprendiam sozinhas a ler e a escrever. Imperatrizes russas dos inícios da Idade Moderna aparecem ao lado de mulheres soviéticas que foram pilotos de caças na década de 1940; mulheres ameríndias chefes e ativistas políticas brancas e negras dos Estados Unidos afirmam o seu poder.

O livro é também um mosaico de tecelãs, curandeiras, escravas, patroas, assassinas, artistas, trabalhadoras do sexo, mães, manifestantes e chefes de governos modernos. Uma amostra de tudo o que as mulheres produziram e viveram ao longo dos últimos quinhentos anos.»

CRÍTICAS
«Bonnie Smith propôs-se uma missão impossível – sintetizar a história das mulheres em todo o mundo ao longo dos últimos cinco séculos – e cumpriu-a de forma brilhante! Escreveu um livro que é não apenas cativante mas tem um âmbito vastíssimo. Com uma visão caleidoscópica, revela os padrões comuns e as divergências de trajetória nos diversos continentes.»
Paul Ropp, Universidade Clark

496 pages, Paperback

Published April 1, 2021

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Bonnie G. Smith

294 books13 followers

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February 3, 2024
Em momentos de perigo, quando as mulheres surgem ao seu lado, os homens não protestam. Contudo, os grandes atos e os intermináveis sacrifícios das mulheres não mudam as visões que os homens têm delas[...]Os homens detacaram mulheres de mérito excecional e colocaram-nas num pedestal para evitar reconhecer as capacidades de todas as mulheres.

Huda Sha'arawi 1879-1947), pioneira do Movimento pela Autonomia do Egipto

Mulheres na História do Mundo é um projeto muito ambicioso: um projeto que procura reparar os danos que os discursos históricos enviesados infligem na sociedade.
E se, normalmente, não sou grande fã de narrativas de reação ao discurso patriarcal, não deixo de ser das primeiras a reconhecer a necessidade de elaborar uma história das mulheres (política, social ou artística que seja) pela mera existência de um registo que assegure a sua fixação/materialização. Pois, se por um lado a criação de um roteiro histórico feminino empobrece um discurso que deveria ser uno e igualitário, por outro é uma necessidade garantir e preservar esse roteiro numa sociedade cujas estruturas e narrativas de índole patriarcal apagam os testemunhos femininos considerados pouco relevantes quando se trata de alimentar uma máquina hostil a valores que não sejam essencialmente bélicos, imperiais e capitalistas.

Há quem diga que o patriarcado morreu na Idade Moderna, transformado no simples privilégio masculino. Outros, contudo, sustêm que a ordem industrial foi uma dádiva para o patriarcado, enriquecendo mais homens do que antes e criando estruturas que conduziram ao maior empobrecimento das mulheres. Fosse qual fosse o caso nas fábricas, um historiador concluiu que a diferença salarial pré-industrial da Idade Média era igual à diferença entre os salários das mulheres e dos homens no início do século XXI.


Problemas de genderização não se resolvem em meio milhar de páginas, mas muito se pode dizer neste espaço que elucide para os problemas que hoje ainda se enfrentam, nomeadamente em relação à exploração laboral:

A divisão sexual da mão de obra sempre foi flexível e arbitrária. Entre alguns povos nómadas, por exemplo, as mulheres montavam a cavalo e podiam até combater, como os homens, ao passo que noutras culturas a masculinidade poderia estar exclusivamente ligada ao cuidado e à utilização de grandes animais, sobretudo preparando-os para empresas militares.
(Séc. XV/XVI)


...ao apagamento do papel das mulheres na guerra e nos movimentos revolucionários e independentistas:

As mulheres participaram na Guerra de Secessão tal como batalhões dos exércitos nas suas cidades, lavando roupa e tratando de ferimentos. Tal como em quase todas as guerras da época, avançavam quando a espingarda de um soldado ferido ficava disponível ou vestiam-se de homens e tornavam-se combatetentes a tempo inteiro.

[...]
No Quénia, na organização pela independência chamada Mau Mau, as mulheres trabalhavam como fornecedoras de armas, comida e comunicacões para os combatentes, porque tinham sido privadas das suas terras, atiradas para campos de concentração britânicos e torturadas, tal como os homens. Na guerra da independência da Argélia, na década de 1950, mulheres combatentes, mais uma vez disfarçadas de mulheres, trabalhavam para as forças independentistas de formas variadas, como, por exemplo, recolhendo informações secretas e praticando terrorismo. Como afirmou a combatente da resistência Jamillah Buhrayd, havia milhares de mulheres que «iam, tal como eu, da casbá até ao bairro francês. Levavam bombas nas malas e atiravam-nas para dentro de cafés».


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Guerreiras Ahosi de Daomé, 1891. (Getty Images)

...ao seu papel na divulgação científica:

A propósito de enfermidades, vou dizer-vos uma coisa vos fará desejar estar aqui. A varíola, tão fatal, e tão frequente entre nós, aqui é completamente inofensiva, graças à invenção do enxerto, que é o termo que lhe dão. Existe um conjunto de mulheres idosas que fazem desta operação o seu negócio, todos os outonos, no mês de setembro, quando o grande calor já diminuiu, as pessoas visitam-se umas às outras, para saberem se alguém da família tem varíola; fazem festas para isso, e quando se encontram (muitas vezes quinze ou dezasseis), a mulher idosa aparece com uma casca de noz cheia da matéria do melhor tipo de varíola e pergunta que veia se deseja que abra. E rasga imediatamente aquela que lhe for apresentada com uma grande agulha (que não dá mais dor do que um vulgar arranhão) e coloca dentro da veia o máximo de matéria que estiver na cabeça da sua agulha, e depois disso liga a pequena ferida com um pedaço oco de casca, e deste modo abre quatro ou cinco veias [...]. As crianças ou jovens pacientes brincam juntas o resto do dia e ficam de perfeita saúde até ao oitavo dia. Depois a febre começa a atacá-las e elas ficam de cama dois dias, muito raramente, três [...]. Não há exemplo de nenhuma que tenha morrido nela, e podem acreditar que eu estou muito satisfeita com a segurança desta experiência, pois pretendo testá-la no meu querido filho mais novo. Sou patriota o suficiente para sofrer as dores de popularizar esta útil invenção em Inglaterra, e não deverei deixar de escrever a alguns dos nossos médicos em particular sobre isso.

Lady Mary Wortley Montagu, em carta de 1 de abril de 1717

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Retrato de Lady Mary Wortley Montagu (Heritage Images/Getty Images)

Dar voz a estas histórias é um dos primeiros objetivos deste livro, dar a conhecer o outro lado da narrativa oficial, mas também alertar para a ciclicidade histórica e o perigo de pactuar com regimes que destituem as mulheres dos seus direitos (isto já nem devia ser tema de discussão!):

Napoleão criou um código de leis unificado para a nação, que dura até aos dias de hoje e que influenciou a reforma de sistemas legais de todo o mundo(...) o Código Napoleónico, que entrou em vigor em 1804 impedia as mulheres de agirem como indivíduos autónomos (...)enquanto cidadās, as mulheres eram membros passivos, não ativos, da nação francesa: não tinham o direito de participar na política nem podiam mover processos contra malfeitores ou ser testemunhas julgamentos. A sua nacionalidade seguia a do marido, perdendo a cidadania francesa se casassem com um homem estrangeiro. Em termos económicos, não podiam ter um negócio em seu nome, nem trabalhar sem a autorização do marido. Se trabalhassem, o seu ordenado pertencia ao marido. Com o casamento, a propriedade de uma mulher, salvo algumas exceções, passava para o marido. Com o casamento, a mulher tinha de residir onde o marido mandava. Se fosse considerada culpada de adultério, seria presa; um homem adúltero não era punido, a não ser que levasse a sua concubina para viver no lar conjugal. Os filhos de um casamento eram propriedade do marido. Se este morresse, ficariam à guarda de um conselho familiar, não da mãe. Em suma, o Código Napoleónico criava pobreza para as mulheres e a sua inferioridade civil, até a sua não-existência, exceto como entidades vivas subjugadas aos maridos e aos caprichos do Estado. Sem terem rendimentos próprios mesmo que ganhassem salário, o Código Napoleónico praticamente obrigava as mulheres a ficarem com o marido. Não tinham alternativa.


...ou alertar para falácias históricas:

Considera-se que o foco da Revolução Industrial foram tecnologias (...) e máquinas criadas em Inglaterra a partir do século XVIII. Contudo, as mulheres já utilizavam uma diversidade de tecnologias antes da ascensão da indústria, por exemplo, as complexas ferramentas das mulheres chinesas para tecer e os sistemas de irrigação para a agricultura das africanas.


...ou para a usurpação intelectual com o consentimento dos poderes instalados:

Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, um grupo de mulheres de doze países encontrou-se em Haia, fundando a Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade (WILPF, na sigla inglesa) e decidindo visitar chefes de Estado de vários países envolvidos no conflito para negociar a paz. A tentativa fracassou, mas a declaração de principios que estas mulheres redigiram e entregaram aos chefes de Estado era notavelmente semelhante aos Catorze Pontos do presidente norte americano Woodrow Wilson, publicados cerca de dois anos mais tarde.
*

Inevitavelmente, os relatos deste livro estão pejados de crueldade, violência e atentados contra o corpo e o espírito das mulheres, mas sem eles despe-se de gravidade o anulamento da figura feminina:

A administração manchu (...) deu particular ênfase à pureza das mulheres, com uma lei de 1646 sobre violação a declarar que a alegação de violação de uma mulher só era credível se ela morresse no ataque ou se lutasse sem interrupção. Qualquer diminuição de resistência indicava consentimento, logo, condenava a mulher à morte.


Por outro lado, também se destaca o papel de resistência das mulheres a esse cancelamento através de iniciativas diretamente associadas ao empoderamento pelo conhecimento e pela educação:

Reformadoras chinesas ajudaram o país a ganhar cerca de 134 mil escolas para raparigas, educando quatro milhões e meio de alunas antes da Primeira Guerra Mundial. A educação superior para mulheres também evoluiu, sendo criadas faculdades femininas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, na década de 1860 e início da de 1870; a Universidade Feminina em 1901 e a Universidade Feminina de Chukyo em 1905, no Japão; a Faculdade Ginling foi fundada em 1913, na China; e, na Índia, um ashram para viúvas e raparigas, fundado em 1896, foi convertido em faculdade para mulheres em 1916 e depois numa universidade. Antes de 1914, o número de universidades para mulheres explodiu por todo o mundo, e os homens de muitos países emergentes eram ativos no debate do direito das mulheres à educação, a bons empregos, à detenção de propriedade e ao voto.


...ou pela participação ativa em sociedade:

Em 1915, quando milhões de homens perdiam a vida nas linhas da frente ou ficavam inválidos devido a ferimentos de guerra, foram contratadas mulheres para as fábricas de munições, e não só, e para trabalharem nos transportes, nas quintas, na educação e no comércio. As mulheres também prestavam serviço como enfermeiras nas linhas da frente, e na Rússia formaram unidades militares exclusivamente femininas. Em locais onde havia empregos segregados de homens e mulheres, as expectativas de género esfumaram-se.


Mulheres na História do Mundo procura abarcar todos estes e mais aspectos da história de género, oferecendo uma janela global para a história no feminino. Fazê-lo de forma efetiva em 500 páginas é uma missão impossível, mas poder contar com um tomo que condense de forma introdutória mais de cinco séculos de história e ofereça uma bibliografia rica e variada é um privilégio dos tempos que vivemos e não é de desconsiderar.
O senão recai aqui sobretudo sobre a estrutura seguida pela autora, guiando o leitor por tópicos em vez de cronologicamente, a qual tem como resultado oferecer repetições desnecessárias e algumas omissões - nomeadamente no que concerne a história de Portugal e história das mulheres em Portugal (aquela sobre a qual melhor posso - ou devo - opinar).

Já a edição da Temas e Debates fica vilmente manchada por clarissímos problemas ao nível da tradução, demasiado literal e incapaz de transpor para o sistema gramatical português a estrutura minimalista anglo-saxónica; mas, sobretudo, manchado por gravíssimos problemas a nível de revisão/edição a deixar passar inúmeras gralhas, erros gramaticais, e a inventar pelo caminho algumas palavras novas (ex. «interdir» ao invés de «interditar»).

Apesar destes problemas - volto a repetir que o empreendimento é ambicioso e ousado - Mulheres na História do Mundo é um documento extraordinário dos esforços, façanhas e empreendimentos levados a cabo por mulheres de todo o mundo, apesar de toda a opressão, discriminação e esforços de apagamento sofridos desde a época moderna até aos nossos dias.

A ascensão das mulheres ao poder como chefes de Estado foi notável no final do século XX e continuou no século XXI. Em 2015, a pessoa mais importante na Europa foi considerada a chanceler alemã Angela Merkel (n. 1952), que subiu ao poder em 2005. Na verdade, Merkel liderava não só a Alemanha, mas o maior mercado do mundo-a União Europeia-, devido à economia próspera do seu país e à sua mão firme perante muitas emergências. Antes de Merkel, como já vimos, existiram muitas chefes de Estado e mulheres líderes na Ásia, depois da Segunda Guerra Mundial: Golda Meir chefiou Israel; Indira Gandhi, a Índia; Corazón Aquino e Gloria Macapagal Arroyo, as Filipinas; Benazir Bhutto, o Paquistão; e Megawati Sukarnoputri, a Indonésia.(...)tornou-se visível que a ênfase feminista na igualdade, justiça e na capacidade das mulheres para a liderança fora eficaz e que o ativismo feminino fora uma força progressiva.



*Vale a pena espreitar o site da Women's International League for Peace an Freedom e ficar a conhecer melhor este seu manifesto (e já agora o Tratado de Versailles): https://www.wilpf.org/versaillestreaty/
Profile Image for Bárbara Rodrigues.
180 reviews50 followers
March 29, 2022
Não tenho conhecimentos suficientes para avaliar o rigor da síntese ou apontar falhas nesse sentido, mas, para mim, o livro foi tudo o que prometeu que seria - uma forma de mostrar que a mulher sempre teve um papel importante no desenvolvimento do mundo e dar mais visibilidade a algumas das mulheres que se diferenciaram.
São muitos os livros escritores por mulheres referenciados. Só tenho pena de não ter feito uma lista com os livros.
24 reviews
November 18, 2025
İletişim yayınlarından çıkan Türkçe baskısını okudum. Maalesef çeviri iyi değildi. Kitapsa oldukça bilgilendirici ve yalnızca Avrupa değil en ücradaki kadın yaşamları ve hareketlerine dair kapsamlı bir kaynak.
856 reviews
August 26, 2021
Qual é o factor de união entre extremistas religiosos, comunistas e progressistas ateus e liberais empedernidos? Todos agem no sentido de implementar acções e ideias que tornem as mulheres inferiores. E são tão bem sucedidos que até algumas mulheres ajudaram e ainda ajudam.
Este volume, apesar do descuido da tradução, pois não parece que seja da autora (erros incríveis, como este da página 344: "Em finais do século XIX, a Alemanha acabara de conquistar a França (1870-1871), na Guerra Franco-Prussiana,") é muito estimulante. Por vezes há conclusões tiradas pela autora que me parecem duvidosas, mas, mesmo assim é a concretização de um ponto de vista historiográfico refrescante.
A premissa não é como encontrar mulheres agentes da história, o que para a historiografia do senso comum é falsa, pois elas não existem, pois a acção é considerada masculina por defeito, mas sim quais foram as formas que encontraram para o serem. E foram-no não só assumindo os papéis tidos como masculinos (e fizeram-no, para o bem e para o mal), mas também criando formas de subversão desses papéis.
O que é certo é que os dados empíricos demonstram que existe sim uma forma enviesada de olhar o mundo e de agir sobre ele. Tudo parte da consideração do masculino branco como universal. Não vale a pena fingir, o melhor é mudar.
111 reviews
August 5, 2023
Foram poucas, as importantes. Mas por motivos ancestrais que provêm do tempo em que a força física contava mais do que a força mental e a inteligência emocional em que (creio eu) as mulheres suplantam os homens.
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