Juza Unno é o pai da ficção científica japonesa. O autor influenciou toda uma geração, incluindo personalidades como Osamu Tezuka, um dos gênios dos mangás e criador do icônico Astro Boy.
Publicado em 1937, a novela de abertura dessa coletânea O banho de música das 18 horas é considerada a obra-prima antifascista de Unno. Ao lado dos clássicos Nós e Admirável mundo novo, é uma das primeiras distopias literárias do século XX.
Na estreia de Juza Unno no Brasil, A última transmissão traz sete narrativas extraordinárias que envolvem ciência, tecnologia, humor e grandes reviravoltas.
A começar pelo O banho de música das 18 horas, na qual um governo autoritário controla seus cidadãos através da Melodia Nacional n. 39, uma música capaz de tornar os cidadãos da nação Miruki mais eficientes e subordinados aos ideais de seu presidente.
Em O mundo após mil anos, um cientista desperta após mil anos em criogenia e observa o quanto o mundo mudou: órgãos artificiais, energia ilimitada, guerra interplanetária e muito mais.
No conto O homem quadrimensional, conhece-se a história de um homem que fica inexplicavelmente invisível e busca descobrir a causa desse estranho fenômeno.
Com A misteriosa fenda espacial, o leitor é transportado para dentro dos sonhos peculiares de um homem, que podem estar relacionados a um possível crime.
Essas são apenas algumas das histórias presentes nesse livro, que reúne algumas das melhores escritas por Juza Unno.
Unno Jūza or Unno Jūzō (海野 十三, December 26, 1897 - May 17, 1949) was the pen name of Sano Shōichi (佐野 昌一), the founding father of Japanese science fiction. He was born to a family of medical doctors in Tokushima city. In 1928 he opened his writer’s career with The case of the mysterious death in the electric bath (Denkifuro no kaishijiken).
During the Pacific War he wrote a great number of science-fiction novels, remaining in Tokyo throughout the air raids.[1] Japan’s defeat in World War II was for him a hard blow, and Unno spent the last years in his life in a deeply prostrated state.
Unno's scientific work was influenced by that of Nikola Tesla.
The captain, Okita Juzo of Space Battleship Yamato was named so as a tribute.
Me sinto decepcionado com o autor... Ele constrói um enredo fraco e meio superficial, os personagens carecem de personalidade e carisma. As ideias apresentadas, em usa maioria, são muito mal aproveitadas ou simplesmente parecem obra de reuso. Outro ponto é a forma como foi escrita que se assemelha mais a livros infanto-juvenis do que os ficção científica
Entretanto, a edição da editora andarilho não deixa a desejar: um belo acabamento, uma boa revisão e uma bela composição.
Indico o livro para quem quer ver um pouquinho de como a ficção científica começou no Japão.
4.5 O livro reúne 7 contos de ficção científica muito bem construídos, divertidos e variados. Temos histórias de homens invisíveis até intestinos com sentimentos. Foi uma ótima leitura, li super rápido e gostei muito da escrita do autor, adorei a criatividade.
Temos aqui uma coletânea bastante interessante ainda que um tanto desigual, temos pelo menos dois contos muito bons, um excepcional e os outros são digamos curiosos. Aparece aqui uma certa estranheza cultural e porque não dizer um certo anacronismo, ao mesmo tempo Juza aborda temas muito contemporâneos e tabus com uma naturalidade que dada a época, choca. É interessante pensar também o quanto sua escrita ainda que voltada a SciFi flerta com o horror e mesmo com o bizarro, com pitadas de um certo humor negro e cáustico. Aqui surpreendem O Banho de Música das 18 Horas, talvez umas das primeiras distopias escritas, A Última Transmissão e O Intestino Vivo.
É um livro que se lê rápido. Pequenas histórias em que o complicado foi feito simples pela imaginação do autor. Algumas destas histórias tem potencial para ir mais além e outras podem ser vistas em muitos filmes e séries de tv da atualidade.
A coletânea apresenta histórias de ficção científica com críticas sociais e filosóficas, mas sofre de irregularidade em sua execução, com contos que variam bastante em qualidade. Abaixo está uma avaliação geral baseada nos contos descritos: 1. O Banho de Música das 18 horas Uma premissa interessante que aborda temas como fascismo e controle social, mas sofre com uma narrativa confusa e mudanças bruscas de trama. A abordagem de gênero pode ser vista como problemática nos dias atuais, o que pode afastar leitores contemporâneos. 2. O Homem Quadrimensional Um dos pontos altos do livro. Apesar do início prolixo, a história envolve um conceito original de invisibilidade e um desfecho que se aproxima do horror cósmico. É criativo e instiga a curiosidade do leitor. 3. A Teoria da Colonização Planetária Este conto é prejudicado por diálogos mal trabalhados e um desenvolvimento narrativo apressado. O final, com um viés machista, adiciona um tom incômodo que diminui seu impacto geral. 4. A Última Transmissão Uma narrativa mais simples, mas eficaz, explorando a descrença da sociedade na ciência que não se alinha a interesses políticos. O final irônico e mórbido adiciona charme à história, tornando-a memorável. 5. O Intestino Vivo Uma ideia bizarra e exagerada que, ainda assim, diverte. Apesar de o protagonista ser detestável, o conto é curioso e criativo, misturando humor com grotesco. 6. O Mundo Após Mil Anos Uma visão hiperbólica do futuro humano que lembra "A Máquina do Tempo", de H.G. Wells. Embora exija uma certa suspensão de descrença, especialmente em questões como a continuidade da linguagem, o conto oferece um final irônico que diverte. Avaliação Geral A coletânea tem pontos altos, especialmente em contos como O Homem Quadrimensional e A Última Transmissão, que conseguem equilibrar conceitos criativos com boas narrativas. No entanto, a execução irregular, diálogos truncados e temas que soam datados ou problemáticos, como no caso de A Teoria da Colonização Planetária e O Banho de Música das 18 horas, prejudicam a experiência. Ainda assim, a ousadia das ideias e o tom frequentemente irônico conferem valor à obra. Nota sugerida: 3/5. É uma leitura válida para fãs de ficção científica dispostos a encarar suas falhas em troca de boas ideias.
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Esse livro me veio recomendado após expor minha ignorância sobre a ficção científica japonesa.
A coletânea da editora Andarilho contém sete contos e um prefácio que ajudam a melhor localizar a conjuntura histórica que motivou o autor a tentar inserir a ficção científica na literatura japonesa. Os contos em si se desequilibram entre caracterização dos personagens e desenvolvimento da trama, a própria formação das sentenças e sequitur dos parágrafos é estranha e não sei dizer se isso é resultado da tradução ou do estilo do autor.
O primeiro conto, O Banho de Música das 18 Horas, é o melhor. Apresenta uma precisa formação de um sistema autoritarista e o que o autor imaginou que poderia ser uma ditadura japonesa num futuro distópico. É surpreendentemente acurada a forma como os dispositivos de Estado e suas consequências são retratados.
O Intestino Vivo é o meu preferido por misturar ficção científica e terror - algo que se tornaria o carro-chefe da produção japonesa internacional entre os anos setenta e oitenta.
A Última transmissão é uma coletânea de contos do pai da ficção científica japonesa, Juza Unno. Um desses contos data de 1937 e é sempre interessante ver as ideias da época de como seria a tecnologia no futuro, temos tanto coisas que existem agora como "uma tela parecida com um espelho" quanto coisas que ainda estão completamente fora do nosso alcance. Todos os contos além da abordagem científica tem toques de humor, quebra da quarta parede e reviravoltas.
Entre os meus favoritos está o que nomeia o livro que é sobre uma transmissão nos últimos 10 minutos de existência de um planeta, além de te prender pela curiosidade também tem a tensão pela contagem regressiva feita por quem está transmitindo.
O meu favorito entre todos é O Banho de Música das 18 horas que é bem maior que os outros e na minha opinião poderia ter sido uma novela ou um romance completo. É sobre um governo autoritário que controla sua população por meio dessa música, e nós acompanhamos a história principalmente pelos cientistas envolvidos nos experimentos financiados pelo governo.
Geralmente na ficção científica temos obras que se focam mais nas ciências exatas que é onde temos todas as invenções tecnológicas descritas de uma forma convincente e muitas vezes baseada em ciência real e outras obras que se focam nas ciências sociais onde o experimento é a própria sociedade, formando assim as distopias.
Nesse conto temos a abordagem dessas duas vertentes misturadas, a tecnologia não é apenas um acessório para se fazer o experimento social ela realmente permeia todo o mundo da história e se conecta com a discussão sobre autoritarismo. Não sou um conhecedor profundo da ficção científica mas pra mim só esse conto já vale comprar o livro.
Sobre a edição da editora Andarilho vale ressaltar que é o primeiro livros deles e foi feito com bastante capricho, essa é uma das minhas capas favoritas entre meus livros e numa época que editoras apostam no seguro (leia-se aqui George Orwell em domínio público) começar direto com um autor nunca publicado no Brasil é louvável.
Minha única crítica é pelo livro ter sido traduzido do inglês e não diretamente do japonês, algo que nem deveria estar em questão em 2021, ainda mais com a tradição que já temos aqui de obras traduzidas diretamente como os da Editora Estação Liberdade. Porém consigo imaginar que essa tenha sido uma decisão orçamentária de uma editora que acabou de abrir.