Impedida de ir ao baile a Cinderela vestiu o fato de treino abriu uma boa garrafa de vinho e bebeu-a sozinha num copo de cristal
E se um dia acordássemos do outro lado do espelho? E se a maçã vermelha de Eva fosse a mesma que a Branca de Neve trincou? Será que a Rapunzel cortou o cabelo para evitar o contacto social? E o Lobo: porque é sempre ele o mau da fita? Estaria a profecia da Bela Adormecida certa? E a Cinderela: precisaria, ela de ir ao baile para ser feliz? De uma coisa devemos estar certos: o mundo pode ruir com um póquer de ases — mas voltará a erguer-se como um castelo de cartas.
A Capuchinho Vermelho encomendou a comida para a avó pela Uber Eats, mal sabia ela que o entregador era o Lobo Mau
Pedro Rodrigues nasceu a 1 de março de 1987, na Cova-Gala, Figueira da Foz. É autor do blogue Os Filhos do Mondego — criado em 2010 e que fez do autor um dos pioneiros do movimento da literatura da Internet em Portugal, e um dos escritores mais seguidos e partilhados do espaço digital. Em 2014, o seu texto Menu Amor recebeu uma menção honrosa no concurso Textos de Amor do Museu Nacional da Imprensa. Em 2017, foi distinguido como Escritor Revelação, na VI Gala da Figueira TV. Em 2019, lançou o romance Deve Ser Primavera Algures e, em 2020, o livro de contos Alice do Lado Errado do Espelho, ambos pela Cultura Editora. Hoje, vive junto ao mar e trabalha como freelancer nas áreas da tradução e da produção de conteúdos. Adora usar camisas com padrões excêntricos, calções e chinelos; é apaixonado por animais — em especial: cães, gatos, lontras e ornitorrincos. Estudou Engenharia Civil, mas nunca entendeu muito bem porquê.
"Alice do lado errado do espelho" transporta-nos para um universo de contos de fadas virados do avesso, como se pode ler na capa. Este é aquele livro que nos faz apaixonar pela capa e ter vontade de o trazer para casa logo por isso.
Pedro Rodrigues diz-nos no início do seu livro que o ponto comum de todos os contos de fadas que surgem no livro é o vírus que nos inunda desde Fevereiro ou Março deste ano e que nos fez repensar o significado da palavra "distância". Em contos de fadas desconstruídos, olhamos uma Cinderela, a Rapunzel ou uma Branca de Neve que poderiam ser qualquer das pessoas a enfrentar estes tempos de pandemia. Gosto de novos olhares sobre as histórias que conhecemos desde sempre e Pedro Rodrigues teve o dom de nos aproximar dos contos de fada ao transportá-los para os tempos difíceis do vírus que avança silencioso entre todos nós.
Gostei muito da escrita do autor e acho que conseguiu, de forma exímia, transformar as personagens principais dos contos de fadas em nossos vizinhos em tempos de distanciamento social. A escrita é fluída, os contos breves mas repletos de emoções e de sentimentos à flor da pele nascidos do meio da incerteza e do desconhecido. Este é um daqueles livros que se lê em pouco tempo mas que nos convida, entre o desencanto da desconstrução do mundo da fantasia, a refletir sobre a realidade que vivemos e sobre o efeito que a pandemia está a ter sobre nós. Individual e colectivamente. Um livro que gostei muito de ler e que incluí no projecto "Outono em português".
Este pequeno livro contém sete pequenos contos. Todos eles são inspirados em contos de fadas que conhecemos tão bem mas claro, contados de forma diferente e numa perspetiva adaptada aos dias de hoje. Assim vamos conhecer a Alice, a Bela, o Capuchinho Vermelho, a Cinderela, a Rapunzel, a Branca de Neve e a Bela Adormecida do século XXI. Comum a todos eles é o facto de a pandemia estar presente e ter o seu papel na história.
Este é o primeiro livro que leio do Pedro Rodrigues. Gostei bastante da escrita do autor. Foi uma leitura que gostei bastante e que se faz rapidamente mas fiquei com pena de ter acabado tão depressa.
Alice do Lado Errado do Espelho foi um livro muito interessante de ler, especialmente devido à sua perspetiva, já que segue personagens dos contos de fadas, mas inseridas nos dias de hoje, exatamente como se fossem pessoas com as quais nos deparamos no dia-a-dia, neste contexto de pandemia. Personagens corajosas que cortam relações tóxicas, que nem sempre tomam as decisões mais acertadas, que seguem os seus sonhos apesar de todas as adversidades, e que, como não podia faltar, cortam o cabelo (porque quem é que não cortou o cabelo durante a pandemia? haha). Personagens que lidam com o vírus direta ou indiretamente, personagens sólidas nas quais nas conseguimos rever, que podemos até ser nós ou quem conhecemos. As histórias são as da nossa infância, mas o contexto, os alertas, as referências são bem atuais! A escrita do autor, super direta e num tom conversacional, tornou a leitura bastante fluída, o que por sua vez, fez desta uma leitura muito rápida, mas bastante agradável. E todas as referências aos contos de fadas originais foram brilhantemente executadas, o que me fez - a mim, uma eterna apaixonada pela Disney, - delirar. O meu conto preferido foi o da Cinderela! Como se tudo isto não fosse suficiente, esta capa é lindíssima, e o livro tem ainda mais ilustrações por dentro que completam maravilhosamente as histórias.
4,5!!! Gostei bastante, livro muito original e com uma escrita bastante fluída que consegue captar o interesse do leitor. As histórias são muito engraçadas , bem construídas e louvo o autor pela originalidade do pequeno livro, principalmente a ligação ao tempo actual em que vivemos :) Muito giro mesmo ☺️☺️
Um belo livro para ler numa tarde de confinamento. Os clássicos contos de fadas serviram de inspiração para criar pequenos contos modernos e pandémicos.
Reconheço que fui ao engano. A capa maravilhosa revela que estes são os contos infantis clássicos repensados à luz da Era moderna, uma premissa interessante. O que não está tão claro — e só descobri tarde demais — é que todos os contos orbitam em torno da atual pandemia.
Os contos são rasos e a incorporação da pandemia em muitos deles parece forçada. Não achei particularmente pertinente e a maior parte das histórias não tem uma linha condutora com nexo ou profundidade. Tenta ser poética mas fica apenas desordenada.
Uma leitura interessante, mas um pouco confusa. Gostei da premissa, e do facto de todas as histórias se passarem em tempos de COVID, mas fiquei bastante confusa com algumas histórias. Se calhar sou eu que não tenho imaginação suficiente, mas faltou-me compreender a "moral da história" em mais que uma ocasião
Este ano li o outro livro do autor - Deve Ser Primavera Algures opinião aqui - e como gostei tanto, fiquei muito empolgada quando vi que o Pedro Rodrigues ia lançar mais um novo livro.
Primeiro tenho que falar na capa lindíssima e, garanto-vos, que ao vivo é ainda mais linda! E no cuidado da edição, de capa dura e com pequenas ilustrações que vão complementando o texto. Em segundo lugar, a surpresa, boa, que foi receber um exemplar autografado pelo Pedro. Não estava mesmo nada à espera e trouxe ainda mais valor ao livro.
O livro é composto por sete pequenas histórias inspiradas nos contos de fadas clássicos mas adaptados aos dias de hoje, com pandemia e tudo, e onde encontramos a Alice, Bela, Capuchinho Vermelho, Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve e Bela Adormecida, Com uma escrita acessível e muito directa, é uma delícia ler estes pequenos contos, com estes twists mais actuais e onde o Pedro Rodrigues nos passa mensagens subtis mas importantes sobre a sociedade actual. Um pequeno livro que se lê num ápice mas que nos proporciona uma grande leitura, que peca apenas por ser tão pequenino.
Quando recebi o livro pensei "que capa linda, mas que livro tão pequeno". Depois entendi. Realmente a capa é maravilhosa e o livro é pequeno. Mas não teria lógica ser de outra forma! A medida certa... tal qual como cada personagem tem a medida certa da sua contribuição nele. Perfeito! Actual! Uma leitura gourmet (pequena mas óptima e saciante!)
Vim para esta leitura com outras expectativas, esperava uma história adaptada destes contos de finais felizes para o nosso tempo. Mas acabei por encontrar pequenos textos, relacionados com a COVID e que, na grande maioria, gostava que estivessem mais desenvolvidos. Gostei do toque de humor e cinco estrelas para a capa e ilustrações!
Posso dizer que eu tenho um problema com contos... tenho dificuldade em estabelecer vínculos com as personagens com poucas páginas. Certo que, existem contos que me maravilharam como a Aia do Eça de Queirós mas, é um género que raramente que me conquista. Assim, falemos deste Alice. Adorei a perspectiva do escritor de como ele incorporou a nossa sociedade, os nossos problemas e a pandemia nestes recontos. Todavia, faltou-me substância e algo com que me agarrasse. Acabei o livro com uma sensação de vazio...
Adorei estes contos tão tradicionais contados de uma outra forma e num ângulo atual. Com a Covid-19 como pano de fundo, vimos como isso afeta a vida de algumas das nossas personagens favoritas, como a Alice, a Branca de Neve ou a Cinderela. Tudo com um pitada de humor muito característico e sarcasmo. Adorei o Lobo Mau, ri-me do principio ao fim com ele 😂😂
Um pequeno livro, que, com tantas subjacentes, se torna num grande livro! O Pedro Rodrigues está de parabéns, em primeiro lugar, pela originalidade, e em segundo lugar, pela escrita cuidada. Ah, e a parte gráfica também está fantástica! Trata-se de um livro que aborda os contos de fadas numa perspetiva diferente daquilo a que estamos habituados, sendo o cenário a pandemia da COVID-19. O resultado são histórias com humor, mas com muitas mensagens importantes pelo meio!
"A Capuchinho Vermelho encomendou a comida para a avó pela Uber Eats. Mal sabia ela que o entregador era o Lobo Mau."
"Impedida de ir ao baile, a Cinderela vestiu o fato de treino, abriu uma boa garrafa de vinho, e bebeu-a sozinha num copo de cristal."
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Pedro Rodrigues traz-nos uma maneira divertida de olharmos para a pandemia que nos trancou em casa, e mudou a sociedade como a conhecemos. Ler este livro 5 anos depois do confinamento permite olhar com outros olhos.
P.S.: Não deixem as vossas crianças lerem este livro. Não são contos infantis...
Livros de contos são sempre ideias para sair um pouco da nossa zona de conforto.
Pedro Rodrigues apresenta-nos 7 contos inspirados nos contos de fadas convencionais, contudo estes contos passam-se nos tempos pandémicos da atualidade. Embora a linha do tempo seja comum aos contos, mais nada liga estas personagens (talvez possa ser uma espécie de introdução a algo mais).
Devido ao formato apresentado este livro torna-se bastante acessível e fácil de se ler. A escrita do autor é bastante fluida e até achei bastante humorística.
Apesar de pequeno o livro poderá transportar-nos para excelentes reflexões!
"Pedro Rodrigues reescreve nesta colectânea seis contos-de-fadas, não apenas adaptando-os a uma realidade moderna, como também dando-lhes como contexto de fundo a vivência portuguesa ao Covid-19: o bicho. Trata-se de um elemento que em vez de “prender” a obra ao momento actual, a tornará numa leitura também de interesse no futuro, dada a naturalidade com que é feito, bem como as diversas facetas demonstradas. (...)"
O que me encantou primeiramente foi a capa e o tamanho do livro, muito pequeno e muito fofo. Já sabia que ia ser uma leitura curta, mas estava na expectativa de ter mais conteúdo.
Gostei bastante dos sete contos e da adaptação à realidade quer do século XXI quer a da realidade pandémica.
Gostei também da forma como o autor incorporou diversas personagens e adaptou-as a diferentes contextos, transformando-as em pessoas que vemos ou ouvimos falar todos os dias na atual realidade pandémica.
Ainda assim, sinto que os contos foram demasiado curtos e havia espaço para desenvolver melhor a história.
Este "Alice do lado errado do espelho" é uma experiência, desafiante e provocadora, de reflexão interna. Um conjunto de contos de fadas da "vida real", onde as personagens se salvam a si mesmas, de si mesmas. Talvez sejam estas a histórias encantadas que precisamos para aprender que a idealização deturpa a nossa visão do mundo. A escrita do Pedro Rodrigues é inteligentemente provocadora.
4,5 estrelas Adorei a escrita do autor. É um livro super leve e engraçado que junta o útil ao agradável, ou seja, contos conhecidos com uma perspetiva da nossa realidade atual. Acho que foi muito bem conseguido .
Gostei muito da ideia de adaptar os contos à nossa modernidade em tempos de pandemia. Infelizmente, os contos são demasiado curtos para os conseguir aproveitar. De qualquer forma, é uma leitura divertida e recomendo a obra.