Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria romance de estreia em 2018 com O peso do pássaro morto, Aline Bei, neste conto que se mantém do início ao fim equilibrando de forma tensa o prosaico e o poético, toca em um dos pontos centrais da vida contemporânea: a solidão. Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas Breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.
Aline Bei nasceu em São Paulo, em 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia-Helena. É editora e colunista do site cultural OitavaArte. O peso do pássaro morto é o seu primeiro livro.
então ela abriu a porta do quartinho, caminhou até a janela da sala. recebeu o vento da noite de olhos fechados, respirou fundo, quando menina ela treinava beijo em tudo quanto é vento que lhe batia o rosto.
“Rua sem Saída” é a mais recente história de Aline Bei que li quase na beira da cadeira, com a sensação de desgraça iminente. São dois enredos paralelos, o de Diablo, o cão mais feio de uma ninhada de rafeiros, e o de Lucrécia, mulher-a-dias cujo sonho é retomar os estudos para ser professora.
seu pertence mais valioso, no entanto, ela guardava debaixo do travesseiro era um mini Aurélio cheio de palavras que a Lucrécia nunca viu. foi a única coisa que ela pegou lá na estante da dona Mara e não se arrependia, não era mulher de se arrepender. toda manhã ela abria o livro ao acaso e lia o significado de uma palavra qualquer, por exemplo: Inebriante. por exemplo: Perscrutar. considerava isso uma espécie horóscopo.
A miséria e a violência mais torpes elevadas pelo toque poético que me agrada bastante nesta autora.
é assim mesmo, Dona Fazenda. as pessoas têm filhos pensando que eles irão cuidar dos pais na velhice (risos na plateia) mas as pessoas não pensam que seus filhos podem ser um peso eterno, que a situação pode nunca se inverter, a vida está longe de ser justa, por acaso a senhora não lê jornal? pois no jornal tá assim ó de histórias de Mães que a vida inteira dão de mamar para os seus velhos filhos, o meu ponto? algumas pessoas simplesmente não tem caráter, e isso é tudo. Deus quando não é bondoso, ele é um palhaço com ataque de riso.
Aline Bei transforma em poema a realidade mais comezinha, interpela os nossos sentidos com a exposição crua do ser humano, apela a um novo olhar sobre a solidão e os seus demónios. Encantei-me!
Aline Bei novíssima escritora brasileira foi-me apresentada pela booktuber Mell Ferraz do canal Literature-se. Uma escrita diferente meia de prosa meia de poesia para mostrar a mesma realidade de miséria e tristeza. Um conto pequeno que se lê com angústia . A tristeza de muitas vidas.
até a metade, eu tava gostando do conto aí me deparei com racismo anti-indigena e mudei de opinião. gostaria de saber o que a autora quis dizer com "cabelo de índia" — embora já o saiba: cabelo liso, escuro, denso. o esteriótipo, o "índio". mas será que a autora, tendo duas graduações, sendo uma mulher letrada e com tanto acesso a informação, sabe que isso é um esteriótipo? que não existe "cabelo de índia"? que, pra começo de conversa, "índia" é um mito folclórico, um esteriótipo, um erro de português e o correto é indígena? e que indígenas, além de todos os tons de pele, tambem tem todos os tipos de cabelo? eu, por exemplo, tenho a pele marrom e o cabelo cacheado... o que exatamente seria "cabelo de índia", Aline Bei?
é a nossa primeira prisão, o nome, quer dizer pensando bem é a segunda, primeiro vem o corpo logo de cara dois avisos que o mundo nos dá sobre a Liberdade, perceba, ela não é possível, nada em totalidade é possível o que alcançamos são fagulhas das coisas que nomeamos
o final do conto construiu um condomínio na minha cabeça
Mais uma vez Aline Bei me destruiu com esse conto! Em poucas páginas ela me fez ficar emocionada com a história de Lucrécia, ter ódio de dona Tânia e Tomada, querer adotar Diablo e cuidar dele. Conto muito bem construído, mas longe de ser leve, a autora toca em feridas bem expostas da nossa sociedade, que quase sempre se busca esconder. Ainda estou pensando no que pode ter acontecido depois das últimas páginas.
Uma resenha aqui na plataforma chama atenção pro fato da autora usar a expressão “cabelo de india” para descrever Lucrécia, que no momento da leitura não me atentei mas de fato é uma expressão muito estereotipada. É citada em uma passagem bem rapidamente, mas fica o aviso e espero que a autora não caia novamente no mesmo erro.
Mais um trabalho INCRÍVEL da Aline Não vou dizer que me surpreendeu porque desde "O Peso do Pássaro Morto" eu não espero menos que perfeição dessa mulher. O conto é super melancólico, uma das principais características da Aline, e bem rápido de ler. Eu amei o Diablo, assim como amei o Vento.
[SPOILER]
Eu acho incrível como ela consegue humanizar os animais. Fiquei com vontade de pegar o Diablo, levar para casa e dar todo o amor do mundo.
Foi meu primeiro contato com a escrita da Aline Bei. Achei bem interessante o jeito um tanto quanto desconstruído/poético que ela escreve. Mas no meu caso, a leitura gerou um pouco de incômodo, por conta dos acontecimentos que ocorreram.
Ooook wow! I had been skeptical about Aline Bei’s work cause I’m not into poetry/lyrical writing, but this was different than I expected. I absolutely loved the writing and symbolism. A deeply disturbing and wonderfully written story.
Esse livro é beeem curtinho, e profundo, mas desagradável de ler. O ser humano é cruel. Deu nojo, me deixou chocada em algumas frases. Pobre de quem tenta melhorar sua situação, pobre Diablo. Final em aberto... mil pensamentos ao mesmo tempo.
Livro menos gostado da Aline Bei, infelizmente. ainda sim, não será o suficiente para eu não querer acompanha-la, sua escrita é maravilhosa e me apeguei muito à ela!
Condizente com o nome do conto, o sentimento mais trabalhado aqui é a angústia e impotência perante a crueldade do outro. Existe beleza na história, mas não esperança, e o entendimento que às vezes a crueldade é um capricho sem consequências. O momento que os personagens se encontram é bem simbólico aqui. Nos reconhecemos a partir do outro e assim nos libertamos.