Se é inegável que entende melhor o presente quem conhece o passado, é fundamental conhecer o integralismo para compreender a essência do bolsonarismo. Sim, o Brasil teve um movimento fascista e anticomunista na sua história na mesma época de Mussolini e Hitler. Fundado pelo deputado e jornalista Plínio Salgado, a Ação Integralista Brasileira foi o maior movimento fascista fora da Europa entre os anos 1920 e 1940 – e também o maior movimento de extrema-direita no país até o surgimento de Jair Bolsonaro. Era uma organização nacionalista, autoritária e tradicionalista. Chegou a ter um milhão de adeptos que eram conhecidos como os "encamisados" ou "camisas- verdes" por se vestirem de verde – como se vestiam de preto os discípulos de il duce na Itália e de cáqui a legião de seguidores do führer na Alemanha. Inspirado pelos líderes europeus, Plínio era anticomunista e defendia as ideias do fascismo, entre elas a defesa de uma identidade nacional e a crença de que a salvação da pátria exigia tanto a obediência a um "salvador da pátria" como a destruição dos inimigos internos. Como instrumentos, pregava a violência e o militarismo ao mesmo tempo em que tinha como valores fundamentais a família e a religião. Apesar de ter durado poucos anos, a Ação Integralista Brasileira contou com expoentes como o jurista Miguel Reale, o antropólogo Câmara Cascudo, o arcebispo Dom Hélder Câmara, o escritor José Lins do Rego e, testemunhas dizem, até o músico e poeta Vinícius de Moraes. Em Fascismo à brasileira, Pedro Doria conta esse momento pouco estudado da história brasileira com uma riqueza de detalhes que permitirá ao leitor não só conhecer o integralismo como fazer, ele próprio, as conexões entre passado e presente.
Nascido em 1974, é colunista dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, além da rádio CBN.
É autor de sete livros. Manual para a Internet (Revan, 1995) foi o primeiro publicado no Brasil sobre a rede.
O livro mais recente é 'Tenentes, A Guerra Civil Brasileira, uma história do movimento revolucionário dos anos 1920 nascido dentro do Exército brasileiro. Saiu pela Editora Record. É um período central da história brasileira, embora passe batido naquelas aulas do colégio. O movimento precipitou o fim da República Velha e implementou a ideologia que terminaria, várias décadas depois, na Ditadura inaugurada em 1964.
Sua coluna sobre vida digital já passou pelos três principais jornais do país. Começou na Folha, em 2004, e hoje sai às sextas-feiras tanto no Globo quanto no Estadão. Por ela, venceu em 2015 o Prêmio Comunique-se: melhor jornalista de tecnologia brasileiro e o Prêmio Especialistas, na mesma categoria. Pedro viveu dois períodos no Vale do Silício: entre 1989 e 1990 e, posteriormente, entre 2008 e 2009. Foi Knight Latin American Fellow na Universidade de Stanford (Califórnia) e Peter Jennings Fellow no National Constitution Center (Filadélfia).
Em 2012, liderou no Globo a equipe que venceu o Prêmio ESSO de Melhor Contribuição à Imprensa.
Seus livros mais recentes centram em história. 1565, Enquanto o Brasil Nascia (Nova Fronteira, 2012) trata do período em que o sudeste brasileiro se formou, centrado no Rio e em São Paulo. 1789 (Nova Fronteira, 2014) relata detalhadamente a Inconfidência Mineira.
Eu gosto de uma coisa errada (Ediouro, 2006) reúne uma série de reportagens escritas para o NoMínimo e a Folha com temas que transitam pelo encontro entre nudez, sexo e vida digital. Faz parte da coleção o primeiro perfil de Bruna Surfistinha, a jovem garota de programa cuja vida virou filme.
Iniciou a carreira como colunista da revista Macworld Brasil, em 1994. Trabalhou na TV Globo, em O Dia, nos sites NO. e NoMínimo e no Estado de S. Paulo, onde chegou a editor-chefe de Conteúdos Digitais. No Globo, foi também editor-executivo.
Entre 2002 e 2009 escreveu um premiado blog sobre política internacional. Inter é a outra área à qual se dedicou como editor em NO. e NoMínimo e, posteriormente, como editor-assistente no caderno Aliás, do Estadão.
Recebeu o Prêmio Caixa de Reportagem Social, o Bobs, da rede alemã Deutsche Welle, e o Best Blogs Brazil na categoria política.
Pedro é casado com a jornalista Marina Gomara. Tem três filhos. A carioca Laura, o paulistano Tomás e o carioca Felipe.
Se o livro entregasse a promessa de fazer uma análise comparativa entre o Integralismo e o Bolsonarismo, teria sido mais interessante. Antes se dissesse uma profunda análise e revisão dos fatos da década de 30. Digo isso porque só reserva o final do capítulo para uma análise rasa dos dias atuais, deixando o leitor desapontado. Mas conta muito bem a história do “fascismo brasileiro”, com foco em Plinio Salgado (talvez devesse rever o título e dizer que é um livro sobre Plinio Salgado).
O livro de Pedro Doria sobre o fascismo à brasileira é um excelente resgate da história do fascismo no Brasil, que, confesso, não conhecia bem para além do apelido das "galinhas verdes". Mais uma vez tendemos a tentar esconder/ignorar os momentos menos favoráveis da nossa história. Como a história tem uma tendência de se repetir, é bom conhecer as origens do movimento fascista tanto na Europa, com Mussolini, quanto no Brasil, com o movimento integralista e a sua integração com o Estado e ainda os motivos da sua derrocada. É boa ainda a comparação com o fascismo integralista com o bolsonarismo, que tem muitas aproximações e algumas diferenças, a exemplo da relação entre o movimento tenentista e a turma da lava-jato, em que ambos foram parcialmente capturados. Confesso que senti falta de uma análise mais detida do bolsonarismo, a exemplo das suas raízes conservadoras do Olavo de Carvalho, mas também é preciso admitir que esse novo movimento é consideravelmente caótico para identificar quais as suas bases teóricas.
Interessante como minha memória é péssima e não lembro de em nenhum momento ter aprendido sobre a AIB (Ação Integralista Brasileira) no colégio!
Bastantes detalhes, até demais eu diria. Livro válido pelo último capítulo (meio que um wrap up do contexto global).
Frase marcante: "Há um desejo expresso da população por um líder que acabe com a bagunça, que imponha ordem. Há sede de autoridade, que, no Brasil, sistematicamente se faz confundir com autoritarismo."
No DNA político do povo brasileiro existe um componente que o torna bastante suscetível a discursos conservadores e nacionalistas. Essa ideia de que a sociedade está se tornando moralmente decadente, de que no passado as coisas eram melhores, de que muita liberdade resulta em libertinagem, de que a classe governante é intrinsicamente corrupta e de que a solução para estes problemas passa, necessariamente, pela defesa da família e da pátria amada. É cultural. E é por isso que, mais de uma vez na história do país, uma parte significativa da população foi seduzida por discursos fascistas.
A década de 30 foi um destes momentos, com o surgimento do Movimento Integralista, o simulacro tupiniquim do fascismo europeu. A história de como esse movimento surgiu, baseado em sentimentos nacionalistas e no medo do avanço do comunismo, de como cativou a classe média politicamente enfraquecida, cooptou militares descontentes e tentou chegar ao poder através de um golpe, é contada em detalhes por Pedro Doria em seu "FASCISMO À BRASILEIRA". O livro relata também como foi a derrocada deste movimento, não deixando de fazer uma excelente analogia entre seu fundador, Plínio Salgado, e Jair Bolsonaro.
Se encontramos paralelos daquela época com o momento atual, esperamos que, como o integralismo, o fascismo bolsonarista em breve também seja apenas parte da história.
O livro ganha muito em fôlego do capítulo 3 - “4 de outubro” à frente. Não que os dois primeiros capítulos não sejam bons. Eles são o assoalho que dá sustenção ao todo que é a construção dessa obra.
Todavia, que livro vira este a partir do capítulo 3! “Facismo à Brasileira” é um thriller histórico. O desenrolar da trama é contado de maneira sedutora e envolvente. Vai ganhando força. Consegue prender.
Na conclusão, que tem ares de ensaio, busca-se rimar o passado com o presente. É competente e funciona. Desconsiderem uma das críticas que tem aqui no Goodreads. O paralelo entre o Bolsonarismo e Fascismo - enquanto identidade grupal - existe.
“Além da atração por armas de fogo, do encantamento com o militar e do flerte com a violência física, também existiam a preocupação em usar o Estado para dar forma a uma cultura nacionalista e o sistema educacional como máquina de uniformização do pensamento”
CAPITULO I - A CIDADE ETERNA
Trata do encontro entre Mussolini e Plínio Salgado, e como a “sedução” do Mussolini e sua Roma ganharam mais um seguidor fascista (mais detalhe no cap. III).
Traz também uma breve explicação do interesse de Mussolini ceder o território do Vaticano para a Igreja Católica, mesmo sendo um ateu:
“O que aquilo deu a Mussolini foi liberdade. O resto de Roma era sua para que a reinventasse. E era esse o espírito da exuberância fascista, que Plínio Salgado e seus amigos sentiram no ar. Estava nascendo a Terceira Roma”
O que me faz questionar: A igreja católica, mesmo que indiretamente, contribuiu para a ascensão do fascismo? Os regimes antidemocráticos são campos férteis para as religiões?
CAPITULO II - O OVO DAA SERPENTE
Caso o leitor não tenha interesse na época pré-fascismo na Itália (o caminho para tal) não é necessário ler este capítulo.
Eu fiquei na dúvida se as características seguintes se diz a respeito do Mussolini pai ou do Mussolini filho, o livro não deixa bem claro isso, mais de qualquer forma são dados importantes, e em minha opinião são características do pai:
De esquerda, dedicará a vida as causas socialistas;
Socialista herético
Antidogmatismo - ele próprio construíra sua filosofia pessoal
Vereador de um mandato
Leitor voraz
Anticlerical - não batizou o filho
“O Partido Socialista Italiano não deve permitir que uma visão literal de socialismo destrua o espírito do socialismo”
O Mussolini - filho - foi expulso do PSI por ser contra a guerra que estava se formando na Itália aquele momento (contra Áustria). Mesmo sendo expulso, em seu discurso de despedida afirmou jamais abandonar o socialismo
Com base socialista e de esquerda, o fascismo de Mussolini traz que os interesses de proletários e Capitalistas devem estar submetidos aos interesses da nação.
CAPITULO III - 04 DE OUTUBRO
Faz a conexão da copa do mundo com o sentimento de nacionalismo
Ex.: Estádio do Palerma
“No Brasil não foram os sindicatos que abraçaram o fascismo, mas sim seus patrões”
Neste capítulo conta a trajetória do Plínio Salgado desde a infância e as influências que o levaram ao sistema fascista
“Karl Marx - o liberalismo não seria capaz de entregar sua promessa de liberdade e igualdade dentro do sistema capitalista que impunha a exploração do homem pelo homem. Um sistema que tornara a sociedade perversa”
O autor dá muita volta, fala fala fala e não chega a lugar nenhum. Mesmo com a escrita de fácil acesso não é cativante quanto parecia na introdução.
Mais da metade desse capítulo é discutindo a poesia de Oswald de Andrade
CAPITULO IV - A FORMAÇÃO DE UM LÍDER FASCISTA
Esse capítulo mostra os passos e dificuldades que Plínio Salgado passou até a fundação e consolidação da Ação Integralista Brasileira - AIB - o partido fascista (com uniforme e rituais próprio), com mais de um milhão de seguidores em menos de 03 anos de existência
“Em comum tinha o fato de serem todos muito católicos, intelectualizados e simpáticos ao fascismo”
Esse trecho acima, descreve as pessoas do CAJU (Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais), um grupo de acadêmicos que iriam fazer amizade e simpatizar com Plínio Salgado e suas ideias. O que me chamou atenção a esse trecho, que mais uma vez, faz referência ou liga de alguma forma religião e fascismo.
Então fica martelando na minha cabeça se, talvez, pelos dogmas cultivados pelas igrejas (instituição) os seus membros/seguidores tem mais pré-disposição em aceitar governos/governantes fascistas (ditadores). Um exemplo atual, é a posição dos Evangélicos em relação a figura do Bolsonaro (praticamente uma divindade para eles).
Pode-se atribuir uma parcela de culpa as igrejas (mais uma vez, estou me referindo as instituições) pela presença e manutenção de governos fascistas/ditatoriais?
Em relação a rituais de partidos fascistas, praticamente uma religião (olha a palavra aí de novo) como por exemplo a saudação nazista, a AIB também tinha seus próprios rituais e sinais:
“Tendo o sol nascido, o líder local do movimento fazia um discurso, e então, guardando silêncio, todos levantavam seus braços na saudação romana”
CAPITULO V - UM INTEGRALISTA NÃO CORRE, VOA
Nesse capitulo traz importância da popularidade de líderes fascistas, melhor dizendo, a importância da popularidade para qualquer líder político
No livro “Como as Democracias Morrem - já fiz resenha também - também trata de como a manipulação da opinião popular dá espaço para autocratas ascenderem no poder
“Ele narrou com verve os passos de Mussolini, que primeiro foi conquistando o espaço público, passando por cima de comunistas, socialistas ou anarquistas, incendiando sindicatos, e assim ganhou popularidade a ponto de se eleger e se impor no governo”
Trago uma crítica ao seguinte trecho:
“Tampouco foi, para os homens e mulheres da Frente Única Antifascista, um problema. Estavam habituados à margem da lei”
Apesar do autor falar que “habituados à margem da lei” é por conta de sindicatos que vivem em guerras legais, o tom pode suar pejorativo a alguns leitores , corroborando para a narrativa da (extrema) direita, que perpetua até os tempos atuais, de que a esquerda é composta por “cidadãos de mal”.
O trecho abaixo, fiz questão de destaca-lo para os que ainda possui dúvida sobre o Bolsonaro ser um fascista:
“Ele tomou seu lugar à mesa, decorada com bandeiras de todos os estados que haviam mandado delegações e na qual se destacavam as palavras de ordem - DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA”
Outra reflexão que o livro me levou foi porque pessoas instruídas, de classe média tendem a direita e não esquerda. Esse fenômeno podemos observar com a ascensão do Bolsonaro no poder.
A conclusão que cheguei é que as lutas da esquerda são lutas pelo direito social, pelo proletariado e os instruídos e ocupantes da classe média (apesar de não serem capitalista, no sentido de deter capital) sentem que estão um patamar acima da prole e não querem que liguem a eles. Então, é mais fácil ignorar que não são capitalistas, os sinais de abuso e fingir que integram a elite.
“O juramento de fidelidade ao Chefe Nacional, agora um título oficial, se tornou parte básica da cerimônia de aceitação de qualquer integralista”
Essa ideia de líder supremo, antes tinha uma cerimônia completa, hoje, parece só um ato de pessoas lobotomizada (mito! mito! mito!), talvez não haja cerimônia completa, por falta de competência do governo Bolsonaro ou uma tentativa de mascarar que é sim um governo fascista.
Também, não é de agora, que o partido fascista tem ligações com milícia (quem matou Marielle Franco?) características de nepotismo e favoritismo
“A AIB foi então organizada em seis Departamento Nacionais: Organização Política, Doutrina, Propaganda, Cultura Artística, Milícia e Finanças - cujos líderes também seriam de indicação pessoal”
A minha crítica em relação ao nepotismo e favoritismo não fico unicamente com os partidos antidemocráticos, fica com toda a política e politicagem que acontece não só no serviço público, mas muito descaradamente no serviço público.
Todas as discussões apresentadas nesse capítulo pode ser sintetizada no seguinte trecho:
“A caminho de completar cinco anos, a AIB havia se tornado uma máquina midiática. Era profundamente moderna - embora, entre os dois polos radicais, a ela fosse garantida uma liberdade de ação dentro da legalidade que a extrema esquerda nunca teve”
CAPITULO VI - A ÚLTIMA MARCHA
Neste capítulo acompanhamos o desenrolar da convivência entre Getúlio Vargas e AIB, que culminou no Golpe do Getúlio e a Constituição Polaca.
Dica de filme: Olga com Camila Morgado e Caco Ciocler.
Plínio Salgado, para financiar a campanha presidencial fez empréstimos com os Nazistas (intenção de implantar o fascismo nas terras tupiniquins). E empresários sob o medo do comunismo (até hoje, né?!) também financiou a campanha do Plínio.
Outro detalhe que faz referência a política do Bolsonaro: é a desconfiança sobre o sistema eleitoral e implantação de Fake News:
“(…) queria que pusesse no papel um plano hipotético sobre como os comunistas poderiam tomar o poder no Brasil. - Era para nós mimeografarmos e distribuirmos nos meios de capitalistas para ver se eles nos davam algum dinheiro - se lembrou já velho o chefe: esse era o objetivo”
O plano hipotético ficou conhecido como Plano Cohen, anos depois o próprio Plínio Salgado repudiou o plano:
“O plano Cohen é a maior bandalheira, a maior vergonha que se pode imaginar. Aquilo é uma coisa estúpida, nojenta”
Esse capitulo me fez questionar: O golpe do Getúlio, apesar de ter se tornado um ditador, “salvou” o Brasil do Fascismo? O que teria acontecido se o Getúlio não tivesse dado o golpe, ter ocorrido as eleições e ter a AIB ascendido ao poder?
CAPITULO VII - DEPOIS
Esse capítulo analisa como ficou as principais figuras da AIB no decorrer dos anos com o enfraquecimento do poder. Trouxe de uma figura, como bacharel em direito, chama muito minha atenção:
“Miguel de Reale:
Tomou parte discreta da conspiração que levou ao golpe de 1964, e serviu de conselheiro a alguns dos presidentes militares”
E nesse capítulo, mais um vez, cruzei com essa mistura (nojenta) de política e religião, fascismo e religião. Será produtos da mesma moeda?
“(…) quando houve a Marcha da Família com Deus pela liberdade, nas semanas anteriores ao golpe de 1964, Plínio esteve entre os oradores. Passou o resto da vida negando que a Ação Integralista Brasileira fosse fascista. Afirmava ter sido um movimento nacionalista católico”
CAPITULO VIII - PLÍNIO E BOLSONARO
“(…) o fascismo encontrou ao menos até o Estado Novo, um espaço de tolerância no governo de Getúlio Vargas. Os comunistas não tiveram algo assim”
Neste capítulo o autor traça paralelo entre a sociedade brasileira da década de 30 com atual sociedade e trás diferentes vertentes sobre o conceito de fascismo, como isso ele deixa para o leitor a reposta para pergunta: Bolsonaro é fascista?
A minha posição quanto a essa pergunta é: Bolsonaro é AUTORITÁRIO, se espelha nas figuras autoritárias fascistas, mas sua execução política é falha, e sua incompetência é a sorte do Brasil!
“(…) e o anticomunismo ainda é presente no discurso do Exército Brasileiro. Um anticomunismo que foi plantado de uma nova ordem radicalmente distinta”
“O Partido dos Trabalhadores (PT) não é uma legenda de extrema-esquerda. Não é comunista ou revolucionário, tampouco é a força mais à esquerda dos grupos políticos representados no Congresso Nacional”
Se você acha que o Brasil vive na década de 2020 um caos político, precisa conhecer os anos de 1925 a 1935, mais ou menos. Este livro é uma ótima porta de entrada para um tempo de verdadeiro vale-tudo político; uma época de gente derrubando gente a tiros (ou bombas) em prol do que acreditava ser o melhor caminho sociopolítico para o Brasil. A mesma inquietação aguda que percorria o mundo após a Primeira Grande Guerra chegou a nós, e o Integralismo foi um dos maiores surtos psicóticos dessa fase desgraçada.
Mas não foi pequeno, nem insignificante: chegou a ter 1 milhão de filiados, construiu escolas, creches e promoveu socialização em inúmeros eventos. Teve um papel destacado na vida de muita gente, especialmente em cidades do interior. Era possível viver todas as facetas de uma vida sem sair do Integralismo. O movimento precisava, ao menos, ter sua história bem contada. Não apenas como uma piada derivada da crônica de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, que ironizou o assustador episódio da Batalha da Praça da Sé e que colocou os Integralistas no mapa, talvez da pior forma possível: fuzilados.
Este é o livro que veio contar bem a história. E entrelaçá-la a muitas outras: as ideologias que chegaram com os imigrantes na década de 1920. O bolchevismo. O golpe de 1930 que instaurou Getúlio Vargas como ditador. A Revolução Constitucionalista. Figuras ímpares, hoje sabidas mais como nomes na entrada de edifícios públicos. Armando de Sales Oliveira: fundador e primeiro reitor da USP. Miguel Reale: jurista que lançou uma dinastia advocatícia, e organizador intelectual do que seria um Estado fascista brasileiro. E Gustavo Barroso: membro da comitiva brasileira no Tratado de Versalhes, presidente da ABL, fundador do Museu Histórico Nacional, e difusor das ideias do nazismo. Além, é claro, de Plínio Salgado, epicentro corporal dessa história.
A história vai ficando vertiginosa à medida em a Ação Integralista Brasileira perde espaço para costurar alianças e decide radicalizar suas ações. No limite, por pouco não assassinou Getúlio Vargas. Pedro Dória consegue imprimir ao quadro histórico vívido uma camada de clareza nas complexas relações institucionais e políticas que mudam constantemente e levaram à extinção do movimento. Um dos livros novos mais significativos para refletir sobre como a política brasileira chegou aonde chegou. Só não dou nota máxima porque a correlação com o bolsonarismo, vendida pela capa, é uma nota de conclusão; desnecessária pelas similaridades que o quadro da época já traz à mente do leitor, e superficial porque não se estende muito em nenhuma análise. Não compre o livro por isso; compre para entender a ascensão do fascismo na Itália, vislumbrar que o carioca podia entrar num cassino sem sair da cidade, e aprender quem foi Filinto Müller. Notas de um colorido contrapondo-se ao verde massificador dos uniformes da AIB.
Minha geração se ressentiu enormemente da ausência de uma real história do Brasil, e não da versão censurada/fantasiada imposta pela ditadura. Que era basicamente chata. Mesmo para quem gostava imensamente de história. O resultado: profunda ignorância e uma aversão difícil de vencer. Hoje, décadas depois, vou correndo atrás do tempo perdido, sabendo que não há como preencher todas as lacunas. Até porque não vejo razão para tal. Não me sobra muito tempo, perdi a paciência e não vejo justificativa para aprender sobre a história de um país que me deixa desesperançada. Tendo mais a buscar a fantasia para aguentar o desconsolo. Em todo caso, sempre sobra um grão de curiosidade, e há autores que conseguem despertar a curiosidade e o interesse, basicamente, informam sem entediar. É o caso de Pedro Doria. Ele narra e nos faz entrar na narrativa, atraindo e mantendo nosso interesse, às vezes como num suspense em que não soubéssemos o final (no meu caso é até verdade, algumas coisas eu sei, outras não mesmo). Infelizmente, só reforço minha tristeza diante do que percebo como a confirmação de que a história se repete, que interesses de grupos se sobrepõem a interesses do povo, que a canalhice está no dna de forças policiais, que não hesitam em todos os tempos em recorrer à violência e à tortura para alcançar seus fins, sejam quais forem. E consolida minha opinião de que Getúlio Vargas foi um dos grandes canalhas da história nacional. Nunca fui favorável a monumentos e estátuas, e um desses que me incomoda é o memorial a esse ditador. Ditadores não deveriam ser homenageados. Sou bem a favor desse movimento de derrubada de estátuas, que comumente celebram pessoas horríveis. Registrar, sim, sem dúvida. Aplaudir, jamais.
Este livro nos conta uma parte da história do nosso país que não é bem destrinchada durante o ensino básico e médio. O livro ainda argumenta que isso talvez se deva a uma vergonha histórica, porem o fato e que e preciso justamente estudar a fundo o zeitgeist que possibilitou a expansão desse fascismo brasileiro. Negar esse passado não contribui em nada para o presente, pelo contrário, provavelmente ajuda a termos chegado onde chegamos. Neste governo que celebra a morte. Este livro foca justamente nesse vácuo, e constrói os fatos históricos de forma bem simples e acessível. A escrita de Pedro Dória ainda adiciona elementos característicos de uma linguagem falada que deixa a leitura bem agradável. Quanto ao conteúdo, o livro é extremamente efetivo em descrever a força popular do AIB. E como era contraditório o medo do comunismo, quando o fascismo sempre se mostrou como uma ideologia mais charmosa para as terras tupiniquins. Umas das partes mais interessantes e o no politico que Getúlio Vargas da em Plínio Salgado e na esquerda brasileira. Apenas Getúlio Vargas conseguiria fazer um malabarismo com uma constituição fascista e um apoio explícito aos países Aliados durante a segunda Guerra mundial. Político brilhante, mas cuja conduta não deve ser jamais celebrada. Apesar da derrota politico, o que Plínio Salgado alcançou em muito pouco tempo foi enorme, quase que uma revolução cultural que a atual extrema-direita almeja. Temos sorte de não termos alguém tão competente quanto Plínio nos dias de hoje. O livro peca um pouco na temporalidade dos ocorridos. Por algumas vezes eu fiquei um pouco confuso com alguns com a sequência de ocorridos. Porem, recomendo bastante a leitura deste livro, e que ele sirva de aprendizado “Lest we forget”.
Este é um livro em que eu fui e voltei, fui e voltei, fui e voltei na leitura várias vezes. Ou seja, demorei mais pra concluir ele do que outros livros com temáticas semelhantes. Enquanto livro que ilumina o fascismo e o integralismo brasileiro, ele cumpre com sua missão muito bem, trazendo detalhes sobre os dois movimentos, seus principais aticuladores, suas interações, semelhanças e diferenças, e características. Bem como cobre toda a história da Ação Integralista Brasileira que hoje é feita de chacota através da representação do tal Padre Kelmon nos debates presidenciais. Entretanto, acho que o que atraiu a maioria dos leitores (como o meu caso), foi a promessa do autor e da editora em iluminarem alguma coisa sobre o bolsonarismo com esse livro. Temos apenas um capítulo final dedicado a tal discussão, que não se aprofunda muito e nem se debruça sobre o que é o bolsonarismo ou o que ele representa. Parece até mesmo que o autor se exime em condenar um ou outro movimento. Dessa forma, se esse capítulo não existisse e o subtítulo não fosse tal, o leitor sairia bem menos frustrado da leitura deste livro. Mais que isso, sairia satisfeito e avaliaria melhor a publicação.
Nem perca o seu tempo lendo essa tranqueira. Sente só essa definição maria-mole: "O núcleo duro que circunda Jair Bolsonaro representa a extrema-direita brasileira. Porque não há força à sua direita no Congresso."
E isso só ao final, após páginas e mais páginas de infindáveis cópias de abobrinhas de jornais de época (como se não fôssemos perceber a diferença de estilo enorme).
Tudo lá no aguardado capítulo final onde haveria de se unificar numa facada só (hein?) a demostração inequívoca daquele maledito fascismo de Jair Bolsonaro. Resumiu-se a dizer que qualquer coisa à direita da esquerda é extrema-direita já que não há nada mais à direita que isto. É a fórmula perfeita entre a covardia de se acusar sem provas e a ousadia de mentir com a faca nos dentes.
Mesmo confuso e as vezes impreciso, o novo livro do Pedro Doria ajuda a entender o surpreendente movimento politico fundado pelo Plinio Salgado. Ele mostra a fulgurante ascensão da Ação Integralista, suas estreitas ligações com o fascismo italiano - desde as origens- e mesmo com o nazismo alemão - que o financiou. Mostra também suas peculiaridades, um chefe duvidando da violência, uma recusa do antisemitismo de alguns dos seus seguidores, uma fascinação pela miscigenação brasileira que levou a adotar a saudação tupi "Anuaê" ou a prestigiar o Almirante Negro. Mais jornalista que historiador, Pedro Doria se perde também tentando interligar Bolsonaro, o fascismo e o Plinio Salgado, um exercício duvidoso e em nada convincente devido a complexidade e a distancia geográfica e temporal dos três.
Este é um livro interessante - ele é uma recontagem básica, mas completa, da história do movimento fascista no Brasil, o Integralismo. Para quem quer se aprofundar mais no tema, talvez seja uma obra um pouco rasa demais, porém ela funciona muito bem como uma introdução à aquele momento histórico do Brasil. Ele também dedica um capítulo curto aos paralelos - e as diferenças - entre o Integralismo e ao Bolsonarismo.
É uma obra interessante para conhecer um pouco o passado, mas não sei se funciona muito bem como uma análise aprofundada do tema - e imagino que este não tenha sido o objetivo do autor. Por isso, é uma boa leitura para aqueles que querem conhecer esse período negro de nossa história, mas dispensável para quem simplesmente quer se aprofundar no tema.
History of Brazilian fascism. A little bit boring, because there was not much to tell about Brazilian fascism. The local fascist group "The Integralists", was weak and crushed by the local dictatorship. So most of the book is the history of Italian fascism and the theory of the ideology.
The last chapter is about why the Brazilian fascism failed and if the current far-right president Bolsonaro is fascist.
Interestingly the book starts very partial and against Bolsonaro, but the rest of the book is very neutral and at the end the writer explains that Bolsonaro is nit a fascist, but its own kind of far-right reactionary.
O livro tem como proposta explicar o que foi o integralismo no Brasil, fazendo um paralelo com o seu movimento de origem, o fascismo italiano, e contando a história de sua criação até sua extinção nas mãos de Vargas. Por fim, compara o movimento com o atual bolsonarismo.
O começo do livro me encantou, porém logo a linguagem ficou extremamente cansativa e a narração por vezes bastante confusa. O ritmo, principalmente no meio do livro, era lento e alternava de forma excessiva a narração cronológica com descrições longas sobre biografias de personagens específicos.
No fim, estou feliz com a leitura pelas informações novas que me trouxe, mas tenho dúvidas se recomendo.
Fascismo à brasileira foi um esclarecedor resgate da história do fascismo no Brasil, que, confesso, não conhecia bem, desde o apelido das "galinhas verdes" até outros detalhes. Aborda como a história tendenciosamente se repete, fala das origens do movimento fascista tanto na Europa, com Mussolini, quanto no Brasil, com o movimento integralista e sua integração com o Estado e ainda os Estados Unidos. Assim como, descreve a participação de Plínio Salgado, suas origens e pontos fortes e frágeis do integralismo, o autor explica momentos políticos importantes da Nação brasileira, nos nos levando a ruma reflexão mais profunda dobre o bolsonarismo.
O livro conta a história de um dos períodos mais conturbados de nosso país. De forma didática, fluente e cativante que leva o leitor a uma fascinante viagem para essa época. Durante e após a sua leitura, conseguimos traçar um paralelo preciso com o quê vivenciamos nos últimos 4 anos de governo Bolsonaro. Tudo que eu gostaria que os livros de história da época de colégio tivessem sido. Parabéns, Pedro Pedro Doria pela obra!
Livro de leitura fluida e muito esclarecedora para entendermos a origem e como funcionaram os movimentos fascistas e principalmente do integralismo brasileiro (movimento que poucos brasileiros tem noção do que foi, talvez por isso ainda caiam na mesma conversa de "Deus, pátria e família até hoje). Só achei que faltou um pouco mais de detalhamento ao concluir a comparação com o bolsonarismo. Recomendo a leitura.
90% do livro é sobre a história do integralismo brasileiro, o último capítulo é sobre uma comparação entre o fascismo italiano, o integralismo brasileiro e o bolsonarismo. O livro tem uma escrita rebuscada, mas não tão difícil. Gostei muito de conhecer mais sobre a história brasileira e como isso se relaciona com nossa realidade.
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Cumpre muito bem o que propõe: retratar a história do Integralismo no Brasil e ainda retrata o movimento fascista italiano. Bem escrito, em um ritmo fluido, com um último capítulo que traz um gostinho de quero mais devido a comparação com o governo Bolsonaro. Sou fã do Pedro Doria e recomendo a obra!
Pouco se fala em um dos aspectos mais chamativos do título da obra, o Bolsonarismo. Ainda assim, ignorando este fato, o livro traz uma trajetória detalhadíssima da ascensão e queda do Integralismo brasileiro. O paralelismo dos movimentos políticos brasileiros é evidente, portanto, o livro explica de forma indireta essa influência. Como retrato histórico, sensacional!
O corpo do texto é interessante mas não me prendeu tanto quanto as demais leituras do Pedro Doria costumam me prender. No entanto, o último capítulo é surpreendente, amarra a proposta do livro, a meu ver, de forma irretocável.
Excelente livro. O Pedro descreve os acontecimentos de forma empolgante, encaixando ora sutís, ora claras, comparações entre o bolsonarismo e integralismo. Leitura excelente, informativa e muito divertida!
Com toda a certeza, eu esperava um proposta diferente, fundamentada mais em cima do bolsonarismo e na própria direita.
Apesar disso, o livro é perfeito, confesso e não me conquistou logo de início, mas ao desenrolar (especialmente entre o capítulo 3 e 4), o livro me conquistou!
Demorei 50 páginas pra perceber que o autor é liberal, que tristeza. Desperdício do meu tempo. Aqui você encontra informacao (não muito profunda, o livro é curto), uma escrita que eu gostei, tudo misturado com teoria da ferradura e anticomunismo.
Belíssimo trabalho de pesquisa nesta obra obrigatória para entender um pouco como o Brasil chegou nessa situação e o quão assustadoramente parecido nosso governo é com os fascistas do passado.
"Um povo que não conhece seu passado está condenado a repeti-lo." - De uma maneira irônica, essa frase fascista é a melhor maneira de descrever a necessidade desse livro.