“A arte é o pôr-em-obra-da-verdade (…) A arte faz brotar a verdade. A arte faz assim surgir, na obra, a verdade do ente. Fazer surgir algo é trazê-lo ao ser no salto que instaura, a partir da proveniência essencial - eis o que quer dizer a palavra origem.”
“A arte é, pois, um devir e um acontecer da verdade.”
“Quanto mais solitariamente a obra, fixada na forma, está em si, quanto mais parece dissolver todas as relações com os homens, tanto mais simplesmente irrompe no aberto o choque de tal obra ser, tanto mais essencialmente embate o abismo intranquilizante e se subverte o que anteriormente parecia tranquilizante. Todavia, este múltiplo choque nada tem de violento; pois, quanto mais puramente a obra é arrebatada na abertura do ente por ele mesmo patenteada, tanto mais simplesmente nos empurra e nos lança nesta abertura e, ao mesmo tempo, nos arranca ao habitual. Seguir esta remoção significa: alterar as nossas relações habituais com o mundo e a terra e, a partir de então, suspender o comum fazer e valorar, conhecer e observar, para permanecer na verdade que acontece na obra. Esta contenção é o que primeiramente permite ao criado ser a obra que é. Deixar a obra ser uma obra, eis o que denominamos a salvaguarda da obra. Só para a salvaguarda é que a obra se dá no seu ser-criada como efectiva-mente real, a saber, agora presente no seu carácter-de-obra.”