Viagens temporais, aliens, outros planetas, personagens bizarros (que não são aliens), uma organização que planeja incursões no espaço-tempo, muitas fatias de pizza e uma máquina de escrever que abre portais. Dá para esperar de tudo neste livro do selo Original Pipoca & Nanquim. Cansado de sua monótona rotina, Bob — que se chama Bernardo, mas é conhecido como Bob — poderia simplesmente largar o trabalho e, quem sabe, fazer planos para uma viagem longa que incluísse uma ilha paradisíaca. Abandonaria redes sociais, e-mails, compromissos e esqueceria até que relógios existem. Mas ele preferiu colocar a mão na massa e construir um aparato que gera portais que lhe permitem viajar pelo tempo e espaço. Disfarçada sob a carcaça de uma inocente máquina de escrever azul-bebê, essa parafernália absurda que Bob concebeu, e vem tentando fazer funcionar há oito anos, é o seu passaporte da alegria, um meio de se livrar de uma existência repetitiva, monótona e sem propósito. Na verdade, a única coisa de que ele provavelmente sentiria falta é uma generosa fatia de pizza, se possível de atum, especialmente do restaurante do Waldir. Porém, o universo não vai assistir aos planos de Bob sem intervir, o que fará seu destino mudar total e irremediavelmente.
O livro tem formato 14x21, miolo em papel pólen soft e capa dura com detalhes em verniz fosforescente que brilha no escuro. O design da publicação é da artista Giovanna Cianelli, que bebeu de referências visuais como o trabalho de Terry Gilliam em Monty Python e as montagens de Jack Kirby.
Pedro Duarte é escritor e pesquisador, nascido no Rio de Janeiro, em 1981. Professor Doutor de Filosofia da PUC-Rio e autor dos livros Estio do tempo: Romantismo e estética moderna (2011) e A palavra modernista: vanguarda e manifesto (2013).
O livro do Pedro é um caso raro de livro com uma história muito simples, que se torna excelente pela prosa espirituosa e pelas críticas pequenas em forma de piada em vez de uma grande mensagem maior. Os personagens também são super reais, cada um com uma voz muito particular. E o livro é muito engraçado, dei umas risadas altas aqui e ali. Recomendadíssimo!
Uma leitura leve, rápida e divertida. A edição está muito linda (por fora e por dentro) e a diagramação é ótima. Feliz de ter lido esse livro, ainda mais nesse momento louco de pandemia que estamos vivendo. Foi bom para relaxar :)
3.5* Divertido, tem um humor no estilo Douglas Adams, mas algumas referências podem datar um pouco a história. Não sei se funcionaria do mesmo jeito daqui 10 anos, por exemplo.
esta narrativa é focada no alívio cômico. eu não sou o público para isso e fiquei bastante frustrada com a leitura.
no finalzinho a história omite o que eu gostaria de ter lido. todos os ganchos para observar o funcionamento de coisas interessantes (e brechas para mudar algo estrutural na sociedade) foram ignorados sumariamente. é uma ficção científica que não compactua com ficções científicas.
acho que uma boa ficção muda o jeito como vejo o mundo; essa não chegou nem perto de fazer isso.
o projeto gráfico é bonito e parece ficar de pé sem a narrativa. com o partido de intensificar certos momentos com aproximações literais do conteúdo escrito, a ginástica tipográfica foi mais divertida que a história contada ali. esse exercício visual aumentou o volume da voz do narrador em vários momentos de início de capítulo. me pergunto se precisava ser aplicado a essa história ou se é um projeto que se dá bem com narradores em 1ª pessoa em geral.
recomendo essa leitura para pessoas que choraram de rir com "O guia do mochileiro das galáxias". o narrador tem a mesma direção e deixa de lado o que desvia do humor característico de Douglas Adams. aliás, recomendo esse volume para quem não lê e gosta de possuir livros como peças de decoração.
Pedro Duarte tenta ser um Douglas Adams brasileiro, e é impressionante que ele consegue.
OK, não acho que esse livro vai ter o alcance cult do Guia dos Mochileiros, mas achei bastante similar - principalmente quando reajustei minha percepção do Adams para o que ele realmente escreveu, e não para um texto imaculado dos cânones nerds. Como um livro de Adams, aqui temos personagens que são pessoas quase comuns em situações bizarras, desfiadas por uma voz narrativa que se prende mais a detalhes do que a personagens, ensopado de um humor cínico para dar liga. Como Adams, o humor vem mais das situações do que de piadas, e quando é uma piada mesmo acaba morrendo na praia. Como Adams, várias linhas narrativas não vão a lugar nenhum e morrem na praia - apesar de que é mais fácil acreditar que aqui elas são abandonadas de propósito. O começo do livro menciona que o Universo gosta de um pouco de confusão, e talvez o Universo seja a voz narrativa - clínico, desinteressado e se focando mais em pequenos detalhes interessantes do que em arcos de personagem. O enredo pareceria completamente imbecil se eu resumisse mas, dentro do ritmo da narrativa, funciona 100%. Tem alguns elementos gráficos diferentões, então eu esperava alguma coisa meio pós-modernista, mas eles logo desaparecem e ficam só nas aberturas de capítulos, como uma versão bacanuda hipster da letra capitular.
O livro brilha no escuro. Não vou dar mais uma estrela por causa disso, mas tive que me segurar.
Eu me recuso a comparar esse livro com Douglas Adams e Terry Pratchett porque 1) todo mundo já fez isso e 2) eu acho que todos vocês estão errados (mesmo estando certos).
Mais cedo nesse ano eu li Space Opera, da Catherynne M. Valente (que se você não conhece, deveria conhecer). Ele fala sobre uma competição musical no espaço, mas principalmente sobre como a vida é linda e estúpida, e o que nos resta é aproveitar o que temos e se der, fazer um pouco de arte. Em todos os sentidos. É isso que senti lendo a historia de Nina, Bob e Nestor.
Gastaria Tudo com Pizza é um livro rápido, e por falta de palavra melhor, muito gostosinho de ler. Bom pra ler quando você está procurando uma escapadinha rápida pra outra dimensão no meio do caos ou do tédio da vida cotidiana - tipo agora, no meio de uma pandemia, onde temos caos e tédio em porções iguais e mais intensas do que deveríamos. Recomendo também você ler na sua varanda, tomando um matcha ou algum chá especial que você tiver enquanto aproveita um solzinho; mas essa parte é opcional.
"Quando abriu o portal,foi em busca de uma maneira melhor de viver"
Frequentemente comparado a O Guia do Mochileiro das Galáxias,eu não posso aderir a tal costume,porque ainda não li essa obra de Douglas Adams,mas a verdade é que seu humor é bastante excêntrico desde o começo,mas ao contrário dessa questão,o desenvolvimento de forma geral não é tão consistente,ficando realmente bom a partir do momento em que os seres Splash são revelados,tudo ficou frenético o suficiente pra eu nem perceber o passar das páginas.A odisseia do protagonista visitando o cosmo podia ter sido abordada num maior volume de páginas,suas aventuras pareceram divertidas demais pra tão pouco tempo de leitura.
Uma preparação muito demorada até engatar. Desenvolve os personagens para levar a lugar nenhum. Sobre o humor, muito forçada essa relação que falam com o Douglas Adams. Existe um deboche (mais do autor do que entre os personagens), mas a ironia é praticamente inexistente na leitura. Mas pelo menos o livro é bonito, brilha no escuro.
Uma ficção científica bem divertida e despretensiosa, mas nada genérica. Gostei muito de acompanhar Bob (que se chama Bernardo), os spalaashh, os sujeitos de Belfort, Nina, Nestor e Waldir (ou Valdir).
Foi uma leitura muito incrível, pareceu um episódio de alguma série tipo twilight zone (ou love death and robots, ou black mirror sla, acho que deu para entender a vibe). Os personagens tem um background rápido e até que envolvente, os acontecimentos tem uma explicação engraçada e legal do autor… tudo muito maravilhoso.
Achei parecido com os livros do H G Wells e Douglas Adams (amo muito os dois), mas ainda sim original, traz suas piadas e aborda superficialmente questões da sociedade atual (um pouco mais voltada para os brasileiros mesmo).
Nada acontece nesse livro, não vou mentir. Mas a escrita é leve e descontraída o que faz com que a leitura seja fluida e divertida. Foi um bom livro pra me ajudar a passar por uma ressaca literária! E queria mencionar também o quão bonita é essa edição. Impecavel
This entire review has been hidden because of spoilers.
Achei o livro bem legal considerando a proposta, que é ser uma história leve, divertida etc. A primeira coisa que me chamou atenção foi, claro, o projeto gráfico. A capa tem cores e texturas que dão vontade de ficar passando a mão no livro o tempo todo. As ilustrações são super legais e o acabamento matte nas páginas com ilustração realmente são extras. Porém, justamente por ser capa dura e tal, a brochura é bem firme e não colabora pra uma leitura casual segurando o livro com uma mão só.
A escrita em si é leve, despreocupada, com a ocasional crítica social foda por trás da ação. Achei difícil entender a motivação do protagonista em virar essencialmente um doctor who, mas né? Gostei do restautante eternamente aberto ser praticamente um ponto fixo no espaço tempo, pois afinal essa é a sensação que esses lugares dão pra gente, mesmo.
Eu entendo e concordo parcialmente com as críticas que vi aqui, também. Apesar do projeto gráfico lindo, a escrita nem sempre sustenta isso. A qualidade de escrita flutua um pouco, mas ainda me diverti, especialmente no final, quando o tom do livro me lembrou muito o Space Opera, da Catherine Valente.
Esse é um daqueles livros que você lê muito rápido e ainda se diverte.
Somos apresentados a Bob, um sujeito que tenta criar uma forma de abrir um portal inter-dimensional, com uma máquina de escrever azul-bebê. Está entediado e cansado da vida que leva, com o portal ele tem esperança que algo seja novo e lhe traga felicidade.
Durante esse tempo, ele conhece Nina, uma jornalista que também tenta se destacar em sua carreira, mas tudo o que conseguiu foi um tombo em um buraco na rua em um noticiário Ao Vivo e se tornar piada na internet.
Os dois se esbarram no meio de todos esses problemas e aí que a aventura começa.
É uma leitura muito leve e tranquila, um enredo interessante, percebemos em alguns momentos a inspiração em Douglas Adams (leia o Guia do Mochileiro das Galáxias, por favor!), desde as piadas às críticas sociais.
Pizzas, portais e comédia. Um livro que surgiu como uma indicação despretensiosa em um momento de indecisão, não poderia ter ficado mais surpreso, tem um grande sentimento de guia do mochileiro das galáxias, por se tratar de uma ficção científica com comédia, porém o fato de ser escrito por um autor brasileiro dá um tom completamente único para o livro, quase familiar, como se você pudesse imaginar exatamente os lugares descritos como algum lugar que você frequenta ou frequentou na sua cidade, a narrativa é bem fluida, e o trabalho gráfico ajuda muito na imersão e a sentir que você está fazendo progresso na leitura, o que pra alguém como eu, que não lia um livro há mais de um ano, é uma grande ajuda, esse livro marcou o retorno a minha construção de um hábito de leitura, e não poderia ter sido um acerto melhor, mesmo que sem querer.
The book was ok. It's a quick, easy, and fun read. The flow of events is very cinematic and scripted. But the author's style kind of jumps around too much with little to add to the story. It feels like it's trying to emulate Douglas Adams, but the base of why the universe works as it does is not there. My feeling is that the story seems stretched to fill out the book. But would be a good script for a short movie.
"Gastaria tudo com pizza" é antes de tudo, um livro divertido. Pedro Duarte nos oferece uma ficção científica despretensiosa, com claras inspirações em "O guia do mochileiro das galáxias", e no estilo inconfundível de escrita de Douglas Adams. Um ponto que merece destaque também é o projeto gráfico, com ilustração e elementos textuais que casam muito bem com a proposta, além de uma capa que brilha no escuro (algo de certo modo desnecessário, mas ainda assim bem interessante).
Um livro bem divertido que mistura ficção científica e comédia, bem ao estilo de "O Guia do Mochileiro das Galáxias". Uma pena que ele seja tão curto, tenha personagens que acabam ficando "inúteis" para a trama e um final bobo demais... Mas ainda assim é interessante.
A ideia não é a mais original do mundo, mas não acho que era essa a proposta. É uma história bonita, bem escrita, com personagens muito bacanas. Gostei demais e recomendo. Gosta de Rick & Morty? Dr. Who? É possível que você encontre neste livro algo agradável também.
muito divertido e bem construído, uma leitura leve e rápida. eu me identifiquei muito com o bob, pois eu também sou chata pra caramba e atravessaria o tempo-espaço por uma pizza. e, sim, me lembrou muito o terry pratchett.
O livro não é ruim, mas o autor se perde várias vezes durante o texto. É visível a inspiração no Guia dos Mochileiros da Galáxia, no entanto, passa longe de sua qualidade. O grande ponto positivo fica para o trabalho da editora que fez um trabalho de capa e de encadernação magnífico.