Volume 11 da Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros, em 20 volumes.
A mais célebre peça de Oswald de Andrade, O Rei da Vela, foi escrita em 1933, período subsequente ao crack de 1929, quando a sociedade brasileira passava por importantes transformações. A peça é um painel alegórico, corrosivo e tragicômico da elite da época. Burguesia gananciosa e aristocracia decadente unem-se num ambiente de subdesenvolvimento, dissolução moral, falcatruas, exploração econômica e sexualidade conturbada. Muito da história o poeta modernista retirou de sua própria aflição financeira, quando, quebrado, viu-se forçado a recorrer aos senhores da usura.
Em torno do agiota e fabricante de velas Abelardo 1º, de seu "sucessor" Abelardo 2º e da aristocrata decadente Heloisa de Lesbos, circula uma miríade de personagens que alegorizam o atraso nacional, o imperialismo norte-americano, a exploração do homem comum, o servilismo intelectual e o declínio da grande família agrária. O Rei da Vela ganhou sua primeira e definitiva montagem em 1967, no no Teatro Oficina. Soba a direção de José Celso Martinez Corrêa, com cenografia de Hélio Eichbauer e os atores Renato Borghi e Ítala Nandi no elenco, a encenação foi um marco do Tropicalismo, ao lado de Terra em Transe, de Glauber Rocha, das canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil e da instalação Tropicália de Hélio Oiticica. A presença de Oswald de Andrade no repertório tropicalista explicita as relações do movimento com o modernismo, em especial com o espírito do Manifesto Antropófago, publicado pelo poeta em maio de 1928 - ou, como ele preferiu datar, "ano 374da deglutição do bispo Sardinha".
José Oswald de Andrade Souza (January 11, 1890 – October 22, 1954) was a Brazilian poet and polemicist. He was born and spent most of his life in São Paulo. Andrade was one of the founders of Brazilian modernism and a member of the Group of Five, along with Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral and Menotti del Picchia. He participated in the Week of Modern Art (Semana de Arte Moderna). Andrade is best known for his manifesto of Brazilian nationalism, Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto), published in 1928. Its argument is that Brazil's history of "cannibalizing" other cultures is its greatest strength, while playing on the modernists' primitivist interest in cannibalism as an alleged tribal rite. Cannibalism becomes a way for Brazil to assert itself against European postcolonial cultural domination. The Manifesto's iconic line is "Tupi or not Tupi: that is the question." The line is simultaneously a celebration of the Tupi, who had been at times accused of cannibalism (most notoriously by Hans Staden), and an instance of cannibalism: it eats Shakespeare. Born into a wealthy family, Andrade used his money and connections to support numerous modernist artists and projects. He sponsored the publication of several major novels of the period, produced a number of experimental plays, and supported several painters, including Tarsila do Amaral, with whom he had a long affair, and Lasar Segall. His role in the modernist community was made somewhat awkward, however, by his feud with Mário de Andrade, which lasted from 1929 (after Oswald de Andrade published a pseudonymous essay mocking Mário for effeminacy) until Mário de Andrade's untimely death in 1945.
Oswald de Andrade certainly didn't found a career on politeness or making people feel good about themselves. As far as I know, his most famous work is the modernista manifesto in which he invites his fellow Brazilians to recapture their cannibal indigenous heritage and literally eat up and expel the European/North American imperialist/capitalist influences in their country. This play picks up more or less where the manifesto leaves off -- it's the story of a corrupt nouveau riche usurer who betrays his proletariat roots for the false promises and decadent pleasures of the aristocracy.
Of course, it's also the story of Brazil's exploitation by foreign opportunists (mostly American). And unfortunately that's a story that's still ongoing. Abelard laments that in Brazil, the most beautiful country in the world, even the clouds have been purchased or rented by some capitalist interloper. That was 1933. His words sound even truer, even sadder, in 2010. It's too bad this play isn't read in more world literature courses.
First and foremost, I must point out the obvious names of certain characters, one of them, Heloísa de Lesbos. The author uses stereotypes to restrict and showcase sexual orientation and gender identity, through parameters of personality traits, culture and personal tastes. We must forgive and accept this, as the play was written in 1930s, when being queer was to be hidden, to use coding to find the peers and to not live freely and truly to oneself.
The play also enchanted me as it is set in the Great Depression, where Brazil was going through changes to make it more modern. Where older characters still maintain their conservative values, creeds and morals, without any sort of fear, publicly and blatantly scream and worship dictatorship and fascist movements and beliefs.
In short and writing in a quite general form, the play showcases the conservative values, creeds and morals, sometimes grazing towards extremist views, it also allows lgbtq+ representation in a idyllic way to the time it is set in, as it also exposes misogyny and in a timeless way, let's say it like that, showcases how we elevate the high society to a Godly pedestal, allowing ourselves to be dehumanized for the lack of resources.
incrível como esse livro consegue ser extremamente contemporâneo ainda mais quando pensamos no bolsonarismo atual, no qual vemos a ascensão dessas pessoas tão reacionárias quanto o rei da vela e outros personagens em alguns momentos da peça.
3,5
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Muito interessante e politicamente incorreto. Um livro que retrata bem a sua época com muito sinismo e por mais que fosse obrigatório na escola, eu li por prazer mesmo.
Jenital, brilhante-lubrificante, com doses cavalares de "Laerte não entendi auuuu 🐺", como só o Oswald de Andrade - esse gênio-escroto-mulherengo-bosta-caótico - conseguia ser.
"Heloísa: Ficaste o Rei da Vela! Abelardo I: Com muita honra! O Rei da Vela miserável dos agonizantes. O rei da vela de sebo. E da vela feudal que nós fez adormecer em criança pensando nas histórias das negras velhas... Da vela pequeno-burguesa dos oratórios e das escritas em casa... Às empresas elétricas fecharam com a crise... Ninguém mais pôde pagar o preço da luz... A vela voltou ao mercado pela minha mão previdente. Veja como eu produzo de todos os tamanhos e cores. (...) Para o Mês de Maria das cidades caipiras, para os armazéns do interior onde se vende e se joga à noite, para a hora de estudo das crianças, para os contrabandistas no mar, mas a grande vela é a vela da agonia, aquela pequena velinha de sebo que espalhei pelo Brasil inteiro... Num país medieval como o nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na mão? Herdo um tostão de cada morto nacional!" 🕯️
Roteiro de peça de teatro. Inovador pra época, aliás muito inovador, retratando um núcleo familiar em que gays e lésbicas são tratadas explicitamente, porém é claro com o preconceito existente até hoje. Modernismo puro. Uma obra polêmica pela liberdade sexual. Não me envolveu muito a história, mas é uma leitura interessante.
O rei da vela faz uma crítica mordaz ao pior que há no Brasil: fascismo, viralatismo, hipocrisia etc., mostrando que pouco ou nada mudamos desde a metade do século XX. Nisso, a obra me agradou muito, pelo bem que envelheceu políticamente; não assim os personagens, excessivamente nervosos, temblorosos, caricaturescos de um jeito estetica e dramaticamente negativos.
É uma grande peça que demonstra a burguesia gananciosa da época com certo humor. A peça gira envolta de dois agiotas, Abelardo 1 e seu sucessor, Abelardo 2. Foi publicado em 1937 e escrito em 1933, logo depois do crack brasileiro. Já li Shakespeare, João Cabral de Melo Neto, e agora Oswald de Andrade. Nelson Rodrigues, você será o próximo.
Entendi nada lendo ai depois de 2 vídeos no youtube compreendi e gostei do livro e sendo sincera só li rápido pq to ansiosa para continuar a saga da briar u e falei pra mim que precisava virar gnt e ler pra vestibular tbm
LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOKO DEMAIS PUTA MERDA! TEM TRAMBIQUE, TEM JUROS ALTOS, TEM PUXA SACO DOS IANQUES, TEM CRÍTICA SOCIAL FODA A PEÇA QUE NINGUÉM VIU. SAUDADES ZÉ CELSO
Abelardo 1: Para quê? Outro abafaria a banca. Somos uma barricada de Abelardos! Um cai, outro o substitui, enquanto houver imperialismo e diferença de classes...”
Da primeira vez que eu li, foi por obrigação da escola, então odiei simplesmente porque não havia entendido. Por isso decidi reler e fazer as pazes com essa obra.