Contrapondo-se ao discurso sobre educação pautado apenas por indicadores, rankings e eficiência, a Boitempo lança Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar. Fernando Cássio, organizador da obra e especialista em políticas públicas de educação, convidou mais de vinte autores para propor um debate franco e corajoso sobre as principais ameaças à educação pública, gratuita e para todas e todos: o discurso empresarial, focado em atender seus próprios interesses; a perseguição à atividade docente e à auto-organização dos estudantes; e o conservadorismo que ameaça o caráter laico, livre e científico do ambiente escolar.Neste novo volume da coleção Tinta Vermelha, selo que busca provocar reflexões sobre assuntos atuais, temas como revisionismo histórico, experiências de educação popular, financiamento do ensino público, dilemas da educação a distância e a polêmica ideologia de gênero são abordados com rigor teórico e linguagem acessível. A obra conta com prólogo de Fernando Haddad e quarta capa de Mario Sergio Cortella
Gostei bastante da leitura, pois é um livro formado por contribuições de diferentes atores de várias esferas da sociedade, como professores, estudantes, indígenas, integrantes de movimentos sociais, dentre outros. Apesar da diversidade, todos tem um denominador em comum: a luta por uma educação pública, inclusiva, democrática, laica, justa e socialmente referenciada. Possuem também, em comum, a percepção de que estamos encarando a pior ofensiva do conservadorismo, do capital e do próprio fascismo em si no campo da educação. Tal cenário é fruto, em parte, da eleição de um projeto bolsonarista em 2019. O livro traz, então, o debate sobre temas diversos que atravessam a educação brasileira, passando por temas como: ensino EAD, o avanço do ensino privado, homeschooling, militarização das escolas públicas, “ideologia de gênero”, educação popular, educação indígena, escolas do MST, além de outros temas. Faço um destaque para a análise do surgimento e histórico no livro do conceito de “ideologia de gênero”, criado pela igreja católica num momento de avanço de uma retórica antifeminista e de discurso antigênero que abarcam concepções conservadoras que centram a moral e harmonia social em torno da família heterossexual e dos supostos costumes reacionários atrelados a esta visão de sociedade. Para finalizar, destaco um trecho interessante: “uma das lições importantes da sociologia para compreender a educação é que esta possui uma relação “orgânica” com a estrutura social à qual pertence, uma vez que é parte desta totalidade e por ela é engendrada.”
Ótima síntese de alguns dos mais notórios frontes de luta pela educaçāo digna e libertadora no Brasil. Choca por já estar desatualizada quanto ao desmanche do sistema educacional, e talvez frustre pela superficialidade de alguns dos artigos, mas cumpre o que propõe: um grito de socorro e um chamado à açāo.
O caráter jornalístico dos textos não resulta em reflexões mais profundas. São bons e diversos textos e temáticas, porém, com poucas exceções, superficiais.