Que farei com este curso? Esta é a pergunta que milhares de alunos se colocam todos os anos. E se for a pergunta errada?
Um dos passos fundamentais para a liberdade individual está, hoje, reduzido à fórmula do emprego garantido. A universidade está presa à empregabilidade. Neste círculo vicioso, olhamos para a licenciatura como meio para atingir um fim cada vez mais especializado.
O que a universidade realmente é e aquilo que deve ser, num ensaio que faz a radiografia ao coração do país e à educação universitária.
António Maria Maciel de Castro Feijó é licenciado em Estudos Anglo-Americanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1977).
No final da década de 1970 voa até à América e passa pela State University of New York. Depois, pela Brown University, onde se doutorou em Literatura Inglesa e Americana, com uma tese dedicada a Wyndham Lewis — um dos fundadores da revista Blast e do vorticismo. É nos Estados Unidos da América que diz estarem — numa opinião muito concordante com a de Nabokov — as «melhores universidades do mundo» e onde tudo é feito para os «alunos terem tempo de florescer intelectualmente». Durante a sua estada, apanhou Jimmy Carter e Ronald Reagan na presidência; Michael Jackson e Madonna a subir aos tops musicais e constatou que a realidade nos Estados Unidos da América é tão volátil e o desfecho pode ser tão inesperado que quem gosta daquele país está sempre «numa posição difícil» porque «a realidade americana pode vir a desapontar daqui a uma semana».
É Professor Catedrático do Departamento de Estudos Anglísticos e do Programa em Teoria da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Director e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2008-2013). A sua actividade de ensino e investigação tem incidido em domínios como a Teoria da Literatura, a literatura do Renascimento inglês, a literatura Norte-Americana Moderna, e o Modernismo europeu e norte-americano. É autor de vários ensaios, e orientador de diversas teses e dissertações, nestes domínios. Outras actividades incluem a tradução de autores ingleses e norte-americanos e a dramaturgia para cena de textos ingleses e portugueses. Foi comissário de uma exposição sobre literatura. Membro e responsável científico de projectos de investigação sobre o Renascimento inglês e o Modernismo português.
Este é um ensaio pertinente, mas que pode fazer erguer as sobrancelhas de muitos. Baseia-se em três ideias: 1. As universidades portuguesas não são autónomas; 2.Como não são autónomas não têm a qualidade que poderiam ter; 3.É necessário confiar nas próprias universidades, que podem perfeitamente governar-se.
É um livro refrescante, mesmo que mantenha algumas dúvidas sobre as conclusões