O ponto de vista deste livro é completamente diferente daquilo que se tem visto acerca dos judeus durante a segunda guerra mundial. Não fala em campos de concentração nem em torturas. Foca-se na história de um sobrevivente, Moishe Goldner, que, após ver o seu pai morrer pelas mãos de um suposto amigo, é resgatado por Kopec. Este introduz o adolescente Moishe a uma vida dura no seio de grupos de Resistência aos Nazis. O rapaz fez coisas que muitos pensariam impensáveis mas isso manteve-o vivo e salvou alguns judeus. É impressionante pensar que este homem existiu mesmo até 2009 e conseguiu refazer a sua vida nos Estados Unidos.
Ao contrário do Pianista, a sobrevivência de Goldner não se deveu tanto à sorte. Ele teve de passar por numerosas dificuldades e tomar certas decisões que sabia que o iria marcar mas que também o manteriam vivo. Nunca questionou nada do que lhe era pedido e foi assim que saiu ileso. Ele chegou a perguntar a Kopec porque é que tinha nascido judeu. Ele não tinha pedido isso nem feito nenhuma escolha, tinha apenas nascido judeu. E, por isso, foi obrigado a fugir e a esconder-se para que não o matassem. Só porque tinha nascido judeu.
Um ponto importante a salientar é o facto de a narração não passar tanto pelos factos macabros que ele presenciou mas mais pelas emoções que sentiu ao encontrar-se naquelas situações. O livro apela mais a sensibilidade humana do que propriamente a destruição deixada pela guerra.