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O Som e o Sentido: Uma Outra História das Músicas

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Este livro pode ser algo como um orgao de igreja com muitos registros, ou um canivete suico com inumeras laminas, escreve o critico Lorenzo Mammi. Pode ser lido como um guia - perfeitamente compreensivel ao leigo como uma historia sem nomes ou datas, constantemente apoiada em dois elementos o recurso a experiencia acustica concreta e a comparacao com as outras estruturas produtoras de sentido (a lingua, o mito, a sociedade). Para o nao-leigo, apresenta uma rede de questoes (das fisico-acusticas as estritamente ideologicas) que dificilmente se encontrariam, com tamanha complexidade, nos textos especializados. Lancado ha dez anos, em 1989, O som e o sentido inclui agora um CD no lugar da antiga fita cassete.

288 pages

First published January 1, 1989

21 people are currently reading
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About the author

José Miguel Wisnik

12 books8 followers
José Miguel Soares Wisnik é músico, compositor e ensaísta brasileiro. É também professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo.

Graduado em Letras (Português) pela Universidade de São Paulo (1970), mestre (1974) e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada (1980), pela mesma Universidade.

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
January 15, 2015
Não é uma leitura fácil, tem muitas notas e referências (O Fausto de Goethe, o Doutor Fausto de Thomas Mann, e mais um monte de Levi-Strauss, Adorno, Lyotard, Jameson, psicanálise, os gregos etc.), mas é uma interpretação fantástica sobre a história das músicas. Destaco o primeiro capítulo, um pouco mais técnico, em que o autor descreve as propriedades do som.
Profile Image for Marcos Henrique Amaral.
125 reviews11 followers
February 18, 2019
Leitura feita durante pesquisa sobre o cantor Jorge Ben Jor para a tese de doutoramento em sociologia. A partir da hipótese de que o regime de valorização que guinda Jorge Ben Jor a signo de autenticidade e de identidade nacional estabelece intrínseca relação com uma aproximação a raízes do "modalismo" que está na base do samba, chegamos à análise — inovadora e original — de Wisnik, na obra "O Som e o Sentido". Perseguindo a trilha analítica legada por esta obra, dizemos que Jorge Ben Jor "abandona", de certa maneira, algumas das conquistas técnicas da bossa nova — notadamente a aliança entre a estética intimista e a complexidade harmônica — em prol do ritmo de seu violão-tambor, agora com dois ou três acordes tocados a partir do movimento expansivo do braço inteiro. Com isso, sua música desloca o foco da elaboração harmônica e da contenção corporal, típicas do tonalismo, e aproxima-se de matrizes diversas da música modal. Assim como quaresma e carnaval, tonalismo e modalismo são postos como duas epistemes antagônicas: é a estética da arte autônoma [sem função], da primazia harmônica, do controle corporal e do recalcamento dos ruídos em oposição à função ritualística, ao relevo rítmico-percussivo, ao engajamento corporal e à aceitação dos ruídos.
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Sumarizando as ideias de Wisnik, poderíamos dizer que a música modal — no interior da qual o autor insere a tradição percussiva do continente africano — é voltada para o ritmo e para a percussão, criando pulsações complexas em favor do engajamento corporal pressuposto por sua função ritual. E é em nome dessa funcionalidade que se desenrolam as características essenciais do modalismo: há uma quebra da linearidade de início, meio e fim que caracteriza os registros fonográficos, em favor do tempo circular infindável conduzido pela percussão e pelo ritmo sincopado. Frequentemente, temos a sensação de que as músicas não têm fim, pois interpelam umas às outras e, por minutos a fio, levam ao engajamento corporal quase hipnótico. Os refrões cantados em coro e de forma repetida aparecem como antífonas que solucionam a aparente desordenação métrica das demais estrofes. Em termos de canto, verificamos o uso de timbres guturais, jodls, ataques de garganta e glissandos. Segundo Wisnik: “instrumentos que são vozes e vozes que são instrumentos”. Todos estes elementos são acionados para criar um envolvimento coletivo e integrado do canto, do instrumental e da dança.
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Em outra obra, o pesquisador Paulo da Costa e Silva aproxima o cantor Jorge Ben Jor, em que pese sua flagrante associação quase simbiótica à indústria fonográfica, às estética modais, pois ele conseguiria trazer em sua música toda sorte de "sujeiras" e "ruídos" sonoros inconcebíveis pela matriz "limpa" da bossa nova. Não deixa de ser curioso a utilização do termo "sujeira" — e seu homólogo "ruído", também acionado por Wisnik para caracterizar a música modal — para definir a operacionalização de recursos sonoros recalcados pela bossa nova, pois, ao fazê-lo, o autor admite que a música brasileira de matriz bossanovista instaura critérios de respeitabilidade baseados na contenção dos impulsos corporais, no monocromatismo, no dedilhado lírico e harmonicamente sofisticado, em torno dos quais passarão orbitar seus epígonos. Em outras palavras, a bossa nova é tomada aqui não apenas como um gênero musical, mas também como um sistema de “pureza” que é frequentemente maculado — "sujo" — por Jorge Ben Jor e o modalismo de sua canção.
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A análise de Wisnik é perspicaz ao perceber que o movimento operado por Ben Jor, tomado como objeto de estudo nesta pesquisa, não é característica exclusiva de um ou outro cantor. Com efeito, a retomada do modalismo após o pináculo oitocentista do tonalismo é encarada como uma tendência da história da música mundial, como parte de um processo de "desrecalcamento sensual" [termo usado pelo mesmo autor em outra obra, "O nacional e o popular na cultura brasileira] cuja característica fundamental é a retomada da dimensão extática [e não estática] da música, incluídos aí o apelo coloquial, a marca dançante e a primazia dos elementos percussivos outrora negados ou subjugados pela matriz civilizatória hegemônica do tonalismo.
Profile Image for Luciano.
328 reviews284 followers
November 20, 2021
Acho que não tenho metade da educação musical necessária para entender o livro, e muitas vezes os devaneios e paralelos com antropologia e sociologia parecem meio forçados, mas isso não é um obstáculo para admirar a erudição e a paixão de Wisnik pelo universo musical -- de Schoenberg aos pigmeus do Gabão. É certamente um livro a frente do tempo em que foi escrito, uma viagem multimídia que ficou muito melhor com o acesso livre e fácil a todas as referências citadas. Boa viagem!
11 reviews
March 26, 2021
O som e o Sentido é um livro excelente para os apaixonados por musica e sua história. Não é, como o próprio autor afirma, uma historia da música de forma literal e pedagógica, mas passeia pelos tempo, estilos, compositores, continentes e culturas, desde a origem do som ao que conhecemos hoje como musica de mercado.
Não é um livro fácil. Demanda certo conhecimento prévio musical, seja no quesito instrumental, teórico e sonoro. Além de certa intimidade com autores clássicos.
Para além desses detalhes, um livro de muitos adjetivos, de uma escrita grandiosa, e que expande todo universo sonoro, trazendo contextos econômicos, sociais e filosóficos dentro da música.
Obrigatório para aquele que estuda música, ou é apaixonado por ela.
Profile Image for Lucas Rodrigues.
40 reviews1 follower
November 8, 2018
O comentário do Haymone é muito pertinente: não é um livro fácil. Não tenho educação formal em música, e passei boa parte do livro pesquisando conceitos e anotações na internet. É uma boa "primeira leitura" para quem estiver inserido (ou se inserindo) no meio. É um livro de não-ficção mais difícil do que de costume por tratar de temas que não são geralmente discutidos.

O livro é bem escrito, com muitas passagens interessantes. Se não se prender pelos temas, será preso pelo estilo literário.
Profile Image for Ezequiel Barros.
12 reviews4 followers
December 3, 2022
O antídoto para todo livro de história da música insosso e pedestre que se reduz a uma lista de compositores, obras e momentos de importância do cânone eurocêntrico.

Recomendo fortemente a leitura auxiliada com a playlist/CD que acompanha o livro, o capítulo sobre a música modal e serial são excelentes por jogarem uma luz em dois períodos distintos e mal explicados da história da música.
Profile Image for lila.
219 reviews8 followers
Read
July 27, 2020
nao vo dar estrelinha pq pra falar a verdade, eu acho que nao entendi nada
e se vc não tiver educação musical (ou não tiver lido o Fausto do Mann), não lê esse negócio
Profile Image for Pedro Schulz.
93 reviews
August 26, 2020
Excelente introdução ao mundo da teoria musical e suas intersecções com as ciências humanas. Recomendo a quem faz da música algo central na sua vida..
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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