Pela primeira vez, Fernando Rosas, catedrático em História do Estado Novo e um dos grandes especialistas na História do Portugal Contemporâneo, escreve um ensaio comparativo acerca do Fascismo, fenómeno que nasceu na Europa na década de 30 do século xx.
Neste livro, Rosas explica-nos o surgimento do Fascismo, as circunstâncias e o contexto histórico que permitiram que florescesse, e descreve as várias faces que o movimento assumiu nos diferentes países: Espanha, Itália, Alemanha, mas também casos menos conhecidos, mas nem por isso menos arrepiantes, como o da Hungria e o da Roménia. Além disso, Fernando Rosas não hesita em colocar o Salazarismo na mesma categoria histórica, e explica-nos bem porquê.
Salazar e os Fascismos arrisca ainda uma tese sobre a actualidade: — Que autoritarismos são estes que têm vindo a conquistar o poder desde 2016?
— De onde surgem e porquê? Um livro escorado no passado, mas que remete para o futuro político das sociedades ocidentais.
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).
Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.
Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).
Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.
Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).
Lido para a cadeira de História dos Fascismos. Bom guia para a questão dos fascismos da primeira metade do século XX, mais concretamente o salazarismo. O autor não esconde a sua veia esquerdista, mas ela não o impede de fazer uma análise sólida e fundamentada.
Eu gostei bastante, o que contrasta com a nota média. A verdade é que o ensaio está bem feito e, no fundo, cumpre com aquilo a que lhe é pedido - falar sobre o Estado Novo e compará-lo com outros regimes. Não obstante, eu diria que dei uma nota mais média pois, em primeiro lugar, achei um pouco confusa a maneira de como Fernando Rosas utiliza os exemplos - muitas vezes coloca os exemplos à frente dos pontos, o que me confundiu um pouco; e, em segundo lugar, porque sendo isto um ensaio, não tive tempo de analisar tudo com calma e ir sublinhar e apontar certos pontos importantes, bem como analisar na íntegra os documentos, erros esses que atribuo à minha pessoa. No fundo, esta nota caracteriza-me mais a mim enquanto leitor, do que o Fernando Rosas, a quem eu guardo uma enorme admiração e até inspiração. Daqui a um tempo, quando estiver a estudar a História dos Fascismos na universidade, irei voltar a ler este livro e tenho a certeza que a minha opinião será mais positiva.
Obra de sistematização de Fernando Rosas sobre o fascismo português em comparação com outros fascismos. Apesar de as circunstâncias de Portugal, Espanha, Itália,Alemanha, entre outros, serem diferentes, todos estes países sofreram a ascensão de movimentos fascistas a regimes fascista. Para Rosas o fascismo português é conservador, mas é fascismo: "regime fascista de hegemonia conservadora" (p.198). Essas características são a subordinação dos movimentos plebeus, o partido único decorativo, o imperialismo, a violência, o Estado forte, corporativismo e o totalitarismo. Apesar destas características comuns, os contextos de cada país e o contexto geral europeu não podem ser escamoteados, sob pena de a história destes regimes se tornar ininteligível. E porque a história nem se repete nem é um conjunto de ideias sem relação com as evidências, Rosas termina com uma nota de esperança, mesmo que haja paralelismos entre a era dos fascismos e o nosso tempo presente. Isto porque a história não é predeterminada, são as nossas acções que a transformam.
o livro é interessante mas como já ouvi tudo isto em aulas com o Fernando Rosas, tornou-se um pouco secante. para quem tiver interesse no tópico dos fascismos (não só em Portugal mas em toda a Europa), recomendo imenso pq explica tudo de forma clara e fácil de intender e dá imensa informação e contexto.
The topic is limited to discussing the ascension, holding onto power and collapse of Salazars regime with important comparisons to other fascist regimes and the historical context (omitting many other topics). I feel this was a (correct) conscious decision by the author to limit the scope of the book allowing it to be very readable (less than 300 pages) and fluid in its transition. The author does very well contextualising and comparing fascist regimes of Europe. It could do with some minor comparison and contextualisation with liberal (and communist) regimes at the time. However overall the book is very informative and mind opening, with closing remarks on the current right wing populist wave making its way across Europe. It is worth reading up on the author before starting, however a recommended read for anyone interested in Portugal.
Pretty good broad review of the concepts of fascism through time and a rare pragmatic analysis of the Portuguese dictatorship regimes in the 20th century.
Um bom livro para entender a história de como os movimentos fascistas, do início do século XX, surgiram. Uma escrita simples e com um seguimento cronológico muito bom
O labor da investigação e procura pelo saber nunca se faz sozinho, ignorando o que de referência já foi feito.
Nestes últimos 5 anos, entre a conclusão da Licenciatura em História e Arqueologia na UÉ e a conclusão do Mestrado em História na NOVA FCSH, aprendi imenso com a leitura de centenas de artigos e livros. De entre os muitos livros que graças a este percurso entraram nas minhas estantes existem alguns que, nas áreas da História de Portugal, da História Contemporânea e, mais concretamente, da História da Luta de Classes Rurais no Portugal Contemporâneo, foram pedras basilares para conhecer mais e questionar melhor. Por essa razão partilho aqui os mesmos, em jeito de homenagem ao conhecimento historiográfico de referência que condensam nas suas páginas:
📚 “Conflitos Sociais nos Campos do Sul de Portugal”, de José Pacheco Pereira 📚 ”Comunismo e Nacionalismo em Portugal”, de José Neves 📚 ”Anarquistas e Operários”, de João Freire 📚 ”Portugal à Coronhada”, de Diego Palacios Cerezales 📚 ”O Alentejo no século XIX: economia e atitudes económicas”, de Helder Adegar Fonseca 📚 ”A Economia Moral da Multidão na Inglaterra do Século XVIII”, de E.P. Thompson 📚 “Weapons of the Weak”, de James Scott 📚 “A Revolução Russa”, de Sheila Fitzpatrick 📚 “A Era dos Extremos”, de Eric Hobsbawm 📚 “Salazar e os Fascismos”, de Fernando Rosas 📚 ”História da Primeira República Portuguesa”, coord. Fernanda Rollo e Fernando Rosas 📚 ”O Império Colonial em Questão (sécs.XIX-XX), org. Miguel Bandeira Jerónimo 📚 ”Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa”, de Vitorino Magalhães Godinho 📚 ”História da Expansão e do Império Português”, de João Paulo Oliveira e Costa, José Damião Rodrigues e Pedro Aires Oliveira 📚 ”Identificação de um País” (vols. 1 e 2), de José Mattoso 📚 ”La España del siglo XX”, de Santos Juliá