Temos de enfrentar os nossos fantasmas...pelo menos uma vez na vida. Na década de quarenta, Mercês Perestrello é dada como louca e afastada dos seus filhos. Nos anos sessenta, as gémeas Maria Teresa e Maria Luísa seguem caminhos opostos em busca da (mesma) felicidade. Quarenta anos depois, as primas Leonor e Naná desvendam segredos nunca antes imaginados. São três gerações de mulheres a desafiar os brandos costumes, mas apenas uma a descobrir a verdade. Num país em que a prudência aconselha a seguir a máxima uma coisa de que não se fala não existe, a vontade de subverter todas as regras irá mudar o destino de uma família. Excerto da obra "Confesso que cheguei a invejar-lhes a vida organizada e ordeira, os filhos sossegados e disciplinados, aquele modelo muito burguês, muito português suave, a que o Alexandre O'Neill chamava a alegria sonâmbula, a vírgula maníaca do modo funcionário de viver, tão morno, tão brando, tão baseado nas aparências e em tudo como deve ser, porque o parecer está ainda e sempre acima do ser, e o dever, acima do prazer, do sentir, de tudo."
Margarida Rebelo Pinto licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica de Lisboa e iniciou a actividade de jornalista em várias publicações como: O Independente, Se7e, Marie Claire e Diário de Notícias. Enquanto escritora, escreveu seis romances, quatro livros de crónicas, um livro para crianças e uma biografia.
O seu primeiro livro, Sei lá, publicado em 1999, foi um dos maiores sucessos de vendas em Portugal, atingindo números de vendas pouco usuais para o país. Mais tarde, com os seus títulos seguintes, rapidamente alcançou um êxito similar. Actualmente, as suas obras encontram-se traduzidas na Espanha, Brasil, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e Lituânia.
Paralelamente à escrita, Margarida dedicou-se também ao cinema, sendo a autora do telefilme da SIC Um Passeio no Parque e, mais recentemente, às peças de teatro.
Foi o primeiro livro que a autora escreveu depois do AVC que sofreu e o que eu mais gostei... li os anteriores (very light reading) e os posteriores (o amor e porque o perdemos e como sobrevivemos a essa perda) e este pareceu-me uma lufada de ar fresco! A história contada de três mulheres da mesma família de gerações diferentes e como lidam com os outros é também light mas numa escrita organizada e coerente, notei evolução na escrita da autora dos anteriores para este!
Uma leitura de Verão... Interessante sobretudo pela linguagem e pelas recordações de infância dos que hoje têm trinta e picos. Já nem me lembrava do nome de certos jogos. Foi bom para entreter mas não é um livro para quem está à espera de ler algo com profundidade. Apesar disso, gostei mais deste do que do Não Há Coincidências.
O princípio de acompanhar 3 gerações de mulheres e as suas diferenças pareceu-me prometedor, mas o livro acabou por desiludir bastante. Começando pelo facto de existirem tantas ideias repetidas, que se o livro tivesse menos 50 páginas não faria diferença nenhuma, se calhar até seria melhor para a leitura fluir mais facilmente. Depois, cada capítulo sendo narrado por uma personagem diferente exigia uma maior distinção na escrita de cada personagem, e se não fosse pela referência a irmão, marido, filho, etc, não saberia quem estava a narrar a história em certos momentos. O livro enquadra-se também num meio com que não me identifico nada, o que não ajudou à leitura. Por fim, o "plot" é dado a conhecer de uma forma bastante reveladora antes do meio do livro, e o resto é só acrescentar mas o fim também não foi nada de deslumbrar. Leitura muito fraca na minha opinião
Gostei muito desta história. É um romance bem escrito, fluído e com temas interessantes, escrito de forma despretensiosa e leve. Fala-nos sobre a força dos laços de sangue, da família, da educação, de arrependimento, erros, tradições e alta sociedade e bons costumes. De aprender a valorizar as mais pequenas coisas da nossa vida e a olhar mais profundamente para os que nos rodeiam. Fala-nos de amor nas mais variadas formas, da verdade e da resiliência. E deixa-nos uma mensagem muito importante, na qual a força de vontade e de viver além das aparências e tradições, e que somos capazes de superar tudo, se assim o quisermos
Este foi o segundo livro da autora que li e só o fiz porque a premissa de seguir a história de 3 gerações de mulheres me pareceu interessante. Infelizmente só serviu para confirmar a opinão que já tinha. Embora lhe conceda alguns méritos na escrita e na história, a arrogância que as personagens devotam aos que não são de berço provocou-me uma irritação tremenda. Todas as mulheres são feias, gordas, burras ou estúpidas e pecado capital, mal vestidas. A única que se escapa é a cunhada da protagonista que mesmo assim é uma arrivista com uma família burgessa.
Li alguns livros de Margarida Rebelo Pinto e este foi o que mais gostei. É uma história leve, que não obriga a grandes reflexões e interpretações (bem ao estilo da autora), mas que não deixa de ser curiosa e de nos prender até ao final. Não é o tipo de livro de leitura obrigatória, que nos marca e que partilhamos com todas as pessoas, mas o propósito também não me parece que seja esse. Mal comparado, é como a sessão da tarde, ao domingo.
Lê-se bem, mas achei q a história não desenvolvia mto. É um pouco focado na descrição / narrativa das várias personagens e da a sensação que não existe ação.
Só voltei a ler MRP porque uma das minhas melhores amigas, com quem partilho livros e opinões, me emprestou este Português Suave. O melhor foi mesmo a capa e o título.