Lilia Guerra conta que criou o neologismo que dá título a este livro depois de perceber o quanto a periferia pode causar repulsa. Os personagens deste elogiado conjunto de histórias, partilham desse conhecimento de que habitam zonas negligenciadas das grandes cidades. Mas se a distância da quebrada impõe novas formas de lidar com a precariedade, as mulheres, homens e crianças deste livro transcendem toda e qualquer limitação que porventura tente aniquilá-los. E isso tudo graças à escrita luminosa de Lilia Guerra.
Lilia Guerra nasceu em São Paulo em 1976. É autora de PERIFOBIA, RUA DO LARGUINHO e AMOR AVENIDA, entre outros livros. Trabalha como auxiliar de enfermagem na capital paulista.
Já tinha amado a escrita da Lilia com “O céu para bastardos” e fiquei ainda mais embasbacada com esses contos!
As histórias tão bem contadas despertam sentimentos profundos - de raiva, de compaixão, de amor. Alguns personagens ressurgem em outras histórias e achei genial.
“Perifobia” da Lília Guerra foi uma leitura que me conquistou e entendo que merece quatro estrelas. À primeira vista, o livro parece uma antologia sobre a vida nas periferias do que imagino serem Rio de Janeiro e São Paulo. Mas conforme a leitura avança, você percebe que aqueles personagens, que aparecem de forma pontual ou em histórias curtas, na verdade se interligam em narrativas maiores. Isso cria um efeito muito recompensador quando você reconhece alguém que leu cem páginas atrás, dando mais profundidade e envolvimento à trama.
O livro é bem escrito, com uma linguagem eficiente e histórias que variam em tamanho, mas todas trazendo um vislumbre que me parece realista (ainda que ficcional) da vida na periferia. O que me impediu de dar cinco estrelas foi um certo desequilíbrio no ritmo: depois de cerca de 60% do livro, quando uma das histórias principais se fecha, a narrativa perde um pouco de fôlego antes de retomar. Talvez uma reorganização das histórias ajudasse a manter o engajamento, mas isso não diminui o valor do conjunto. Ainda assim, várias passagens me tocaram profundamente — e pelo menos duas me arrancaram lágrimas: a que encerra o primeiro grande arco do livro e o conto final da obra.
No geral, “Perifobia” oferece um olhar muito autêntico e educativo sobre histórias e vidas que muitas vezes são ignoradas. É uma leitura importante, especialmente para quem é brasileiro e quer entender melhor essas realidades. Recomendo bastante!
Com um título autoexplicativo, Perifobia é composta por diversas histórias que se entrelaçam para compor a realidade dos marginalizados e invisíveis do Brasil. Assim como toda sorte de violência que a desigualdade abre caminho para se infiltrar na vida das pessoas e por consequência nortear seu futuro.
Iniciando com histórias voltadas para o amor, aos poucos os temas sombrios encobrem as festas, as alegrias e os sorrisos, trazendo à tona os abusos infantis, a exploração do trabalho e a violência doméstica que são a realidade presente que na maioria das vezes atinge principalmente as mulheres.
É, portanto, uma obra acerca da maldade humana, da gentileza inesperada e tristemente, da realidade brasileira. Por tudo isso, tive uma ótima leitura, embora desejasse que as histórias aqui contadas nunca se realizassem fora da ficção.
Adorei o Perifobia da Lilia, estava ansiosa para ler pois tinha alta expectativa. A cada conto você vai suspirando por tristeza, amor, lamento e esperança. Lilia é uma das pessoas mais iluminadas que conheci, daquelas que te olha nos olhos e lê sua alma, te presenteia com um sorriso contagiante. Recomendo muito!
muito bom em alguns momentos, repetitivo em outros. o mal de coletâneas de contos com muitos contos é esse: não cair num lugar meio "esse conto parece o outro, parece que tô lendo o mesmo ainda" requer versatilidade - que a Lilia não teve tanta, aqui pelo menos. mais para o fim, senti falta dos personagens que ocuparam mais de um conto (complicado usar o mesmo personagem em tipo 3 contos e depois só sumir com eles). fica uma coisa meio romance meio contos meio nenhum dos dois: amontoado de histórias parecidas. a coisa cronista funciona, mas também parece tão...lugar comum. para falar de pessoas pretas e periféricas, vamos utilizar oralidade?, é uma regra isso?, ficar algo tão similar à Conceição Evaristo a ponto de ser difícil dizer que não foi ela quem escreveu esse livro? enfim,
Livro forte, super bem escrito com histórias que parecem independentes, mas que se entrelaçam de alguma forma. Lilia Guerra transforma vivências da quebrada em literatura urgente, necessária e poderosa. Mt autentica!
o tipo de livro de contos que eu gosto: história interconectadas, personagens interessantes e muito bem escrito. apesar de ser tão curtinho, me envolvi bastante e curti demais quase todas as histórias!
Desde que li o romance O céu para os bastardos que eu sou muito impressionada com a prosa eficiente da Lilian. Como se ela economizasse em adjetivos e advérbios para estar mais leve e chegar mais rápido na história. Nesse Perifobia, é assim também, mas naquela de ganhar por nocaute a cada conto, o que ela faz com certeiríssimos golpes secos. Lilian sabe muito bem andar em São Paulo (ou em qualquer cidade grande), e sabe contar dos percursos cruéis que são a própria metáfora do abismo social — e o neologismo do título é só um átomo do edifício que ela constrói. As mães, os jovens, os arranjos, as alegrias, a capacidade infinita de se virar, o desejo de existir positivamente, a incompreensão com a desigualdade, está tudo nesse imaginário da periferia, tudo a duas horas do centro, tudo desenhado nesse longe que é, na verdade, o centro de tanta e tanta gente. A gente demorou demais pra chegar em livros como os da Lilian, livros que enfrentam a angústia de frente, porque sabem olhar com o grau exato de precisão e humanidade, sem romantizar, sem fazer caricatura, mas com franqueza e precisão. E como livros assim são necessários.
Quem tem medo da periferia? Quem acha que do outro lado da Dutra, do outro lado da cidade, atravessando o viaduto, a vida é outra? Talvez seja. E talvez seja ainda mais bonita nas coisas simples. Lília Guerra escreve com um cuidado descritivo e nas ações que chama a atenção. O livro era pra ser de contos, então eu fui na expectativa de ter contato com pequenos trailers, mas até na hora de selecionar os contos vi habilidade: alguns se conectam uns aos outros, personagens reaparecem ao longo das páginas. As histórias que eram pra ser independentes de repente ganham conexão e profundidade. “Pera, eu já li sobre isso aqui, foi quantos contos atrás mesmo?”
Ela traz final feliz pra histórias tristes, mostrando que o medo que se tem de quem está “do lado de lá” não faz sentido. São personagens complexos, esféricos, mesmo com poucas páginas. Personagens profundos, que permitem entender o outro lado de um crime, a beleza de lidar com o gás que acabou, de refletir sobre a resiliência de lidar com tanto infortúnio.
Lília Guerra consegue por flores no tereno árido do medo besta que se tem dos pobres. Há beleza e doçura no chão batido de terra e na laje que se bate coletivamente. No almoço de domingo em que se divide com tantos o pouco que se tem. Na alegria de finalmente colocar uma dentadura. Só duvido que quem tem tal fobia consiga apreciar essa beleza. Eu, que vou sem medo ao outro lado da Dutra, fico feliz de ter conseguido.
Esse livro é o suco de Lilia Guerra, uma das maiores autoras brasileiras contemporâneas. Tem estilo, tem samba, tem coragem, tem delicadeza e tem verdade. É um livro vivo, sobre pessoas ambivalentes, genuinamente complexas. Eu adorei acompanhar essas trajetórias, foram meus contos favoritos do ano passado, e me surpreende ela ainda não ser tão lida ao redor do nosso país, ou até do mundo. Recomendo fortemente a playlist que acompanha essa obra, é uma ótima pedida para quem gostou das epígrafes. Caso queira ver uma resenha em vídeo sobre o livro ou minha entrevista com a Lilia, fica aqui a recomendação do meu canal literário lá no Youtube, o Gira Trinco. Passa lá depois pra conferir ;) https://www.youtube.com/watch?v=-oxeX...
“Perifobia”, de Lilia Guerra, é uma coletânea de contos que se cruzam em muitos momentos, como se cada personagem fosse um pedaço vivo da mesma quebrada. As histórias se entrelaçam mostrando o cotidiano, os sonhos e as dores de quem vive à margem do mapa. Longe de causar repulsa, o livro faz o contrário: aproxima, provoca empatia e escancara que o que deveria causar desconforto não é a periferia, mas a falta de acesso, de oportunidades e de dignidade. Lilia entrega uma narrativa potente, que transforma o ordinário em poético e o invisível em protagonista.
Um dos melhores livros que li nesse ano de 2025. Quem já morou ou mora em comunidades e favelas consegue facilmente se identificar ou identificar pessoas que conhecemos nessas histórias. Histórias que sempre acabem interconectadaa de alguma forma... As vezes com finais felizes, outras com finais tristes....
Imenso prazer termos grandes nomes como o de Lilia Guerra representando nossa literatura afro-brasileira feminina. Lilia é gigante, poucos contos, 2/26, não chegaram lá.
Escrita de uma sensibilidade profunda e que me trouxe, como leitora, pra dentro das histórias. Li o livro inteiro com um aperto no peito genuíno de enxergar histórias pessoais dentro da narrativa.
Imenso prazer termos grandes nomes como o de Lilia Guerra representando nossa literatura afro-brasileira feminina. Lilia é gigante, poucos contos, 2/26, não chegaram lá.