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Um Crime da Solidão - Reflexões Sobre o Suicídio

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Uma seleção inédita de textos do extraordinário autor de O demônio do meio-dia e Longe da árvore, que discutem com sensibilidade e empatia os vários aspectos do suicídio e da depressão. O demônio do meio-dia foi um livro divisor de águas sobre a depressão. Seu autor, Andrew Solomon, tratou de forma singular e inédita sobre esse mal que afeta milhões de pessoas no mundo, mas que, muitas vezes, ainda não é tratado com a seriedade devida. O suicídio é o extremo a que a doença pode levar, e é muito mais comum do que imaginamos: a cada quarenta segundos, alguém tira a própria vida. Nestes artigos que foram reunidos em livro pela primeira vez, numa edição exclusiva para o Brasil, Solomon reflete sobre casos recentes de suicídio de personalidades, como Anthony Bourdain, Robin Williams e Kate Spade, assim como de literatos, entre eles Sylvia Plath e David Foster Wallace, e ainda Virginia Woolf, que “tentou salvar-se pela arte” mas que sofria de um mal clínico intolerável e escolheu a água como um meio de morrer. Com sua narrativa fluida e seu olhar sempre empático, ele relata e analisa uma série de casos de pessoas que acabaram partindo antes da hora.

112 pages, Paperback

Published November 9, 2018

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237 people want to read

About the author

Andrew Solomon

46 books1,513 followers
Andrew Solomon writes about politics, culture, and health. He lives in New York and London. He has written for many publications--such as the New York Times, The New Yorker and Artforum--on topics including depression, Soviet artists, the cultural rebirth of Afghanistan, Libyan politics, and deaf culture. He is also a Contributing Writer for Travel and Leisure. In 2008, he was awarded the Humanitarian Award of the Society of Biological Psychiatry for his contributions to the field of mental health. He has a staff appointment as a Lecturer in Psychiatry at Cornell Medical School (Weill-Cornell Medical College).

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Displaying 1 - 30 of 34 reviews
Profile Image for Cláudia Azevedo.
398 reviews223 followers
February 23, 2021
Andrew Solomon volta a escrever sobre a depressão, uma das doenças mais incapacitantes e mais mortíferas. Testemunha o sofrimento na primeira pessoa, com total propriedade. Revela casos graves de amigos. Fala sobre o suicídio da própria mãe, que padecia de uma doença incurável (um relato pungente). Olha para a depressão no tempo (para as várias formas como já foi encarada) e no espaço (em diferentes culturas e geografias), ambos fatores determinantes no tratamento e no estigma (ou falta deles). Refere a questão semântica, que vejo como fundamental.
Foi uma leitura muito proveitosa para a minha investigação sobre notícias de saúde e doença mental, sobretudo numa altura em que nem sabemos nomear o ainda inominável.
Profile Image for Fátima Linhares.
959 reviews341 followers
May 7, 2025
O suicídio é um crime da solidão, e as pessoas muito aduladas podem ser assustadoramente sós. A inteligência não ajuda nessas situações; a genialidade é quase sempre profundamente isoladora.

Comecei a ler este livro ainda ontem à noite e, como hoje acordei cedo, já o terminei.

Nesta obra temos nove textos, a maior parte escritos para revistas. Todos falam de depressão e suicídio, duas coisas que sempre existiram e continuarão a existir, e que muitas vezes parece que andam de mãos dadas, de uma forma muito lúcida e sem estigma ou julgamento.

O autor reflete sobre casos de suicídios de famosos e de pessoas comuns que lhe foram muito próximas, como a sua mãe.

É uma boa forma de tentar, ênfase no tentar, pois cada pessoa é um mundo, perceber o que se passa na cabeça de quem termina com a própria vida.
Profile Image for António Dias.
178 reviews20 followers
April 20, 2021
Uma leitura muito fluída, séria e profunda sobre um tema que me interessa - a depressão e o suicídio - de um autor, Andrew Solomon, que eu desconhecia.

Com a autoridade, o conhecimento e a sensibilidade de quem passou por muito, este relato na primeira pessoa, ainda que muitos dos textos abracem pessoas mais ou menos próximas de Andrew, sensibilizou-me, com alguma surpresa, pela forma como me tocou.

A classificação é o que é (neste caso seriam 4,5*) mas mais importante do que a nota, é o que trazemos para a vida desta leitura e, se bem que, do alto da minha ignorância e afastamento em relação a alguns dos aspectos em que o autor toca, eu discorde da sua posição, algo ficou, talvez acima de tudo esta nota: sofrer um estigma é, infelizmente, a forma mais eficaz para deixarmos cair o impeto de julgar.

"Quem nunca fez uma tentativa de suicídio, sozinho, ou quem nunca ajudou alguém a cometê-lo não consegue imaginar até que ponto é difícil uma pessoa suicidar-se. Se a morte fosse uma coisa passiva, que acontece aos que acham que não vale a pena resistir, e a vida uma coisa activa, que só prossegue porque há um compromisso quotidiano, então o problema do mundo seria uma redução da população, e não um aumento."
Profile Image for Tânia Tanocas.
346 reviews48 followers
March 3, 2021
Já conhecia o Andrew por causa do livro "O Demónio da Depressão", não li o livro de fio a pavio (como se costuma dizer) mas li as partes que mais me interessavam ou seja quase todo o livro foi escrutinado, mas não do inicio ao fim.
A depressão, o suicídio, a ansiedade, fazem parte de temas que particularmente me interessam, costumo dizer que aprendo comigo, mas a ajuda dos outros também é bem vida, este livro são pequenos relatos de como o suicídio ainda é ainda um tabu e como é que pode ser desmistificado.
O nosso cérebro é uma máquina única que tem poderes que por vezes desconhecemos e é a ler este tipo de relatos que ficamos com uma ideia de como as doenças mentais estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia e de como as podemos combater.

"A depressão é uma doença da solidão, e a privacidade de uma pessoa deprimida não tem nada que ver com dignidade; é uma prisão."

"Embora em algumas pessoas a angústia surja de modo vulcânico e precoce, noutras ela desenvolve-se como uma plataforma continental."

"Muitíssimas pessoas levam uma vida de desespero e não se suicidam porque não sabem como pôr termo á vida."
Profile Image for Tiago Massoni.
113 reviews5 followers
January 3, 2019
O último artigo devia ser leitura obrigatória pra todo bípede pensante nesse mundo de Deus.
Profile Image for Vera Sopa.
757 reviews72 followers
April 11, 2024
Este é um tema que me inquieta. E que procuro saber mais, talvez por ser de difícil compreensão para quem não chegou a um ponto de o ponderar como uma saída ou alternativa. Andrew Solomon é conhecido por o abordar com base nas suas vivências com sensibilidade e clareza. E este é um livro que comecei sem conseguir parar de o ler. Não é um livro amargo mas lúcido e esclarecedor.
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
May 8, 2021
“Um Crime de Solidão – Sobre o Suicídio” foi das narrativas mais fascinantes, mais interessantes, mais incríveis que li nos últimos tempos. Entre o romance e o ensaio, Andrew Solomon apresenta-nos, de forma clara, analítica, sem qualquer tipo de preconceito, todas as questões que nos levam a entrar em estados depressivos e que, em muitos, casos terminam em suicídios.

Dividido em nove histórias que o autor nos apresenta como casos graves de depressões, a sua contribuição para a compreensão desta patologia consiste numa espécie de exercícios através da qual nos leva a participar em estados reais, umas com conclusões felizes, outras com um final inevitável. Pondo a nu toda a panaceia de soluções, Andrew Solomon permite que nos aventuremos nesse mundo de vulnerabilidade, mas também de resiliência que a todos nos afeta, seja por este ou por aquele motivo, todos eles válidos.

Não creio que a depressão, conforme o autor afirma, seja “uma doença da solidão”, embora reconheça que quem dela sofra, sinta-se aprisionado na sua privacidade, no seu mundo interior, nas suas feridas internas, na ausência de autoestima provocada por elementos exógenos, nas suas mágoas, predicados esses que podem ser exacerbados para sensações de irremediabilidade e autoaniquilação. “O nosso coração expande-se com todas as lembranças que não se consegue livrar”. Na minha perspetiva, o estado de solitude será aquele que mais favorece a minimização da solidão, pese embora a presença muitas vezes “audível” de alguns dos pressupostos acima assinalados.

Da primeira do nove “short stories” – A um Esteta que Morreu Jovem” – retiro eta reflexão: “Se o tivéssemos amado quando estava vivo, como o amamos enquanto morto, ainda estaria vivo?” Como funciona a epifania da morte? Fiquei a saber que “o facto de uma pessoa ser extremamente feliz não significa que seja extremamente triste; a extrema felicidade é muitas vezes uma janela para a tristeza, se soubermos olhar por ela”. Uma iluminação para a alma!

Em relação ao suicídio, Solomon apresenta um oximoro: “O suicídio é o fracasso de mil oportunidades para ajudar, da nossa capacidade de salvar a pessoa que morreu”. Vislumbro uma relação contraditória nesta oração pois se tivemos a oportunidade, o que deixou de lado a capacidade? “Todos poderíamos tê-lo lembrado de que é possível ultrapassar a mágoa e ainda assim encontrar sentido nessa mesma mágoa e razão suficiente para continuar a viver”.

O segundo texto “A Morte da Luz” consubstancia uma pura comoção. Trata-se do suicídio assistido da mãe do autor, numa confrontação entre partir voluntariamente/eutanásia. “Odeio a dor” (quem poderá pensar de uma outra forma?), sentida, com toda a minha e creio que de todos, aprovação, como um “sentimento de ultraje, a indignidade do que se lhe apresentava pela frente, com um profundo receio de perder o controle da sua vida”. Quando deixamos de ter o poder sobre o desenvolvimento da nossa vida, não será melhor partirmos em paz? Não será melhor aceitarmos que estamos a morrer aceitando esse facto com “uma certa radiância, física e profunda” que, por fim parece mais “poderosa do que a decadência?”. Sem dúvida, pelo menos para mim!

Andrew Solomon continua a abordar a temática do suicídio, perpetuado numa análise do sim/não, vencendo o não apenas por uma perspetiva de que o sim é muito complicado de realizar. Ou porque não sabemos como pôr fim à vida ou pelo facto de que a família, os amigos, terão sempre um papel primordial num processo de desespero exógeno.

Outro ponto que me marcou foi o relato da mãe de Solomon que, por força da doença, suicidou-se em 1991, aos 58 anos de idade que, no leito da morte, teve esta iluminação. “Não pensem que me estão a prestar um grande tributo se deixarem que a minha morte se torne o mais importante acontecimento das vossas vidas. O melhor tributo que me podem prestar como mãe é seguirem bem frente e terem uma vida feliz e preenchida. Tirem partido do que têm” (…) não trocava a minha vida por nenhuma outra vida do mundo. Amei completamente e amaram-me completamente, e fui muito feliz”. Pessoalmente, gostaria muito que, quando chegar a hora de abandonar esta realidade, tivessem esta última reflexão presente em forma de epitáfio: não trocava a minha vida por nenhuma outra vida do mundo. Amei completamente e amaram-me completamente, e fui muito feliz.

Muito mais haveria a dizer sobre este livro extraordinário. Mas deixo a descoberta a todos os que se interessam pelo tema. Acreditem que aprendi muito, que me identifiquei em muitos momentos, que assenti tão sábias palavras de alguém que sofreu muito e viu a sua vida por um fio. Tendo decidido partilhar a sua experiência, tendo feito perceber que a depressão não é e nunca será um estigma e que, se estivermos nessa situação, devemos procurar toda a ajuda possível. Houve também algo que me impressionou: a diferença entre depressão, sofrimento e preguiça. Nunca tinha perspetivado a depressão como algo que está ligado a um dos sete pecados mortais. Mas, após alguma reflexão, creio fazer todo o sentido.

Acho que vale a pena citar uma clarividência da conclusão:

“Repetindo a minha pergunta original: porque é que algumas pessoas com depressão aguda conseguem orientar-se razoavelmente bem? Qual a natureza dessa resiliência face a uma doença tão grave? (…) Não as escolhi porque a sua doença fosse mais ou menos grave, MAS PORQUE CONSIDEREI CORAJOSA, DE CERTA MANEIRA, A SUA FORMA DE LIDAREM COM A DOENÇA” (letras maiúsculas da minha autoria).
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews62 followers
July 25, 2021
"A depressão tem vindo a ser descrita há pelo menos 2500 anos e é conhecida, inquestionavelmente, há muito mais tempo. A definição de Hipócrates é, a meu ver, muito mais precisa do que a bizarra matemática do DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), com as suas listas de sintomas. Hipócrates descreveu uma doença que afligia os seus pacientes. Dizia que ocorria com mais frequência no outono e no inverno. Os sintomas eram «tristeza, ansiedade, abatimento moral, tendência para o suicídio, desânimo, insónias, irritabilidade e nervosismo, acompanhados de um medo prolongado». Acho que é claramente a depressão tal como a conhecemos."

Excerto de "Também a depressão é uma coisa com penas"

***

"Para ela [Virginia Woolf], o fracasso da linguagem estava na incapacidade de encontrar, na própria falta de palavras, um silêncio nobre como o de Orlando. Há sempre muito interesse pelos documentos deixados por quem se suicida. Embora este tipo de documentos costume ser descritivo, no caso de Woolf eles (os livros, o bilhete de suicídio, tudo junto) são emblemáticos. Mais do que usar a linguagem para fazer uma declaração sobre a sua decisão de acabar com a vida, ela mostra, através da linguagem, por que motivo a sua autoabnegação se tornou inevitável. Como Lear, Woolf tem, nas palavras, o instrumento da sua morte."

Excerto de "Ontologia de um suicídio"

***

O contributo de Andrew Solomon para melhor compreendermos a depressão e o suicídio parece-me inestimável: "Um Crime da Solidão" reúne textos que se focam no suicídio e que reflectem, também, o estudo da depressão a que o autor se tem continuamente dedicado ("O Demónio da Depressão" e "Longe da Árvore" saltaram, de imediato, para a minha lista de livros a ler no futuro); o que existe de tão particular neste autor? A experiência pessoal: a depressão vivida na primeira pessoa e a disponibilidade (generosidade) em escrever e reflectir sobre o suicídio assistido da mãe, sobre o suicídio de um amigo. Ao invés de negar, de esconder, de fechar, Solomon abre o espaço da intimidade e convida à reflexão de questões milenares: a depressão, como refere num dos textos, é documentada há pelo menos 2500 anos e foi sendo interpretada, ao longo dos séculos, de formas muito díspares. Nós, pelos vistos, no século XXI, continuamos presos à forma como a depressão era concebida na Época Medieval — algo de vergonhoso, de pecaminoso... Expressões como "faz-te homem!" ou "a depressão é para os fracos" continuam a ecoar à nossa volta e carregam esse peso insustentável que nem a suposta evolução civilizacional soube recriar.
Profile Image for Luluísa.
247 reviews27 followers
December 11, 2021
Gostei muito do início do livro onde é descrito a sua experiência relativamente ao suicídio de um grande amigo e mais tarde da sua própria mãe. Nesta parte do livro só tenho a apontar que poderia ter sido mais extensa de modo a aprofundar ainda mais cada situação.
O meio do livro começou a perder-me. Focou-se mais em famosos que se suicidaram e apesar de ter aprendido coisas que não sabia senti que este tópico foi abordado de modo mais superficial.
O último terço do livro é que sim! Adorei imenso esta parte mais técnica, com mais dados e com exemplos que o autor foi conhecendo ao longo das suas pesquisas...
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books552 followers
January 3, 2021
Teremos realmente a noção de quantas pessoas se suicidam por dia? E devemos falar disso?

Acabar com a própria vida. É disso que trata uma boa parte deste livro. Organizado através de crónicas que o autor publicou em várias revistas e jornais, o livro aborda a questão do suicídio com um grande cuidado.

E são, de facto, mais as questões que levanta do que as que responde. Como deve ser tratado o suicídio pelos terapeutas, pelos jornalistas, pelos amigos de pessoas deprimidas?

O final do livro é desnecessário aqui, ou pelo menos fora do âmbito direto: trata-se da introdução do livro do autor sobre a depressão. Achei que serviu apenas para encher algumas páginas e não tornar o livro demasiado pequeno.

Embora cuidada, a abordagem ao tema é muito limitada e hesitante. É uma leitura esclarecedora mas incompleta, faltando claramente um aprofundar do tema e dos casos descritos.
Profile Image for Leandro.
74 reviews8 followers
December 21, 2018
"E eu disse sim, com o mesmo sentimento com que, mais tarde, trataria o amor, as aventuras, as viagens e a vida, com aquela sensação de quando se olha para os dois lados, conclui que é perigoso mas mesmo assim vai em frente."

um livro muito necessário, em 2019 espero ler mais Solomon
Profile Image for Veronica.
80 reviews22 followers
November 28, 2019
Coletânea de ensaios e excertos do autor sobre o tema suicídio. Depois de um longo e tenebroso hiato, finalmente terminei a leitura de um livro, depois de abandonar vários. Ainda não estou conseguindo me entregar à ficção, uma pena.
O livro de Solomon é bem sensível e direto, não maquia o suicídio para além do que ele é na verdade. Recomendo bastante.
Profile Image for Lucille.
1,383 reviews21 followers
October 14, 2022
uma obra fascinante abordando com maestria um tema que ainda é tabu na sociedade, uma leitura indispensável tratando o tema com a responsabilidade que precisa ser tratado causando muito impacto
Profile Image for Francisco Delgado.
38 reviews1 follower
Read
July 16, 2022
Num mundo que teima em julgar e procurar incessantemente razões que possam ter levado alguém a tirar a própria vida, Andrew Solomon - através deste compêndio de textos - desconstrói o conceito de suicídio, não apenas da perspectiva de quem fica, mas também de quem (infelizmente) partiu. O autor rejeita a adjectivação tradicional de ‘egoísta’ e/ou ‘cobarde’ atribuída a quem põe termo à vida, e mostra o quão desgastante pode ser viver com a idealização de suicídio como solução única para a depressão, isolamento e ansiedade. De um problema frequentemente esquecido/desvalorizado e somente traduzido em estatísticas, Solomon oferece uma visão humanizada daqueles que veem o suicídio como único escape para uma mísera existência.

A propósito do suicídio, o autor refere que - ‘Quem nunca fez uma tentativa de suicídio (…) não consegue imaginar até que ponto é difícil uma pessoa suicidar-se. Se a morte fosse uma coisa passiva, que acontece aos que acham que não vale a pena resistir, e a vida uma coisa activa, que só prossegue porque há um compromisso quotidiano, então o problema do mundo seria uma redução da população, e não um aumento’.

Posteriormente, e sobre o suicídio de Virginia Woolf: ’Se o suicídio é a opção escolhida por aqueles que acreditam que a dor da vida suplanta o seu prazer, então o suicídio de Woolf nasceu de uma intensa alternância entre os estados. Ela sofria, afinal, de um mal clínico que era intolerável e degradante, mas a compreensão que retirou dessa enfermidade impregna a sua obra e está directamente envolvida na magnificência que ela era capaz de alcançar quando a cortina subia’.

Por fim, e acerca do estigma associado à depressão: ‘A depressão é extenuante. Ocupa demasiado a nossa consciência. É morosa (…) Para quase todas as pessoas com depressão, ela é uma doença recorrente, para toda a vida. A ideia de ter de viver, para além de tudo isso, sob a tensão do silêncio apenas faz com que a depressão se torne mais grave e mais intrusiva’.

Obrigado, Andrew!
Profile Image for Marta D'Agord.
226 reviews16 followers
February 14, 2021
Nesta compilação de artigos em revistas e jornais, o último, “A depressão também é uma coisa com penas”, é a sinopse do livro de 2001. O título é uma paráfrase à “esperança é a coisa com penas” de Dickinson. Neste que é o texto mais longo do livro, o autor comenta que pretendera escrever um livro que fosse uma resposta a algumas necessidades quando estava severamente deprimido. Inicialmente, ele queria unificar o campo, porque, embora encontrasse livros sobre depressão nas áreas de filosofia, neurologia, psicodinâmica, economia, teologia, autoajuda, memórias, autobiografia, sociologia, antropologia e história, a situação em todo esse campo era caótica; pois diferentes escolas de conhecimento não estavam integradas nem unificadas. Para um leigo que tentasse entender alguma coisa sobre depressão, era muito difícil juntar ideias díspares num todo coerente. Inicialmente, o autor queria descobrir uma voz única que mostrasse que ideias vistas como conflitantes sobre depressão eram múltiplos vocabulários para descrever o mesmo conjunto de fenômenos descritos, desde Hipócrates, como: “tristeza, ansiedade, abatimento moral, tendência ao suicídio, aversão a comida, prostração, insônia, irritabilidade e inquietação, acompanhados de medo prolongado”. Essa definição de Hipócrates não seria mais precisa do que a contabilidade do DSM? Nesse balanço de vinte anos da crise que o levou a pesquisar sobre o fenômeno que o abatia, o autor ensina que há uma sabedoria a extrair da tristeza: “a tristeza não tem que obscurecer a beleza, na verdade a realça”. Reescrevendo, eu diria que no sublime cabe o mais belo e o mais triste.
Profile Image for Célia Regina.
115 reviews6 followers
December 8, 2020
Solomon é maravilhoso. Escreve com clareza e sentimento. Recomendo vivamente a leitura.
Profile Image for Inês Lóio.
121 reviews6 followers
July 8, 2021
“Mantivemo-nos cegos por displicência, por não querermos ver-te, ou por vivermos na ilusão de que as superfícies onde navegávamos eram profundezas?”
Profile Image for Carla Parreira .
2,086 reviews4 followers
Read
May 12, 2025
Melhores trechos: "...Depressão é uma doença da solidão, e a privacidade de um deprimido nada tem a ver com dignidade; é uma prisão... Uma vez decidido o futuro, pudemos viver plenamente o presente... É verdade que, em pessoas com tendência significativa para o suicídio, fatores externos podem deflagrar o ato, mas situações difíceis não costumam explicar por completo a escolha de alguém de acabar com a própria vida. As pessoas devem ter uma vulnerabilidade intrínseca; para cada homem que se mata quando é abandonado pela mulher, há centenas que não se matam ao passar pela mesma situação... Cinquenta por cento dos suicídios americanos envolvem arma de fogo. O controle de armas de fogo seria a forma mais rápida de reduzir suicídios nos Estados Unidos. fogo conseguem pôr fim à vida. O suicídio é, com frequência, um ato impulsivo e, se os meios não estiverem à mão, o impulso passa e as pessoas vão em frente e vivem bem... Suicídio se propaga na família. Não se sabe com clareza até que ponto é uma predisposição genética e até que ponto ter um pai ou uma mãe que se matou torna a opção mais prontamente disponível, embora as duas coisas sejam sem dúvida verdadeiras. O suicídio é o ponto-final de muitas depressões, mas inúmeras pessoas, apesar de agudamente deprimidas, não se tornam suicidas. Cometer suicídio requer um misto de depressão e impulsividade; a depressão em excesso é passiva, submissa e neutralizante. A dor pode ser intolerável, mas a perspectiva de tomar uma providência deliberada como o suicídio é esmagadora... Numa depressão a pessoa se sente tão totalmente destruída, tão pouco ela mesma, que isso pode levar a uma disposição suicida... depressão tende a ser cíclica. O episódio inicial com frequência combina uma vulnerabilidade biológica com um gatilho ambiental. Algumas pessoas são imensamente vulneráveis e ficam deprimidas depois de um minúsculo gatilho ambiental. Outras não são tão vulneráveis e precisam de um gatilho grande de fato para caírem em depressão aguda. Uma vez desencadeada a doença, chegase a um ponto em que, com ou sem gatilhos ambientais, a tendência é experimentar ciclos alternados de bem-estar e depressão... Vivíamos trocando de remédio. Mas eu apenas continuava afundando. Acreditava nos meus médicos. Sempre concordei que eu acabaria voltando ao normal. Mas não conseguia esperar. Não conseguia esperar nem mesmo o próximo minuto. Eu cantava para apagar as coisas que a minha mente dizia, que eram: ‘você nem merece viver. É uma inútil. Nunca vai ser nada. Você não é ninguém’. Foi quando de fato comecei a pensar em me matar. Na depressão, você não acha que colocou um véu cinza e que está vendo o mundo através da névoa do mau humor. Você acha que o véu foi tirado, o véu da felicidade, e que agora é que você está enxergando de verdade. Você tenta pegar a verdade e desmontá-la. E acha que a verdade é uma coisa fixa. Mas a verdade é viva e corre de um lado para o outro. Você consegue exorcizar os demônios de esquizofrênicos que acham que há alguma coisa estranha dentro deles. Mas é muito mais difícil com pessoas deprimidas, porque nós acreditamos que estamos vendo a verdade. Só que a verdade mente..."
Profile Image for Cristina Delgado.
255 reviews72 followers
April 21, 2024
Livro de não ficção. Ouvi num dos grupos de leitura falar sobre esta obra e fiquei curiosa. É um livro relativamente pequeno mas pesado pelo seu conteúdo. Aborda algumas causas prováveis do suicídio e relaciona-o também, mas não só, com a depressão.

Não é uma leitura fácil e que pode provocar alguns sentimentos de tristeza e desencanto. Talvez por isso eu não o leria caso sofresse de depressão neste momento, embora considere que aborde muito bem muitas das causas que podem levar ao suicídio.

Relata vários casos sobre a depressão e como ela pode estar intimamente ligada ao suicídio e serve como uma pequena “introdução” ao seu livro sobre a depressão, um verdadeiro tijolo, “O Demónio da Depressão”. O facto de referir vários exemplos leva o leitor a ficar mais atento e interessado no tema. E, sobretudo, entender que podemos estar perto de alguém com tendência para o suicídio e não dar atenção, nem reparar! Refere, por exemplo, como é importante falar com alguém que imaginemos estar com problemas profundos. "Algumas pessoas pensam erradamente que questionar alguém sobre suicídio vai aumentar o risco, perguntar não só não aumenta o risco como pode salvar uma vida" (pag.61).

Fala de si, de seus familiares, de amigos próximos e também de gente conhecida e de que forma foram tocados pelo suicídio deles ou pensaram em executá-lo. "O suicídio é resultado do desespero, da impossibilidade da esperança, da sensação de se ser um fardo para os outros. Pode ser alimentado por uma doença mental ou por circunstâncias da vida, mas é quase sempre o resultado das duas." (pag. 55)

Muitas vezes, a depressão é vista pelos outros como algo leve e não se compreende que existe uma diferença entre a tristeza comum e a depressão. "Ora, eu também fico deprimido e lido bem com isso." (pag. 122).

Um pouco de empatia com o outro que nos rodeia, precisa-se!
Profile Image for Steph Mostav.
454 reviews27 followers
June 22, 2020
(TW: Discussão sobre suicídio e depressão) Terceiro livro lido na #MLI2020 e esse aqui mexeu com meu emocional, com meus gatilhos e com algumas das minhas percepções a respeito da depressão e do suicídio. Durante os primeiros ensaios, principalmente o primeiro, eu só conseguia chorar e precisei reler para absorver as considerações desse professor de psiquiatria. A posição de Solomon (que é autor do conhecido volume "O demônio do meio dia") a respeito do suicídio é responsável: ele sabe que o assunto deve ser tratado com a seriedade necessária e também deve ser discutido e não omitido pela vergonha e pelo medo. São nove ensaios, alguns profundamente pessoais, como os que se referem à sua mãe e seu amigo de faculdade, outros tratam de casos famosos como os de Virginia Woolf e Sylvia Plath e o último ensaio trata da depressão no geral e desmente a ideia de que é uma doença moderna, ocidental e de classe média. O que está sempre presente é o reforço de que o tratamento e a terapia são fundamentais, o acompanhamento profissional é necessário e que a depressão se manifesta de diferentes maneiras, afeta as pessoas em níveis diversos e não deve nunca ser banalizada. Me identifiquei em muitos dos relatos que ele reuniu (e chorei mais algumas vezes...) e entendi melhor alguns dos exercícios que minha psicóloga incentivava que eu fizesse. Não é um livro excelente, é como uma versão resumida e específica de "O demônio do meio dia", mas todos os textos são relevantes.
Profile Image for Marcia Guimaraes.
32 reviews9 followers
April 28, 2019
Confesso que comprei este livro e o passei à frente de O Demônio do Meio Dia, do mesmo autor, também sobre a depressão, pela possibilidade de encontrar páginas dedicadas a Sylvia Plath e Virginia Woolf. Infelizmente, o autor só olhou e não se esticou, dedicando poucas páginas a essas duas grandes mulheres escritoras. Gostaria, imensamente, que ele tivesse se estendido mais e com mais profundidade, mas também sei, ao mesmo tempo, da responsabilidade que é falar de Plath e Woolf, ainda mais sobre o assunto de transtornos mentais. Mesmo assim, nem que fosse uma linha a mais sobre o filho de Plath, que cometeu suicídio, e a quem ele faz referência, poderia ter acontecido. Quem foi ele, com qual idade ele se foi, qual idade tinha quando perdeu a mãe... - bem, o filho de Plath era Professor e pesquisador, fascinado pela natureza, principalmente pelos oceanos, se aproximando muito ao pai, o também poeta Ted Hughes, e deixou toda uma "vida" quanto se foi, então penso que poderíamos ter conhecido isso, e um pouquinho mais, na obra de Solomon. Mas essas são minhas demandas como fã de Plath. O livro não deixa de ser uma leitura agradabilíssima e importante sobre um tema fascinante e sempre urgente.
57 reviews
September 21, 2022
É daqueles livros que correspondeu à expectativa, Solomon tem uma escrita delicada e bem arquitectada, mas também muito humana. Esta colecção de textos surpreendeu-me pela forma precisa e sem eufemismos com que o autor expõe a temática do suicídio.

Os textos que mais me marcaram foram "A um esteta que morreu jovem" e "A epidemia oculta", mas todo o livro é brilhante e propulsor de esperança, foi difícil não sublinhar todas as frases de Solomon! A minha cópia está, então, toda sublinhada, tal não era a minha admiração pelas ideias do autor. (Devo dizer que só não concordo com uma ideia apresentada sobre a correlação da pobreza com a depressão, mas ao longo de todo o livro Solomon fundamenta as suas ideias com argumentos/artigos científicos, o que também é um dos seus pontos fortes - no entanto, neste caso específico da pobreza fiquei na dúvida.)

E, sem dúvida, que Solomon está certo quando afirma que, na sua pesquisa, encontrou que a depressão afecta as pessoas de modos muito distintos: gravidade e funcionalidade nem sempre se correlacionam facilmente. Fico curiosa para ler o seu outro livro nesta área, The Noonday Demon , que já tenho, mas também tenho um big book fear que me faz deixá-lo para depois ;)
Profile Image for Letícia R.
49 reviews5 followers
April 1, 2021
É um livro de reflexões interessante, que me fez pensar além do que eu já sabia sobre depressão e suicídio, entretanto, não há muitos aprofundamentos e dados comprovados... E eu sei, entendo, que reflexões são isso, desabafos etc., (no caso, são descobertas e a experiência pessoal do autor) mas mais informações fazem falta para mim, em certos momentos.
Ao mesmo tempo que ele apresenta a depressão como uma doença que se manifesta diferentemente por determinados motivos e que possui diversas formas de tratamento para cada pessoa... Ou seja, ao mesmo tempo que amplia bem o tema central, tem momentos que há umas generalizações sociais que me desagradam muito.
A conclusão do livro também não me agradou, mesmo lendo a parte em que o autor explica que não está romantizando a doença, mas dizendo que aprendeu a viver de forma diferente/melhor depois disso... Senti um pouco do romantismo e não consegui me desfazer.
Enfim, valeu a pena para entender historicamente e mundialmente melhor a doença psíquica, mas fiquei um pouquinho decepcionada.
28 reviews
December 18, 2024
A vitalidade descrita como antologia da depressão foi a coisa mais bonita e sensível que li em meses. Um conforto de ler quem já passou pela doença, por pessoas que de forma impulsiva ou não, tiraram a própria vida. Investiga também o passado e a trajetória dessas pessoas para além da causa da morte delas, afinal a vida de alguém não se resume ao momento final dela.

Por ser um livro de ensaios e reflexões que não necessariamente devem ser lidas em ordem, podemos ver que a depressão como uma doença plural pode ter diversos sinais e nem todos são tão visíveis ou incapacitantes como o estigma da doença.

'A depressão em excesso é passiva, submissa e neutralizante. Toda vida que se perde para o suicídio é trágica, esteja ou não associada à poesia'. Aqui, tal como o autor escrevo de dentro dela, em uma busca incessante e eterna da vitalidade. Essa, para mim é a forma mais honesta de amor não somente próprio, mas para todos que foram necessários pra minha construção, seja física, seja espiritual.
Profile Image for Marianne.
156 reviews
January 22, 2020
Andrew Solomon fala em seus livros sobre o viveu, presenciou, escutou, estudou. E esse livro fala sobre suas experiências, próprias e de seus conhecidos, relacionadas à depressão e ao suicídio.

Certo é que ele tem outro livro (calhamaço) sobre a depressão e o assunto principal deste livro é o suicídio.

[Emoção durante a leitura não faltou. Chorei em sua narração sobre o suicídio assistido de sua mãe; senti raiva quando ele fala do que percebia de sua mãe a respeito de sua homossexualidade. Penalizei-me pelo bullying em sua infância (e por todos que passam o mesmo).]
Profile Image for Caetano.
5 reviews1 follower
July 13, 2020
Boas reflexões acerca da depressão e do suicídio. Sem dúvida para mim os pontos altos foram os dois primeiros textos, bastante tocantes, nos quais são contextualizados o suicídio da mãe de Andrew e de um grande amigo seu. Vale destacar também a forma rica - em empatia e para a empatia - e delicada com que são abordadas a experiência com a depressão tanto do autor quanto de pessoas entrevistadas por ele. Acredito se tratar de uma excelente porta de entrada para a leitura de Longe da Árvore e O Demônio do Meio-Dia, que já estão aqui na minha estante a aguardarem na fila.
Profile Image for Luiza.
220 reviews5 followers
July 20, 2019
Livro curto e de fácil leitura — embora o tema seja bastante complexo. O autor escreve muito bem, é claro e torna a leitura fluida, o que ajuda muito. A seleção dos textos também foi bastante feliz: fala-se um pouco de cada assunto, tecendo uma teia bastante vasta sobre a depressão e o suicídio.

Li, vou reler, e certamente recomendarei às pessoas que o façam também.
Profile Image for Suzana Sampaio.
11 reviews3 followers
April 5, 2021
Livro curtinho e lido de uma vez só.
Alguns artigos são facilmente encontrados on-line, já que foram publicados em jornais, e estão disponíveis para quem sabe inglês. Outros fazem parte de outros livros, principalmente "o demônio do meio-dia". Para quem acompanha o Solomon e já leu outros livros, este não acrescenta muita coisa.
Profile Image for Benja Ni.
7 reviews2 followers
May 27, 2023
Leitura fácil apesar do assunto denso e delicado. Recomendo uma franca autoanálise antes de considerar lê-lo. Há que se tomar cuidado com as palavras.
Displaying 1 - 30 of 34 reviews

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