São pequenas histórias a formarem uma só. Una e intacta. Poesia a lançar já pontes para a ficção. Sem rima, fraseada, falando do futuro da própria escrita do autor. Poemas de alerta, mas de esperança, também, apesar do desespero que reside no seu fundo ainda lírico e iniciático. «O interrogatório do homem que saiu de casa depois da hora de recolher começou há quinze dias e ainda não acabou / Os inquiridores fazem uma pergunta em cada sessenta minutos vinte e quatro por dia e exigem cinquenta e nove respostas diferentes para cada uma / É um método novo / Acreditam que é impossível não estar a resposta verdadeira entre as cinquenta e nove que foram dadas / E contam com a perspicácia do ordenador para descobrir qual delas seja e a sua ligação com as outras / (…) / O homem que saiu de casa depois da hora de recolher não dirá porque saiu / E os inquiridores não sabem que a verdade está na sexagésima resposta / Entretanto a tortura continua até que o médico declare / Não vale a pena.»
José de Sousa Saramago (16 November 1922 – 18 June 2010) was a Portuguese novelist and recipient of the 1998 Nobel Prize in Literature, for his "parables sustained by imagination, compassion and irony [with which he] continually enables us once again to apprehend an elusory reality." His works, some of which have been seen as allegories, commonly present subversive perspectives on historic events, emphasizing the theopoetic. In 2003 Harold Bloom described Saramago as "the most gifted novelist alive in the world today."
Saramago was associated with the political movements of Portugal and an entire era: the era of shadows that swept all countries. Dictatorships and other forms of violence between men seem to me to be the driving force behind O Ano de 1993.
“Anche nei giorni del mille993 sembrerà impossibile il futuro al di là del futuro”
” Un mese prima della rivoluzione del 25 aprile mille974, che ha aperto al Portogallo la porta della democrazia, e non sapevamo allora che la democrazia perfetta è irraggiungibile e che dopo quella porta tante altre ce ne sono lungo un cammino senza fine, un piccolo gruppo di militari tentò invano, da una città di provincia, di rovesciare il governo e cambiare il regime. Questo accadeva il 16 marzo, e fu sotto l’effetto d’un profondo senso di frustrazione che scrissi, il giorno stesso, il primo dei trenta componimenti poetici in cui il libro si divide.” [Nota dell’autore all’edizione italiana]
Trenta componimenti che mettono in prosa tutto un ventaglio di emozioni che spazia dalla paura alla speranza. Lo scenario lo si può definire distopico in quanto è traslato in un allora futuro 1993. Attenzione! Non ci aspetti un romanzo: non lo è! Come si è detto ci sono trenta capitoli che traducono un linguaggio poetico fatto di sensazioni e di metafore. E’ tutto molto simbolico. Credo che per apprezzare questo testo siano necessarie tre prerogative: - avere una cosiddetta “infarinatura” della storia del Portogallo o, perlomeno, rendersi conto di cosa significhi vivere sotto una dittatura così da potersi immedesimare nello stato d’animo di colui che scrive all’epoca dei fatti; - accingersi alla lettura con altri occhi: non avete in mano un libro ma state guardando un quadro! - avere già una passioncella per l’autore…
Un assaggio:
” Fra i piedi della montagna e la prima porta della città furono uccisi molti uomini e molte donne
Perché è questa la condizione per vincere e ogni vittoria costa una trentina di sconfitte e anche per una semplice vita è necessario che due si affrettino a spegnersi
Furono uccisi e non è possibile dirne i nomi perché anche loro li avevano dimenticati
Adesso cominciavano pian piano a riacquistare i nomi della propria umanità come il nome di uomo o il nome di donna e altro di sé non sapevano se non che è la mano a protendersi in avanti per riconoscere ciò che gli occhi hanno visto
Scaraventati per terra con la bocca aperta quasi dicessero il dolore di morire o mormorassero qualcosa dalla memoria che interamente si recupera quando interamente si perde
Caduti e distesi e morti e fermi come non mai e con le spalle sulla dura terra e gli occhi rivolti a un cielo finalmente nero
Non poche furono le donne che continuarono ad avanzare dopo aver sentito la pena nel cuore perché un vuoto si era improvvisamente creato dove prima il corpo d’un uomo si muoveva vigoroso E non furono pochi gli uomini che avanzarono tremanti dopo l’ultimo sgusciare non più soave ma irrimediabile dal corpo della donna che era importante come lo era la città
Quando la prima porta fu raggiunta i corpi si ammucchiarono uno sull’altro e i vivi passarono sopra un ponte di morti e i morti erano i pilastri e l’arcata e il morbido e doloroso lastricato
Così entrarono nella città e all’alba si contarono e avendo scoperto che eran di meno raccolsero i loro morti
Per ritrovare pur nel breve tempo del lamento l’unità originaria.”
"Uma vez mais os suspiros sobretudo os últimos e os primeiros e os que estão entre uns e outros uma vez mais o braço sobre o ombro e o corpo sobre o corpo
Uma vez mais tudo o que uma vez foi ou muitas as pegadas de hoje na marca dos pés antigos uma vez mais a mão no gesto começado e interrompido e assim sucessivamente
Uma vez mais o impossível ficar ou a simples memória de ter sido"
4.5 ⭐️ Preciso de uns dias para processar o que li. Simplesmente 🤯
Que livro! Ainda não li todos deste que é o meu autor favorito, mas sei que esta obra em concreto vai ficar comigo para sempre. É uma prova autêntica da originalidade e criatividade de Saramago. Completamente diferente do 𝘗𝘳𝘰𝘷𝘢𝘷𝘦𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘈𝘭𝘦𝘨𝘳𝘪𝘢, Saramago traz-nos uma distopia violenta do que viria a ser o ano de 1993.
O primeiro poema foi escrito um mês antes da Revolução de Abril em resposta à tentativa falhada de uma revolta militar. Ainda assim, Saramago quis terminá-lo e acabou por ser publicado no ano seguinte.
É um livro impetuoso, cru, onde predomina uma sensação de angústia e sofrimento. Esta é a história de uma sociedade oprimida por uma força militar superior, quase invisível. Trata-se de uma ditadura que recorre, sem medo, à tortura, interrogatórios e prisão. Como consequência temos a perda de intimidade, da linguagem, o desligar das normas sociais enraizadas para responder ao modo de sobrevivência.
Apesar de ser composto por frases aparentemente simples, sem qualquer pontuação, não é um livro particularmente fácil. E por isso, não recomendo como primeiro contacto com o autor. Recomendo sim, aos admiradores da sua escrita e obra.
Que a luta pela liberdade continue. Abril sempre ✊🏻🤍
Definitely the most different book I've read so far, by José Saramago.
Small and easy to read, but with a story that requires attention and an open mind. Saramago shows us his vision of an oppressed world, which will only be liberated through the “combat” and “death” of many oppressed people.
Written 45 years ago, this book made me revisit the relationship between humans and technology. Maybe I didn't have the same line of thought as everyone who read this book, but that's what makes reading funny.
I do not add this book to the list of favorites, but I think it is worth reading and drawing our own conclusion with what José Saramago meant by this book.
Quão “diferente” este livro fora? Incrivelmente. A começar; o livro não possui pontuação, nada, o livro todo; ele também abrange diversas referências a começar pelo título, que em minha compreensão há uma certa espécie de homenagem à Orwell com 1984, porém seria um pós 1984 onde a sociedade regrediu a o nível de homens das cavernas, com lobos mecânicos; o início do livro também é curioso pois o narrador começa a descrever um quadro surrealista de Dalí o que parece (ou é) uma alusão ao cenário do livro, um lugar seco, árido mas ao mesmo tempo com uma unidade intrínseca aos seres. Outras referências são as analogias à Bíblia como no trecho dos sete dias e sete noites, e na espécie de recomeço ao apocalipse que permeia o livro (dilúvio?!). Outros fatores em suma curiosos foram: o breu que está na frente do leitor ao iniciar a estória, desprovido de sensos de tempo e espaço, ao começar a estória não temos a real menor noção do que está a vir, e somos surpreendidos (ao menos eu fora) pela magnitude do desconhecido. E o curioso é que este livro fora escrito para ser uma espécie de literatura poética, porém para mim ele não é poesia como não é um romance, ele é um livro de um gênero inclassificável, é uma experiência entre a distopia e metafísica do real e do inverossímil, ele é 1993, e 1993 está perfeito deste jeito.
This entire review has been hidden because of spoilers.
ديوان (سنة ألفٍ و 993) للروائي والشاعر خوزيه ساراماغو
عن دار رواشن - الإمارات عدد الصفحات 82 ص
اشتهر ساراماغو في العالم العربي من خلال أعماله الروائية الشهيرة . في حين نجده هنا شاعراً بعد نشره ديوانيه (قصائد محتملة ) ، و (الفرح إحتمالاً) بسرد شعري جميل و صوفي النكهة. لم أعتد قراءة الشعر بالصورة التي كتبها ساراماغو فهي كتابات نثرية أقرب كما يقول المترجم الرائع أمارجي أقرب للشعر؛ إذ إنها كتُبت بعبارات مطولة، و باذخة في الوصف في كل قصيدة نثرية تأخذ من صفحة إلى أثنتين، و تجبرك على تأمل فيها . فهو يقوم بمحاكمة المستبد، ويدافع عن المضطَهد ويرسم الأحلام في تلك السنة 1993 وينتظر قوس قزح في المساء. ويخبرنا في الصفحة 60 بأن ( ما يزال من الممكن القول أن اللحم البشري هو الأفضل لتغذية سلطة أي محتل إذا ما استبعدنا الدماغ) .
"O Ano de 1993" by José Saramago offers a breezy read, characteristic of the author's short stories, but it fell short of my expectations.
Set in a nameless world ravaged by chaos and occupied by wolves and mysterious invaders, the narrative follows anonymous characters across epochs, from prehistory to the present day. Despite the book's brevity and stylistic freedom, it serves as the author's final foray into poetry before transitioning to narrative prose, which I much admit, is what I like the most about Saramago.
In essence, "O Ano de 1993" marks an intriguing moment in Saramago's literary evolution but while the ease of the reading experience is commendable, it may not resonate as deeply with those expecting the narrative richness found in his later prose works.
Definitivamente um livro muito diferente de todos aqueles que li até agora do autor. É um livro rápido de ler, mas de difícil compreensão. Está longe de ser um dos meus favoritos do autor, no entanto acho que vale a pena leitura. Espera-vos uma visão grotesca de uma sociedade oprimida, que tanto desconforto me causou durante a leitura.
يكتب الحرب وينتصر فيها، كما كان يحلم ان تكون تلم السنة البعيد ١٩٩٣ حينما ��تب هذا الكتاب.. محتلّ تهلكه يد قابضة على طين، هل يبدو لك هذا الحديث مألوفًا؟
"ها إنّ النوارس تحوم الآن فوقنا،وتحني رؤوسها قليلًا لكي ترانا بشكلٍ أفضل وتحدد من نكون."
"O segundo deus foi o sol porque ensinara a redescobrir a roda embora houvesse tribos que veneravam a lua pela mesma razão. Essas porém em noites de quarto minguante ou crescente traziam os olhos baixos. Provando assim que sempre cada tribo tem o deus que prefere e não outros."
حين بلغوا البوابة الأولى، كانت الجثث مكدسة بعضها فوق بعض، وعبر الأحياء جسراً من الموتى، والأموات كانوا الدعائم والقناطر وبلاط الرصف الناعم والغاصّ بالألم، . . . ثم دخلوا المدينة، وفي الفجر عدوّا أنفسهم، وحين اكتشفوا أنهم أقل عدداً، جمعوا موتاهم، علّهم يستعيدون الوحدة الاصلية ولو خلال سويعات الرثاء القصار.
(PT) Uma distopia experimentalista de um autor que nunca teve uma visão otimista do futuro.
"O Ano de 1993", publicado em 1975, é sobretudo uma experimentação do autor. Parte poesia, parte prosa, parte ficção especulativa, parte distopia, "O Ano de 1993" não é um livro fácil de ser lido, apesar de ser pequeno. A história parece ser confusa, surrealista, quase daliana - aliás, ele faz a referência, logo de inicio - imaginava um futuro distópico de guerra de extermínio entre os seres humanos e as máquinas, dos quais a coisa chegaria a um ponto de quase extinção onde as pessoas sobreviveriam por instinto.
Visto no grande mapa das obras do autor, parece que nos faz lembrar outros livros futuros, como o "Ensaio Sobre a Cegueira", por exemplo, ou "A Jangada de Pedra", o que faz pensar que um futuro distópico nunca esteve muito longe dos seus pensamentos. Há histórias semelhantes a esta noutros livros próximos como "Objeto Quase", mas em termos de obra, por sim parece ser um "alien", algo do qual o autor experimentou uma vez e não voltou mais. Mas a ideia geral continuou a pairar por mais tempo.
este libro me ha calado; lo más primigenio y natural ahora me resulta grotesco, como si los instintos más primitivos fuesen una pérdida de humanidad. soy injusta con la puntuación -se merece más- pq me esperaba poesía y no una especie de narración fragmentada sin puntos ni comas
Livro-prosa de Saramago escrito em 1975 com o intuito de retratar o futuro distópico de “O ano de 1993”. Nesse futuro, uma horda de humanos vaga pela Terra sem objetivos, onde feras habitam os campos e forças ocultas exercem a dominação, impondo medo e terror sobre a humanidade. “Sinal de que talvez nós reconheça enfim a vida e de que nem tudo se perdeu nas abjeções que consentimos algumas vezes cúmplices” Interessante que, na visão do autor, a falta de esperança leva os seres humanos a retornarem à hábitos primitivos, em um paralelo semelhante ao que podemos ver na crise que estamos vivendo com a pandemia. Entretanto, eu não curti a leitura... a achei muito poética para uma distopia, com forte crítica social. Simplesmente não me pegou, ou talvez não tenha tido faro para a leitura. Para os desavisados, acho melhor não começar um Saramago por este daqui. #ficaadica
“Alla più grande occupazione che è quella del pensare nessuno fa caso”
Un testo di Saramago in cui si prepara la Rivoluzione d’Aprile, immaginandola nella forma di una distopia che attraverso il pensiero critico dell’autore, mette in luce diverse delle criticità che occupano il presente di chi scrive.
(PT) Um texto de Saramago em que se prepara a Revolução de Abril, imaginando-a sob a forma de uma distopia que, através do pensamento crítico do autor, põe em evidência várias das problemáticas que atravessam o presente de quem escreve.
É um livro com uma forma estranha à habitual prosa de José Saramago. Mas o conteúdo, uma invasão no futuro por um inimigo musculado e que usa a vigilância electrónica, é mesmo do único Nobel da Literatura português. A primeira edição data de 1987, mas nele já estão previstos os perigos que vivemos hoje.
“في الختام، العالم، هذا العالم وبعض الأشياء المنجزة والمرويَّة، والكثير غيرها مما لم يُنجز ولم يدرِ به أحد؛ مرة أخرى استحالةُ أن ندوم أو الذكرى البسيطة لكوننا وُجدنا؛ وكما يتضِح، لا يوجد شيء تحت الظلّ الذي يرفعه الطفلُ، كما يُرفع عن الذبيحة جلدِها المسلوخ" جوزيه ساراماغو ت. أمارجي
Não sei se apanhei bem a ideia de Saramago neste livro, que está inserido na Poesia Completa. Algo futurístico e utópico, não gostei muito. Está, é claro, bem escrito, mas não adorei o tema e a execução.