Lançado em 1996, Livro sobre nada é um dos trabalhos mais importantes de Manoel de Barros. O título, que veio da frase de Gustave Flaubert “sempre desejei escrever um livro sobre nada”, caiu imediatamente no gosto do público e é até hoje um de seus livros mais conhecidos. Dividido em quatro partes, traz poemas curtos em que desconstrói a linguagem para reorganizar um mundo singular, em que expressa de forma contundente sua adesão a tudo que não tem importância, é solitário ou vazio. Como ele mesmo explica ao leitor, “o ‘nada’ do meu livro é nada mesmo”.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
Carrego meus primórdios num andor. Minha voz tem um vício de fontes. Eu queria avançar para o começo. Chegar ao criançamento das palavras. Lá onde elas ainda urinam na perna. Antes mesmo que sejam modeladas pelas mãos. Quando a criança garatuja o verbo para falar o que não tem. Pegar no estame do som. Ser a voz de um lagarto escurecido. Abrir um descortínio para o arcano.
Manoel de Barros é um grande presente para lingua portuguesa e nossa literatura. A imaginação, musicalidade, surpresa, espanto, riso..estão presente nesta grande obra. Eu amo e releio sempre este livro.
Trabalho arduamente para fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre diabo que sofre de nobreza.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.”
(Manoel de Barros)
Quando entendemos o quanto somos pequenos, desprovidos de certezas e o quanto desprezamos as miudezas tão importantes da vida, aí surge a hora para ler esse sábio e genial”poeta do Nada”: Manoel de Barros.
Na forma poética que está o melhor Manoel de Barros. Bagunçando o idioma ele faz emergir ideias profundas sobre aquilo que ninguém dá atenção, ideias que não achariam espaço numa formalidade perfeita, sem frestas.
Um livro de poesia que li numa viagem de autocarro. É realmente uma leitura rápida, mas tem muito mais densidade do que se esperaria de um livro tão curto.
Através da contemplação do Eu enquanto o próprio autor, este poeta observa as pessoas como um todo, chegando a conclusões tanto belas como desconcertantes. Apesar de nenhuma frase em concreto me ter ficado na memória, penso que este livro, que se diz sobre nada, fala mais do tudo do que sobre a ausência do todo.
Ricamente ilustrado, foi uma leitura prazerosa e que recomendo.
Comprei, li e gostei. Tudo no mesmo dia. Mas não sei se gostei de ter gostado. Tem algo que me incomoda no estilo do Manoel de Barros. Talvez o fato de ter gerado tantos descendentes bregas que tentam emular o "idioleto manoelês archaico". Enfim, gosto, mesmo que com relutância.
Inspired by Gustave Flaubert's phrase, “I always wanted to write a book about nothing,” Barros beautifully employs deconstructed language to explore profound themes that transcend superficiality, encouraging deep reflections on emptiness and insignificance.
Manoel de Barros set out with the intriguing intention of writing a book about nothing. However, as he delved into his creative process, the pages began to fill with rich descriptions, vivid imagery, and profound reflections. Instead of a simplistic exploration of emptiness, his work transformed into a multifaceted examination of existence, art, and the beauty found in the mundane. Ultimately, what he conceived as a meditation on nothingness evolved into a tapestry of diverse themes and ideas, celebrating both the simplicity and complexity of life.
A unique book that transcends traditional narrative, presenting itself as a collection of fragments without a defined beginning, middle, or end. Each verse unfolds like a fleeting moment, intricately woven with emotions and memories, inviting readers to immerse themselves in a tapestry of feelings that resonate on a deeply personal level.
This work serves as an inspiring invitation to introspection and contemplation, encouraging us to reflect on what truly matters and to embrace our existence. A book that evokes childhood nostalgia, reminding us that in those moments, magic can exist without needing to make sense, just like the stories within its pages.
Desde que comprei este livro, há alguns meses, devo ter lido e relido umas quatro vezes. É um livro curto, mas repleto de encanto. Redescobrir os poemas e seus significados a cada leitura faz parte desse encanto. E uma das coisas que mais gosto sobre os poemas de Manoel de Barros é não ser preciso entender as palavras e seus significados para compreender o que está a sua frente nas páginas. É tudo novo, é uma invenção de palavras maravilhosa! Tudo de que você precisa é ter, algum dia, sentido saudades da infância, saudades de brincar na terra, de descobrir bichos e plantas, de inventar palavras. Saudades da liberdade das coisas pequenas e "desimportantes", de ser, em um sentimento longínquo, "um lápis numa península".
Entre as risadas que nos arrancam os inocentes absurdos e a alegria do efêmero e do inútil, e pinceladas de tristeza um tanto melancólica, a nossa mente germina. E, ah! como é bom ter a mente em flor novamente, pelo menos por um tempinho.
"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: quando cheias de areia de formiga e musgo - elas podem um dia milagrar de flores." (p.43)
Livro Sobre Nada tem o nom de algum antigo ensaio oriental de algum sábio taoísta. No entanto, o livrinho não faz menção nenhuma de aqueles filosofias. É um livro que o mais longe do Brasil que vai-se é a Bolivia. Humilde. Isso é mesmo um livro sobre nada. Nada de issa nada existencial. Nada de divagações incongruentes à la Dostoiévski. Fiquei um pouco decepcionado com a primeira parte, onde o autor, mais que nada, joga com os comportamentos e noms de alguns animáis. Acho que isso faz muito mais fácil a tarefa de escrever "sobre nada". A terceira parte do livro, contém alguns dos aforismos mais frescos que eu li em muito tempo, e onde o sentido da poesia late com mais vigor do livro todo.
Não sou das poesias, mas sou capaz de escutar as rãs de Manoel
Não sou um leitor de poesia, não tenho o costume. Mas com Manoel de Barros é diferente, ele me deixou uma profunda impressão há muitos anos quando o conheci, ali pela adolescência. Não sei falar de poesia, mas sou capaz de ouvir o burburinho dos pássaros, dos sapos, das pedras e dos nadas de Manoel. Ele me apresentou a virtude do inútil e engrandeceu o ócio. Ler sua poesia é um respiro. Um alívio que custa a ser esquecido e, quando acontece, revisitar é realizar o bom exercício da nostalgia. A razão do livro sobre Nada me diverte, pois gosto de Flaubert e gosto do nada: o nada de Camus passa por Manoel e chega até mim com cheiro de orvalho e gosto de invenção.
quando criança recebi da escola o livro Memórias inventadas: a infância, e gostei muito. Foi um livro que li e reli bastante durante e infância e adolescência (e ainda o tenho, se não me falha a memória). Hoje terminei de ler o Livro sobre nada e mais uma vez foi uma delícia. Manoel de Barros é o tipo de autor que nos alimenta a alma.
Tem alguns livros e autores que são bons, mas parece que falta algo, falta um tchan, não sei. definitivamente não é o caso de Manoel, parece que ele sabe exatamente como preencher lacunas e nos atravessar com as palavras através da simplicidade.
maravilhoso! os textos e poemas são muito bonitos, e o Manoel de Barros traz muitas antíteses, comparações, gostei demais! não me sensibilizei taaanto com a leitura, pois apesar do nome, esperava um "tudo", mas compreendo que por ser uma leitura mais rápida, não há tanto aprofundamento. "Tentei descobrir na alma de Mário alguma coisa mais profunda do que não saber sobre as coisas profundas. Consegui não descobrir", acho que foi isso que procurei nesse livro.
Manoel de Barros é um poeta gigante. Esse “Livro sobre Nada” é uma aula sobre poesia e também sobre o valor das coisas inúteis e imprestáveis. Escrito na década de 90, podemos julgar essa obra como fruto de uma maturidade de Manoel, que eleva a palavra ao estado de “criançamento”, fabricando com a palavra novos sentidos. Um dos grandes livros de poesia brasileira, me marcou profundamente.
Ganhei esse livro de presente de aniversário de um amigo-irmão (alô Galbert!). Maneco é um dos meus poetas preferidos, me ensina tanto de um modo tão simples, me faz ter vontade de acreditar num’outra vida, mais dedicada às pequenezas. Me sinto feliz quando leio suas palavras.
Livro de poesias lindo e rápido de ler. Manoel de Barros consegue despertar em nós com toda sua autenticidade sentimentos como a nostalgia, a saudade, a solidão. Achei um excelente livro, principalmente porque não sou fã do gênero.
Um livro curtinho, e denso. Desses pra ter por perto e abrir vez ou outra pra consultar. Um pouco de poesia e várias frases soltas que exploram a pequenice e os avessos nas coisas cotidianas com um uso muito habilidoso - e divertido - da língua portuguesa.
Impossível comentar Manoel de Barros. É preciso se deixar levar pelas palavras que parecem brotar de sua alma como a água que escorre do leito dos rios e inundam as belezas da natureza.