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A Escola do Paraíso

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José Rodrigues Miguéis recorda a sua primeira infância num dos melhores romances portugueses. A cidade do princípio do século, os primeiros automóveis, a cidade iluminada a gás, dos teatros do Príncipe Real, do animatógrafo, a cidade que acabava na Rotunda, para lá os campos de corridas ao Campo Grande.

Os hábitos, a carbonária, a aristocracia decadente, o regicídio e a proclamação da I República. As profissões, os portugueses e galegos que chegavam à capital. Tudo contado magistralmente pelos olhos de um menino que cresceu a ver o brilho do sol das sacadas pombalinas viradas ao Tejo. Menino que reteve minuciosamente a memória das cores, dos cheiros, das gentes e de tudo quanto foi sendo, intensamente, o seu mundo.

400 pages, Paperback

First published January 1, 1960

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About the author

José Rodrigues Miguéis

57 books15 followers
JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS nasceu em Lisboa, a 9 de Dezembro de 1901. Formou-se na Faculdade de Direito de Lisboa (1924) e foi um dos fundadores da revista Seara Nova (1922). Advogou, foi professor do ensino secundário, presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana e co-director do jornal O Globo. Licenciou-se em Ciências Pedagógicas na Universidade de Bruxelas (1933) e fixou residência nos EUA (1935) como redactor-associado da Reader’s Digest e, posteriormente professor universitário. Escreveu contos, romances, novelas e peças de teatro. Apesar de quase toda a sua produção ter sido escrita longe da pátria (o que explica a preferência por temas do exílio e da emigração), mantém o humorismo magoado, a simpatia humana e o lirismo tipicamente portugueses. São suas obras principais: Páscoa Feliz (1932, Prémio Casa da Imprensa), Onde a Noite Se Acaba (1946), Saudades para Dona Genciana (1956), Léah e Outras Histórias (1958, Prémio Camilo Castelo Branco), A Escola do Paraíso (1960), a peça de teatro O Passageiro do Expresso (1960), Gente da Terceira Classe (1962), É Proibido Apontar (1964) e O Milagre Segundo Salomé (1975). Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979. Faleceu a 27 de Outubro de 1980, em New York.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Ana.
230 reviews91 followers
June 8, 2019
Um retrato da cidade de Lisboa no início do século XX e a evocação de um período da História que abarca os últimos tempos da monarquia, o regicídio e a Implantação da República, apresentados sob o olhar de uma criança. Muito provavelmente uma evocação da infância do autor.
São várias histórias que se sucedem e encadeiam para formar o romance. Escrita detalhista mas fluida, transparente e sem floreados estilísticos mas requintada e graciosa,
Adorei ler este livro e é para mim incompreensível que este autor esteja tão esquecido
Mea culpa de só agora ter lido uma obra sua. Tenho de agradecer ao clube de leitura ter-me impelido para a sua descoberta.

Sim, ia fugir mas não sabia de quê. Talvez deste mundo atormentado, da morte que espreitava a cada canto, ou da vida, que começa no sangue e acaba em sangue. E para onde ia? Não tinha para onde ir. O paraíso a idade de ouro, o sonho - nada disso existia fora dele. Estava dentro da vida e não podia fugir-lhe. Alguma coisa mais do que um homem morrera ali: um tempo, a sua infância.
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
July 29, 2018
1 de Fevereiro de 1908, 23 de Abril de 1909 e 5 de Outubro de 1910 são três datas de acontecimentos históricos ocorridos em Portugal durante a infância de Gabriel, um menino que vive em Lisboa com os pais e dois irmãos.
O narrador, omnisciente, mostra-nos o mundo na visão de uma criança e simultaneamente a vida das pessoas vindas das aldeias para a capital.

José Rodrigues Miguéis é um mestre da palavra que escreve em português, sobre Portugal, sobre os portugueses; sem mariquises pseudo-poéticas, nem originalidades estruturais de meia-tigela. Chato, pois é?
Profile Image for Diogo.
35 reviews
August 30, 2009
Muito bom este livro. Não é um livro cativante no sentido de dar vontade de ler tudo de seguida. Mas é um livro extraordinariamente bem escrito (direi isto de todos os livros do José Rodrigues Miguéis). E o livro está bem escrito no sentido de ter um vocabulário muito bem aplicado, e bonito pois as palavras são muito bem escolhidas, e reflectir bem a densidade psicológica da personagem principal, um rapaz desde o nascimento até aos 10 anos, altura em que se dá o 5 de Outubro (1910), isto não é um spoiler porque é bastante irrelevante para a história.

Uma das maiores falhas do livro é não haver propriamente uma história, há um fio condutor que é a vida de uma família pobre e a evolução psicológica do terceiro, e último, filho com uma relação muito próxima com a mãe. Cada capítulo conta histórias largamente desligadas entre si tirando serem seguidas cronologicamente. Não sei se o romance foi originalmente publicado em algum jornal, mas pode ser a razão para a estrutura do livro.

Uma característica engraçada da narrativa é que passa tudo ao lado da personagem principal porque não tem idade para compreender as situações.

A Escola do Paraíso é (sobre) Lisboa no início do século XX. Embora tenha vivido sempre em Lisboa, para mim a cidade descrita é outra cidade qualquer, até porque não tive assim tanto contacto com as zonas mais antigas. Mas gostei muito de reler o que era Lisboa há 100 anos atrás.
Profile Image for Tania Cunha.
171 reviews14 followers
November 27, 2020
Há anos que procurava este livro e finalmente consegui encontrá-lo, há dias, num alfarrabista.
É um delicioso retrato da infância de Gabriel e da sua vida familiar, na Lisboa do início do século XX, apanhando o regicídio, a implantação da república e os primeiros anos subsequentes. São um conjunto de episódios que retratam de forma deliciosa a vida de Gabriel em Lisboa, com as mudanças de casa que a família teve (Castelo, Graça e Charca) e tudo o que isso implicou e com incursões nos percursos dos pais do miúdo, ele galego, ela beirã, que muito novos vieram para Lisboa tentar a sua sorte. Um belíssimo retrato de época.
Profile Image for Afonso Brás.
13 reviews1 follower
May 24, 2025
Uma absoluta maravilha. É quase “criminoso” o esquecimento a que está sujeito José Rodrigues Miguéis (JRM), que é, para mim, o melhor escritor português da primeira metade do século XX.

Gabriel é JRM, e a «A Escola do Paraíso» faz parte de um tríptico pensado pelo Autor, mas do qual, e muito infelizmente, “apenas” saíram dois livros: este e o último, que é, na minha opinião, um dos melhores romances de sempre da história da literatura portuguesa e que recomendo vivamente: «O Milagre Segundo Salomé», que assenta numa explicação muito pouco ortodoxa do Milagre de Fátima, e que, por esse mesmo motivo, apenas conseguiu ver a luz do dia após o 25 de Abril de 74, sem prejuízo de ter sido finalizado cerca de 20 anos antes.

O Gabriel que encontramos no “Milagre” - mais maduro e uma espécie de personagem lateral que depois assume outra importância no final do romance - é o mesmo do da “Escola”, e é delicioso ver como certos episódios de ambos os livros se cruzam, como o próprio Autor faz questão de lembrar em notas de rodapé.

O segundo livro chamar-se-ia «Os Filhos de Lisboa», mas JRM nunca o conseguiu acabar, muito por força da circunstância de não conseguir reduzir a escrito um episódio (sempre autobiográfico) que era para ele essencial constar desse livro, e que foi a morte prematura do irmão mais velho. A Editorial Estampa, quando reeditou a obra completa de JRM nos anos 80, publicou o «Idealista no Mundo Real», que tenta suprir essa lacuna: não só aproveitando um escrito de JRM publicado em tempos na “Seara Nova”, como coligindo as partes acabadas do «Filhos de Lisboa» no final desse livro.

Não há ninguém que consiga descrever a Lisboa e a sociedade da I República como JRM. Se Eça estava para esse papel no final do século XIX, eis JRM a ocupar esse lugar cimeiro quanto ao início do século XX.

Leiam «A Escola do Paraíso». Se conseguirem, leiam depois o «Idealista no Mundo Real» e, finalmente, terminem com «O Milagre Segundo Salomé». Não se vão arrepender.

Digo “se conseguirem” porque, infelizmente, e por motivos de herança familiar e direitos de autor, apenas se consegue arranjar os livros de JRM em alfarrabistas. No meu caso, consegui ir comprando a coleção completa da Editorial Estampa.

Garanto-vos que não se vão arrepender. E mais do que isso: verão que estes três livros são uma pequeníssima parte de uma obra magistral de um grande, de um extraordinário escritor.
Profile Image for Isabel Rute.
167 reviews2 followers
January 4, 2021
Já tinha lido este romance há uns anos, sendo esta uma segunda leitura.
É um belo retrato da infância e da minha Lisboa, mesmo com a história a se passar há mais de 100 anos (final da Monarquia/início da I República), identifico-me e identifico a minha cidade em muitos trechos.
Em particular, quando a acção se passa na Rua da Saudade.
Muito bem escrito.
Profile Image for tiago..
470 reviews133 followers
February 27, 2025
Este livro produz-me uma sensação semelhante à de ver A Lisbon Story, do Wim Wenders: a de uma nostalgia por uma Lisboa que nunca cheguei a conhecer; e ao mesmo tempo tem o seu quê do Aniki-Bobó do Manoel de Oliveira, dessa inocência de infância sublimada pela perfeição das boas memórias. Ainda que a navegar a Lisboa turbulenta dos últimos dias da monarquia constitucional e dos primeiros da república, o Gabriel d'A Escola do Paraíso permanece, durante a larga maioria deste livro, impérvio às faces mais perturbadoras na vida da capital: é acima de tudo um livro sobre a infância e sobre a curiosidade por um mundo estranho e misterioso, difícil, muitas vezes, de compreender.

Não se poderá negar que José Rodrigues Miguéis é um mestre da palavra, com uma escrita fluída e poderosamente lírica, feita menos de berloques estilísticos que de saber encontrar os pequenos momentos de poesia entre a prosa do mundano. Não obstante, para mal de meus pecados, fiquei com a impressão que toda esta boa escrita acabou diluída num tsunami de faits-divers. Por vezes mais parecido a uma coletânea de contos que a um romance propriamente dito, falta, parece-me, algo de foco que não deixe o leitor à deriva numa série de contos avulsos que acabam por tirar a força à mensagem central e aquele final inesperado que, ainda que me tenha conseguido despertar, não foi a bofetada que deveria ter sido.

Ainda que agradável em muitos momentos, foi, confesso, uma desilusão - sobretudo por ter ficado com expectativas tão altas depois de ler os dois contos de Miguéis que se incluem na coletânea de histórias de Natal de Vasco Graça Moura.
Profile Image for Ricardo Ribeiro.
222 reviews11 followers
April 8, 2021
Acabei hoje esta livro de um autor português que desconhecia e que muito me agradou. Fiquei especialmente impressionado pela sua capacidade de colocar em palavras sentires e emoções de uma forma pouco comum e muito efectiva.

De resto a sua prosa, auto-biográfica, neste caso, leva-nos até uma Lisboa de início do século XX que me fascinou. Afinal sou também eu lisboeta, de uma outra geração, que guardou as memórias do último quartel do século, da cidade das décadas de 70, 80, 90. E adorei por isso comparar recordações dos mesmos locais em épocas quase contíguas mas mesmo assim diferentes.
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