Serei franco: eu nunca me interessei muito pela Luisa Mell. Só sabia o que via nos jornais (que em geral falavam mal dela) e na divulgação de instituições de proteção animal (que muitas vezes também falavam mal dela). Sequer sabia que ela era vegana e tinha um filho também vegano, por exemplo. Também não sabia sobre o programa de TV dela sobre cachorros, o "Late Show". Não sabia todos os fatos do fatídico caso dos Beagles, no Instituto Royal.
O que posso afirmar é que essa é uma autobiografia que me surpreendeu. Eu esperava muito pouco e acabei recebendo uma ótima biografia, mostrando os pontos de vista e o crescimento pessoal, profissional e intelectual de Marina ("Luisa Mell"). Os erros e acertos da carreira dela, de forma muito honesta e transparente.
Não é nada ácido e cômico como "I'm glad my mom died", de Jennette McCurdy, porém tem um grande valor para entender parte da história de proteção de animais no Brasil e como em apenas duas décadas o povo brasileiro pode mudar tanto sobre sua percepção de cachorros de raça, vira-latas, "pai e mãe de pet", etc.
O Brasil sempre foi um país que tratou de forma extremamente cruel seus animais - eu me lembro da minha infância de deixar o cachorro em um canil, amarrado, sem nem poder entrar em casa. Isso faz cerca de 2o anos, provavelmente menos. Hoje em dia temos animais dentro de casa, dormindo na nossa cama, fazendo parte do nosso dia-a-dia. Temos um culto ao vira-lata caramelo (SDR) e à adoção. Temos fortes críticas a empresas que vendem vidas e a empresa de cosméticos que fazem testes desnecessários em animais.
Até mesmo a história dos Beagles, que era a que eu mais tinha um pé atrás sobre a Luisa Mell, eu percebi que estava errado e tinha sido enviesado pela grande mídia no que tange as suas ações e resultados.
Após ler essa biografia, posso dizer que entendo um pouco mais sobre Luisa Mell, sobre Marina e sobre como o nosso país avançou tanto em causas de proteção animal em apenas 20 anos - e que fique evidente, Luisa Mell tem uma parcela considerável de mérito dessa evolução. Não só ela, claro, mas ela acabou sendo a porta-voz midiática de todo um movimento pró-animais e anti-maus-tratos.