ENGLISH
In “Liberalism”, Ludwig von Mises gathers and synthesizes in incredibly clear language the main arguments in defense of the Liberal ideology, and rebuts those raised against it by its opponents. The term “liberal” here is the one conceived and argued by the classical authors, and not the one appropriated by left-wing ideologues, as it notably ended up occurring in the US.
Written in 1927, the book has an interesting timeless quality in almost all of its aspects. Most of the debates on fundamental themes covered in the book still deal with the same arguments, all of them invariably related to the question of whether or not the State should intervene in private life, especially in Economics and Morals.
Mises, as is well known, is a staunch defender of individual freedom, but he did not rule out cooperation. For him, life in society is characterized by cooperation and division of labor, although the State should not interfere in private life, unless very exceptionally, to guarantee freedom and curb those who threaten the continuity of life in society.
Some of his famous positions, considered radical by critics, are:
(i) there are only two possible economic systems - capitalism or socialism - and any State intervention out of its narrow due scope distances it from capitalism and brings it closer to socialism. At this point, Mises emphasizes that no State has ever applied pure Liberalism. There are only approximations to true Liberalism in History.
(ii) socialism is economically doomed to fail, as economic calculation there is impossible, since this calculation is monetary, as it properly occurs in capitalism.
(iii) the State should not provide education. This must be offered entirely by the private sector. Here, phrases like “a healthy illiterate is always better than a literate cripple” draw attention.
(iv) drugs can be a problem if users provoke harm to others. Self destruction from the use of drugs is a problem solely of those who self destroy themselves.
(v) the creation of monopolies and cartels is a consequence in almost all cases of State interference through import tariffs. At this point, Mises sees that naturally conquered monopolies are very rare, as in the case of the extraction of some minerals. Even if they result in the practice of high prices and profits, if “envy” makes one see this as a problem, taxing the monopolist with income tax should resolve it. For all other cases, monopolies and cartels are either a non-issue, as in fact high prices would attract substitute competitors which would drive prices and profits down again; or when they are an issue, the fault lies with the government that protected the industry in question with import tariffs.
(vi) the allegation of socialists and marxists that society is characterized by class struggle is erroneous. There are no superior interests so common among people that can frame them in a class with common interests and at the same time antagonistic to another class. This type of idea is actually a full plate for unions and other associations which actually seek to achieve privileges through political struggle to the detriment of the other members of society. By allegedly seeking to protect the worker, for example, such entities ultimately cause a reduction in the workers’ productivity, which reverts against themselves in the long run.
Although defenders of socialist or interventionist ideologies have tried to appropriate the term “liberal”, Mises states that true Liberalism, as defended by classical authors, is the only legitimate ideology capable of defending liberty, property, and peace.
PORTUGUÊS
“Liberalismo” é um livro em que Mises reúne e sintetiza em linguagem incrivelmente clara os principais argumentos em defesa da ideologia Liberal, além de rebater aqueles suscitados pelos adversários dessa ideologia. Frise-se que o termo “liberal” aqui é aquele concebido e defendido pelos autores clássicos, e não como o que acabou sendo apropriado por ideólogos de esquerda, como notadamente acabou acontecendo nos EUA.
Escrito em 1927, o livro tem uma interessante característica atemporal em quase todos os seus aspectos; a maioria dos debates sobre temas fundamentais abordados no livro continuam trazendo essencialmente os mesmos argumentos, todos eles invariavelmente relacionados à questão da intervenção ou não do Estado na vida privada, especialmente na Economia e na Moral.
Mises, como é sabido, é um defensor ferrenho da liberdade individual, mas não descarta a cooperação. Para ele, a vida em sociedade pressupõe cooperação e divisão do trabalho, embora o Estado não deva interferir na vida privada, a não ser muito excepcionalmente, para garantir a liberdade e coibir aqueles que ameacem a manutenção da própria vida em sociedade.
São famosas algumas de suas posições, consideradas um tanto radicais por críticos:
(i) existem unicamente dois sistemas econômicos possíveis - capitalismo ou socialismo - sendo que qualquer intervenção Estatal fora de seu escopo estreito afasta-o do capitalismo e o aproxima do socialismo. Neste ponto, Mises enfatiza que nenhum Estado jamais chegou a aplicar o Liberalismo puramente. O que existem são apenas aproximações ao Liberalismo verdadeiro na História.
(ii) O socialismo é economicamente fadado ao fracasso, pois não é possivel haver cálculo econômico, já que esse cálculo é monetário, como ocorre plenamente no capitalismo.
(iii) o Estado não deve prover educação, devendo ser ela inteiramente oferecida pela iniciativa privada. Aqui, frases como “um analfabeto saudável é sempre melhor do que um aleijado alfabetizado” chamam a atenção.
(iv) drogas podem ser um problema se os usuários provocarem danos a outros. A auto-destruição é um problema unicamente de quem se auto-destrói.
(v) monopólios e cartéis resultam em quase todos os casos de interferência estatal por meio de tarifas de importação. Neste ponto, Mises enxerga que monopólios naturalmente conquistados são muito excepcionais, como no caso da extração de alguns minerais e, ainda que permitam a prática de preços e lucros elevados, caso a “inveja�� de alguns enxergue nisso um problema, bastaria se taxar o monopolista com imposto de renda. Para todos os outros casos, os monopólios e cartéis ou são um não-problema, pois na verdade preços altos atrairiam concorrentes substitutos rebaixando preços e lucros novamente, ou quando são um problema, a culpa é do governo que protegeu a indústria em questão com tarifas de importação.
(vi) a alegação dos socialistas e marxistas de que a sociedade é caracterizada pela luta de classes é errônea, pois não existem interesses superiores tão comuns entre pessoas que as façam ser enquadradas em uma classe com interesses comuns antagônicos a outra classe. Esse tipo de ideário na verdade é um prato cheio para sindicatos e outras agremiações que na verdade tudo o que querem ou buscam é conseguir através da luta política privilégios em detrimento dos demais membros da sociedade. Ao alegadamente buscarem proteger trabalhadores, por exemplo, tais entidades no fundo provocam uma redução da produtividade dos trabalhadores, o que reverte contra eles próprios no longo prazo.
Embora defensores de ideologias socialistas ou intervencionistas tenham tentado se apropriar do termo “liberal”, segundo Mises, o verdadeiro Liberalismo, conforme defendido pelos autores clássicos, é a única ideologia legítima capaz de verdadeiramente defender a liberdade, a propriedade e a paz.