Escrita em 1933, publicada em 1937 e encenada pela primeira vez trinta anos mais tarde pelo Teatro Oficina, esta é a peça fundamental de Oswald de Andrade. Ao retratar um país mergulhado na crise financeira de 1929, às vésperas do Estado Novo, O rei da vela aponta a utopia de um projeto político que não viria a se concretizar. Oswald apresenta uma peça de teatro profundamente anarquista, que explora a força soberana do imperialismo americano em toda sua dimensão caricata e grotesca. No centro do palco está o escritório de agiotagem Abelardo & Abelardo, em um enredo que tem como pano de fundo a ambição tacanha e desenfreada de um país subdesenvolvido, as falcatruas, a decadência, o desprezo pela moralidade e o sexo estapafúrdio. O volume inclui textos inéditos de Décio de Almeida Prado e de Renato Borghi, além de um manifesto de 1967 de José Celso Martinez Corrêa, que assina também um pós-escrito para esta edição.
José Oswald de Andrade Souza (January 11, 1890 – October 22, 1954) was a Brazilian poet and polemicist. He was born and spent most of his life in São Paulo. Andrade was one of the founders of Brazilian modernism and a member of the Group of Five, along with Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral and Menotti del Picchia. He participated in the Week of Modern Art (Semana de Arte Moderna). Andrade is best known for his manifesto of Brazilian nationalism, Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto), published in 1928. Its argument is that Brazil's history of "cannibalizing" other cultures is its greatest strength, while playing on the modernists' primitivist interest in cannibalism as an alleged tribal rite. Cannibalism becomes a way for Brazil to assert itself against European postcolonial cultural domination. The Manifesto's iconic line is "Tupi or not Tupi: that is the question." The line is simultaneously a celebration of the Tupi, who had been at times accused of cannibalism (most notoriously by Hans Staden), and an instance of cannibalism: it eats Shakespeare. Born into a wealthy family, Andrade used his money and connections to support numerous modernist artists and projects. He sponsored the publication of several major novels of the period, produced a number of experimental plays, and supported several painters, including Tarsila do Amaral, with whom he had a long affair, and Lasar Segall. His role in the modernist community was made somewhat awkward, however, by his feud with Mário de Andrade, which lasted from 1929 (after Oswald de Andrade published a pseudonymous essay mocking Mário for effeminacy) until Mário de Andrade's untimely death in 1945.
Oswald de Andrade certainly didn't found a career on politeness or making people feel good about themselves. As far as I know, his most famous work is the modernista manifesto in which he invites his fellow Brazilians to recapture their cannibal indigenous heritage and literally eat up and expel the European/North American imperialist/capitalist influences in their country. This play picks up more or less where the manifesto leaves off -- it's the story of a corrupt nouveau riche usurer who betrays his proletariat roots for the false promises and decadent pleasures of the aristocracy.
Of course, it's also the story of Brazil's exploitation by foreign opportunists (mostly American). And unfortunately that's a story that's still ongoing. Abelard laments that in Brazil, the most beautiful country in the world, even the clouds have been purchased or rented by some capitalist interloper. That was 1933. His words sound even truer, even sadder, in 2010. It's too bad this play isn't read in more world literature courses.
First and foremost, I must point out the obvious names of certain characters, one of them, Heloísa de Lesbos. The author uses stereotypes to restrict and showcase sexual orientation and gender identity, through parameters of personality traits, culture and personal tastes. We must forgive and accept this, as the play was written in 1930s, when being queer was to be hidden, to use coding to find the peers and to not live freely and truly to oneself.
The play also enchanted me as it is set in the Great Depression, where Brazil was going through changes to make it more modern. Where older characters still maintain their conservative values, creeds and morals, without any sort of fear, publicly and blatantly scream and worship dictatorship and fascist movements and beliefs.
In short and writing in a quite general form, the play showcases the conservative values, creeds and morals, sometimes grazing towards extremist views, it also allows lgbtq+ representation in a idyllic way to the time it is set in, as it also exposes misogyny and in a timeless way, let's say it like that, showcases how we elevate the high society to a Godly pedestal, allowing ourselves to be dehumanized for the lack of resources.
incrível como esse livro consegue ser extremamente contemporâneo ainda mais quando pensamos no bolsonarismo atual, no qual vemos a ascensão dessas pessoas tão reacionárias quanto o rei da vela e outros personagens em alguns momentos da peça.
3,5
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Muito interessante e politicamente incorreto. Um livro que retrata bem a sua época com muito sinismo e por mais que fosse obrigatório na escola, eu li por prazer mesmo.
Jenital, brilhante-lubrificante, com doses cavalares de "Laerte não entendi auuuu 🐺", como só o Oswald de Andrade - esse gênio-escroto-mulherengo-bosta-caótico - conseguia ser.
"Heloísa: Ficaste o Rei da Vela! Abelardo I: Com muita honra! O Rei da Vela miserável dos agonizantes. O rei da vela de sebo. E da vela feudal que nós fez adormecer em criança pensando nas histórias das negras velhas... Da vela pequeno-burguesa dos oratórios e das escritas em casa... Às empresas elétricas fecharam com a crise... Ninguém mais pôde pagar o preço da luz... A vela voltou ao mercado pela minha mão previdente. Veja como eu produzo de todos os tamanhos e cores. (...) Para o Mês de Maria das cidades caipiras, para os armazéns do interior onde se vende e se joga à noite, para a hora de estudo das crianças, para os contrabandistas no mar, mas a grande vela é a vela da agonia, aquela pequena velinha de sebo que espalhei pelo Brasil inteiro... Num país medieval como o nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na mão? Herdo um tostão de cada morto nacional!" 🕯️
Roteiro de peça de teatro. Inovador pra época, aliás muito inovador, retratando um núcleo familiar em que gays e lésbicas são tratadas explicitamente, porém é claro com o preconceito existente até hoje. Modernismo puro. Uma obra polêmica pela liberdade sexual. Não me envolveu muito a história, mas é uma leitura interessante.
O rei da vela faz uma crítica mordaz ao pior que há no Brasil: fascismo, viralatismo, hipocrisia etc., mostrando que pouco ou nada mudamos desde a metade do século XX. Nisso, a obra me agradou muito, pelo bem que envelheceu políticamente; não assim os personagens, excessivamente nervosos, temblorosos, caricaturescos de um jeito estetica e dramaticamente negativos.
É uma grande peça que demonstra a burguesia gananciosa da época com certo humor. A peça gira envolta de dois agiotas, Abelardo 1 e seu sucessor, Abelardo 2. Foi publicado em 1937 e escrito em 1933, logo depois do crack brasileiro. Já li Shakespeare, João Cabral de Melo Neto, e agora Oswald de Andrade. Nelson Rodrigues, você será o próximo.
Entendi nada lendo ai depois de 2 vídeos no youtube compreendi e gostei do livro e sendo sincera só li rápido pq to ansiosa para continuar a saga da briar u e falei pra mim que precisava virar gnt e ler pra vestibular tbm
LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOKO DEMAIS PUTA MERDA! TEM TRAMBIQUE, TEM JUROS ALTOS, TEM PUXA SACO DOS IANQUES, TEM CRÍTICA SOCIAL FODA A PEÇA QUE NINGUÉM VIU. SAUDADES ZÉ CELSO
Abelardo 1: Para quê? Outro abafaria a banca. Somos uma barricada de Abelardos! Um cai, outro o substitui, enquanto houver imperialismo e diferença de classes...”
Da primeira vez que eu li, foi por obrigação da escola, então odiei simplesmente porque não havia entendido. Por isso decidi reler e fazer as pazes com essa obra.