Lobão solta o verbo e conta tudo o que você sempre quis saber sobre o rock brasileiro dos anos 80 Com muito humor e, como não poderia ser diferente, sem papas na língua, Lobão revive as amizades, as parcerias, as primeiras derrotas, as decepções, as drogas, a baixa autoestima, as gravações ruins e, ao mesmo tempo, as grandes canções que marcaram a história do rock nacional e da década de 1980 neste Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock. Ele se confronta com as contradições daqueles anos, sua atmosfera política e o desinteresse da nova geração de músicos que surgia pelo que chama de “desgastada e empolada linguagem da ingênua, presunçosa e reacionária MPB”. Os anos 1980 ficaram conhecidos como a década perdida. Mas, apesar dos penteados esquisitos, das ombreiras, do Xou da Xuxa, e da hiperinflação, também foram anos de muito rock and roll. Pelo olhar de alguém que abraçou a vida bandida daquela época, o Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock apresenta um retrato irreverente, sincero e pessoal do Brasil a partir dos bastidores de uma de suas principais expressões culturais. Tomando o devido distanciamento temporal dos acontecimentos, Lobão (ao mesmo tempo um dos sócios-fundadores daquele rock e um de seus maiores críticos) não poupa palavras para, de uma vez por todas, contar todas as verdades sobre os anos 80 – de sua alegria inicial e real esperança à decadência. “Por que o melhor dessa década se esvaneceu? Por que será que não deixou nenhum legado? Foram as mortes de artistas fundamentais um fator decisivo? Certamente isso contribuiu de forma dramática para a derrocada... Mas será que foi só isso? É o que veremos”, escreve o autor. Este é um verdadeiro representante da família Politicamente Incorreta. Um guia repleto de farpas, ironia, e polêmica, como se espera de um livro desta coleção, e também, de uma obra escrita por Lobão.
Lobão, nome artístico de João Luiz Woerdenbag Filho é um cantor, compositor, escritor, multi-instrumentista, editor de revista e apresentador de televisão brasileiro. É um dos poucos artistas ou intelectuais brasileiros de vertente conservadora, tecendo elogios ao filósofo Olavo de Carvalho e ao Instituto Mises Brasil.
Que ele é polêmico não é nenhuma novidade, suas opiniões controversas estão aí na mídia para qualquer um ler e ouvir, mas poucas pessoas se dão conta do brilhantismo com que ele manipula as palavras, tanto na música quanto na literatura, e da genialidade de um cara que conseguiu sobressair-se ao rico cenário musical dos anos 80.
Ótima visão do rock brasileiro nos anos 80 pelos olhos de um insider como Lobão. O livro não vai tão a fundo, e trata-se mais das experiências vividas e narradas por Lobão a respeito de si mesmo e seus pares. Eu recomendo a leitura do livro "Dias de Luta - o rock e o Brasil dos anos 80" antecipadamente, pois aí podemos ligar vários pontos. A crítica de Lobão à MPB "Tropicalista" é feroz e, do meu ponto de vista, correta em grande parte. Por decisão das poderosas gravadoras e dos críticos incapazes, Caetano Veloso e Chico Buarque foram eleitos como "referências" de boa música e, apesar de terem seus bons momentos e serem grandes compositores, considerá-los a única referência de "qualidade" foi (e ainda é) um erro enorme. Se as teorias de Lobão estiverem corretas, quando o rock Brasil nasceu no início dos anos 80, ele nasceu com a expectativa de morrer rápido. O que foi uma tremenda perda para a música brasileira e para as gerações que necessitavam das mensagens trazidas pelas bandas. E hoje, considerando-se a qualidade da música brasileira em geral (em declínio desde a metade dos anos 90), podemos notar a falta que faz a criatividade e energia do rock dos anos 80.
Gosto do Lobão, ótimo contador de histórias e estórias, nutrimos muitos pontos em comum, gosto por alguns personagens e desgosto por outros. Em alguns momentos ele é meu alter ego do mal e fala aquilo que tenho pudor em falar.
Esse é o terceiro livro dele que leio e tenho outro na estante, além de ver e ler muitas entrevistas. Mas ele tem características que não gosto, as vezes meio incoerente, assume aquelas máximas que tento evitar “o amigo do meu amigo é meu amigo” e “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Também desenvolveu uns cacoetes linguísticos meio estranhos e rocambólicos, para usar uma expressão dele mesmo. Tenta basear seus argumentos em muitas referências, as vezes fora de contexto ou fracas.
Não gostei do livro, não trouxe grandes novidades para mim, muito pessoal e parcial. Acusa Caetano, Gil e Chico Buarque de serem os coronéis da MPB, tal e qual Sarney, Collor e ACM, concordo, mas ele se comporta como um Brizola, com foco maior na briga e controvérsia. Ora morde, ora assopra Caetano e Gil e sempre execra Chico.
Outros desafetos que morde e assopra, os velhos conhecidos Herbert Viana e Liminha, sempre puxa o saco de amigos e tenta enaltecer demais as suas músicas e discos.
No final faz uma mea culpa, que sempre desanda em uma “meia” culpa ou um pequeno percentual de algo parecido com culpa.
Além de preencher páginas e páginas com letras e desenho interno de discos para avolumar o livro. Talvez para um leitor que não conheça tanto o personagem Lobão, ou que não viveu os anos 80 e saiba pouco daquela década seja interessante, para mim não foi. Lobão vem se tornando, cada vez mais, um Dom quixote misturado com Sancho Pança ou um Brancaleone sem exército.
Que livro sensacional! Nostalgico, momentos em que arranca risadas e momentos de muita emoção. A escrita altamente sofisticada(simples e cativante) do Lobão nos prende capitulos a fio a cada sentada.
Sugestão para quem ainda pretende ler: ler o livro com o spotify aberto e ir ouvindo as músicas. Um verdadeira viagem aos anos 80.
As vezes, Lobão comete superficialidades, fanatismos e até mesmo erros escrotos (ele chega a errar a transcrição de uma letra do Ratos de Porão), mas o livro não deixa de cumprir o seu papel de servir como Guia, contando algumas das histórias mais loucas de toda aquela década. Tem seu valor!
É uma experiência interessante ouvir os álbuns conforme eles aparecem no livro porque ajuda a entender porque algumas músicas fizeram sucesso na época. O livro também foi bom pra tirar alguns preconceitos musicais que eu tinha (principalmente Legião Urbana e Cazuza).
Uma delícia de livro, de leitura fácil, como deve ser. Para quem viveu esta época, uma oportunidade de recordar muita coisa e entender o que rolava nos bastidores. No meio de tudo, uma tese série: o rock brasil anos 80 foi a maior ameaça à hegemonia dos caciques da MPB. Por um tempo, o rock foi mainstream no Brasil, desafiou gravadoras, rádios e programas da auditório. No final dos anos 80, quando as bandas faziam seus melhores discos, os caciques retomaram o poder, muito pela atitude dos próprios roqueiros que queriam a aprovação dos medalhões como a máfia do Dendê. Uma pena.
Eu sempre gostei muito de música, particularmente a criada nos anos 70 e 80, e ler o Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 Pelo Rock foi uma viagem no tempo. Apesar de fazer parte dessa história, e ter produzido muitos sucessos durante esse período, percebe-se que o autor faz em várias passagens desse livro uma extensão da sua autobiografia. Entretanto esse detalhe não descredita o trabalho nem o autor e também não torna o livro menos interessante e gostoso de ler.
um bom livro, como todo neo especialista de politico há um tendencia enorme em separar esquerda de direita dentro dos contextos, as vezes parece uma continuação ou extensão da biografia do Lobão, recomendo mas o rock brasileiro não é só que contém nesse livro e nem caberia.