O livro traz o relato e reportagens que Gabriel Garcia Marquez escreveu sobre os países aos quais fez várias visitas.
Escreveu Gabro que, a liberdade de imprensa é na verdade a liberdade dos donos dos jornais (pode-se entender como a mídia em geral) de escolherem aquilo que melhor se adequa aos grupos aos quais pertencem. Repassando ao público aquilo que lhes convêm, encontram somente alguns poucos "consumidores" de notícias que sabem distinguir algo que tenha qualidade.
Retratando algumas de suas várias viagens pela América Latina e península Ibérica, Gabro mostra que na história latino-americana buscou-se por várias vezes reprimir-se uma suposta "subversão" para que se fossem instauradas profundas injustiças: vide o exemplo do próprio Brasil, seja retornando-se a 1964 ou até mesmo nos dias atuais.
Falando sobre a Revolução Cubana, que é uma de suas grandes paixões, ele ressalta como pôde perceber em suas viagens à ilha caribenha, o fato de os cubanos terem sido obrigados a exercerem sua criatividade após o bloqueio econômico estadunidense, seja modificando suas próprias roupas e até mesmo na improvisação de receitas gastronômicas, levando-se em conta que durante um bom período os cubanos tinham acesso aos mesmos tipos de comida todos os dias. Isso levou ao aumento da generosidade e da cumplicidade entre os cubanos. Gabro ressalta que em um evento popular, a polícia sequer necessitava portar armas.
O escritor-jornalista enfatiza o fato de que onde todos têm o necessário para viver, ninguém precisa tomar/roubar do próximo, o que diminuiu os índices de criminalidade em Cuba.
Falando sobre obras de arte, o autor escreveu que "se alguma vez foi possível ou ainda será alguma vez [uma obra de arte mudar o mundo], não há de ser pela força destruidora da obra de arte, mas pelas erosões internas e invisíveis do próprio sistema social" (p. 83), o que faz pensar sobre o momento atual do Brasil, onde exibições de arte geram batalhas no campo ideológico, num país onde um vídeo de uma criança tocando um homem nu gera mais repulsa do que imagens de soldados apontando armas para crianças em favelas.
Falando sobre a história da colonização latino-americana, Gabro escreve que o tipo mais difícil de se remediar é a colonização mental, aquela em que o colonizado se vê preso sem conseguir escapar por meios próprios.
Relatando as revoluções ocorridas nos países em que esteve, o autor escreve que nos países cristãos, os mortos são considerados melhores exemplos que os vivos, e para que as revoluções nesses locais tenham êxito, os mártires são os mais importantes.
Evocando seu lado socialista, Gabro critica e coloca o desafio de "ver grandes fortunas confessarem seu pecado original (p. 254)". Nos países pobres, o dinheiro fácil é uma droga das mais perversas, levando à corrupção desenfreada.
Para remediar boa parte dos problemas sociais na América Latina, o autor sugere que a solução mais eficaz seria garantir a educação do berço ao túmulo de cada um. Esses relatos demonstram o que o próprio autor denominou de, fazendo uma autocrítica, alguém que tem paixão pelas causas perdidas.