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Lavagante, Encontro Desabitado

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Este texto nunca foi publicado em livro.
Uma sua primeira versão, muito reduzida, foi publicada em Dezembro de 1963, no nº 11 da revista O Tempo e o Modo, com o título "Um Lavagante e Outros Exemplares", com a menção, em nota de Redacção, de que se tratava de "(…) um capítulo do seu próximo romance, ainda provisoriamente sem título". Existem outras versões dactilografadas, também sem datas. Todas indiciam, pelas emendas, serem posteriores ao texto de 1963. É também possível perceber que se trata de um texto anterior a " O Delfim", publicado pela primeira vez em 1968, pela Livraria Moraes Editores. Talvez se possa concluir que se trata de um texto cujo trabalho de escrita, tal como se apresenta nesta versão final dactilografada directamente pelo autor, foi sendo elaborado ao longo da vários anos, mais ou menos entre 1963 e 1968.

96 pages, Paperback

First published December 1, 1963

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About the author

José Cardoso Pires

41 books120 followers
JOSÉ CARDOSO PIRES nasceu na em São João do Peso, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a 2 de Outubro de 1925. Estudante na Faculdade de Ciências de Lisboa, trocou as matemáticas superiores pela marinha mercante. Entre 1969 e 1971, foi docente de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College, em Londres. Foi director literário de editoras lisboetas e director-adjunto do Diário de Lisboa (1974-75). Estreou-se com Os Caminheiros e Outros Contos (1949) e obteve o Prémio Camilo Castelo Branco com o romance O Hóspede de Job (1964). Dentro do neo-realismo, retoma a tradição satírica setecentista. Entre outros, escreveu os romances O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982, Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Alexandre Alpha (1987), República dos Corvos (1988). Escreveu para o teatro O Render dos Heróis (1960) e Corpo Delito na Sala de Espelhos (1979). Deu ainda a lume a colectânea de ensaios Cartilha do Marialva (1960) e o volume de crónicas E agora, José? (1978) e A Cavalo no Diabo (1994). Em 1997 publicou De Profundis - Valsa Lenta e Lisboa, Diário de Bordo que lhe valeram o Prémio Pessoa desse ano. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem da Liberdade, em 1985. Faleceu a 26 de Outubro de 1998, em Lisboa.

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Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
972 reviews342 followers
January 26, 2026
Então expliquei-lhe que o lavagante é principalmente um animal de tenebrosa memória, paciente e obstinado, e terrível nos seus desígnios. Contei-lhe como ele serve o safio que está nas tocas submersas levando-lhe comida a todas as horas, e como a sua existência anda presa a essa serpente estúpida de grandes sonos, vendo-a engordar, engordar, até saber que a tem bloqueada, incapaz de sair do buraco porque o corpo cresceu de mais, enovelou-se, e não cabe na abertura por onde podia libertar-se.

Lavagante pode parecer um título estranho para um livro que não seja de biologia, mas nesta história faz todo o sentido. Um pedido de boleia de Cecília a Daniel transforma-se num episódio da BBC vida selvagem e, à medida que vamos avançando na ação, percebemos quem é o lavagante e quem o safio. Estamos em plena ditadura e revolta estudantil de 1962, e isso terá um preço a pagar quer por Cecília, quer por Daniel.

Só tendo lido este título de JCP, acho curioso como muitas das suas histórias conseguem ser adaptadas ao cinema. Se são alguma coisa de jeito, não sei dizer, pois nunca assisti a nenhum dos filmes (Balada da praia dos cães, O Delfim, Lavagante), mas deve ser dos autores portugueses com mais livros adaptados ao ecrã, com exceção talvez da Agustina.
Apesar de não ter achado uma trama espetacular, gostei de ler esta pequena novela.
Profile Image for Luís.
2,409 reviews1,436 followers
December 11, 2020
Lavagante succeeds another posthumous one by Cardoso Pires, Dispersos I (2005), where he had collected material published in periodicals, prefaces to books and exhibition catalogues. There, a note to the reader, signed by Don Quixote, suggested the limits of the decision to edit that compilation, on the premise that the writer would not take such an initiative, due to his well-known perfectionism. The Lavagante book again poses the problem of editorial intervention that turns a text into a book, promoting a celebratory resurrection of José Cardoso Pires. It is, after all, an induced reunion with the writer's audience, attracted by the announced rarity of an almost unheard-of, by the authority of the editor and by usual markers in the paratext of the author figure: a photograph of Cardoso Pires on the back cover, the facsimile of two handwritten pages of the text, reproduced at the opening of the book, which gives material proof of one of its versions. There is also the logo of the writer's name, fixed as an authorial emblem since the times of Moraes and now reproduced on the left side of the book.

Source: http://coloquio.gulbenkian.pt/cat/sir...
Profile Image for Vítor Leal Leal.
Author 1 book3 followers
October 30, 2025
O que me fascina em José Cardoso Pires é o pudor. A contenção. O dizer sem dizer e, ainda assim, sentir-se tudo. Em ‘Lavagante’, esse gesto literário alcança uma forma quase absoluta. É uma novela, ou talvez um protótipo de romance, mas é nessa economia de meios que reside a força do texto. Publicado a partir do manuscrito dos finais da década de 60, para mim, está finalizado: nada falta, nem sobra.

A frase que guardo como lição de estilo (e de vida) é: “Doutra maneira seria o strip-tease que conduz ao amor confessional e o amor confessional é a coisa mais complicada que Deus ao mundo deitou.” Belíssima e cruel, revela a ironia lúcida e o pudor intelectual do autor. O strip-tease simboliza a exposição gratuita, o gesto de se desnudar pelo impulso ou pelo desejo de comover, não pela necessidade de verdade. O amor confessional, pelo contrário, é inevitável, trágico, perigoso. Amar e confessar entrelaçam-se, mas sempre com dignidade e contenção. É a escrita da revelação, que permanece fiel à essência sem ceder ao espectáculo emocional.

O livro observa o mundo com distância. Há uma dimensão social subjacente: a repressão da ditadura, a violência do olhar sobre a mulher, a sombra do machismo. Cecília surge como uma heroína moderna, livre de preconceitos, vista pelos outros como objecto de desejo e inveja. Carrega uma liberdade que se sente idealizada, desejada, mas que o autor, com inteligência, subjuga. Salaviza, o inspector da PIDE, encarna essa força opressora, silenciosa mas inexorável. Cecília é também metáfora da pátria que se sonha livre mas se autoconsome nas teias da ditadura, uma autofagia tão portuguesa de que nem hoje, passados quase sessenta anos, nos livramos.

O médico Daniel é outro ponto de observação. Homem corajoso, mas prudente, impede-se de esculpir a mulher ideal (ou a pátria ideal) como um Pigmalião. Este traço, introduzido com delicadeza pelo autor, revela uma consciência viva da diferença entre sonho e realidade. Daniel vive entre fascínio e medo diante desse feminino em potência. É ao mesmo tempo singular e universal. A narrativa vibra no equilíbrio entre desejo, amor e lucidez, mesmo na contenção mais extrema.

O filme de Mário Barroso dramatiza Cecília num destino trágico mais explícito — uma Tosca de Puccini — mas é no livro que sentimos a força da escrita contida, da verdade insinuada, do olhar atento sobre a mulher, a ditadura, o desejo e a liberdade. Cardoso Pires escreve como um príncipe desencantado, mas de um lugar de verdade. Não há exagero, não há espectáculo; apenas a humanidade de quem sabe mais do que o que escreve. E o leitor sente. Sente muito. Na economia e na exactidão das palavras, dos gestos, da acção.

‘Lavagante’ não é apenas um livro: é um exercício de leitura atenta, de escuta, de contemplação. É a prova de que a literatura portuguesa sabia, naquele tempo, falar com pudor e, ao mesmo tempo, desnudar o mundo.
Profile Image for Paulo Teixeira.
938 reviews14 followers
May 15, 2019
(PT)"Lavagante" é uma história relativamente inacabada de José Cardoso Pires sobre um amor entre dois espíritos relativamente solitários, nos anos 60 do século XX, num Portugal ainda amordaçado pela ditadura. Publicado inicialmente em 1963, seria o ensaio de um futuro romance que acabou por dar lugar a "O Delfim", um dos romances mais marcantes da carreira de Cardoso Pires.

"Lavagante" só aparecerá em 2005, sete anos depois da morte do escritor, em comemoração daquilo que viria a ser o seu 80º aniversário natalício.

É um romance pequeno e relativamente maduro em relação a obras mais antigas como "O Hóspede de Job", mas não deixando de ser politico e critico da sociedade que se vivia nesse tempo, não só na critica politica, mas também do machismo predominante, algo do qual veremos muito n'"O Delfim". No demais, é agradável de ler, e de uma certa forma, parece estar acabado em termos de "principio e fim", se quisermos observar isso dessa forma.
4 reviews
Read
January 3, 2026
Há textos e pequenos exercícios dos autores maiores da nossa língua que se vão perdendo nos tempos (muitas vezes graças às condições em que foram escritos e editados, ou mesmo, pelo facto de não terem sido editados em virtude da censura fascista ou por outras dificuldades consequentes do quadro em que foram produzidos) este pequeno romance, ganhando novas vidas por duas vezes, mais de 40 anos após ser concluído, merece, só por esse dado, ser visitado.
Profile Image for Marta.
34 reviews
December 26, 2025
Ler este livro significa um reencontro com José Cardoso Pires, escritor de malícias e das rudes subtilezas da vida.
2 reviews
December 17, 2025
Nada a apontar, amor pleno às escondidas com as condições que a sociedade da época consedia, já agora, a Cecília é uma vendida.
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