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336 pages, Paperback
Published October 31, 2019
Em momentos de perigo, quando as mulheres surgem ao seu lado, os homens não protestam. Contudo, os grandes atos e os intermináveis sacrifícios das mulheres não mudam as visões que os homens têm delas[...]Os homens detacaram mulheres de mérito excecional e colocaram-nas num pedestal para evitar reconhecer as capacidades de todas as mulheres.
Há quem diga que o patriarcado morreu na Idade Moderna, transformado no simples privilégio masculino. Outros, contudo, sustêm que a ordem industrial foi uma dádiva para o patriarcado, enriquecendo mais homens do que antes e criando estruturas que conduziram ao maior empobrecimento das mulheres. Fosse qual fosse o caso nas fábricas, um historiador concluiu que a diferença salarial pré-industrial da Idade Média era igual à diferença entre os salários das mulheres e dos homens no início do século XXI.
A divisão sexual da mão de obra sempre foi flexível e arbitrária. Entre alguns povos nómadas, por exemplo, as mulheres montavam a cavalo e podiam até combater, como os homens, ao passo que noutras culturas a masculinidade poderia estar exclusivamente ligada ao cuidado e à utilização de grandes animais, sobretudo preparando-os para empresas militares.
(Séc. XV/XVI)
As mulheres participaram na Guerra de Secessão tal como batalhões dos exércitos nas suas cidades, lavando roupa e tratando de ferimentos. Tal como em quase todas as guerras da época, avançavam quando a espingarda de um soldado ferido ficava disponível ou vestiam-se de homens e tornavam-se combatetentes a tempo inteiro.
No Quénia, na organização pela independência chamada Mau Mau, as mulheres trabalhavam como fornecedoras de armas, comida e comunicacões para os combatentes, porque tinham sido privadas das suas terras, atiradas para campos de concentração britânicos e torturadas, tal como os homens. Na guerra da independência da Argélia, na década de 1950, mulheres combatentes, mais uma vez disfarçadas de mulheres, trabalhavam para as forças independentistas de formas variadas, como, por exemplo, recolhendo informações secretas e praticando terrorismo. Como afirmou a combatente da resistência Jamillah Buhrayd, havia milhares de mulheres que «iam, tal como eu, da casbá até ao bairro francês. Levavam bombas nas malas e atiravam-nas para dentro de cafés».
A propósito de enfermidades, vou dizer-vos uma coisa vos fará desejar estar aqui. A varíola, tão fatal, e tão frequente entre nós, aqui é completamente inofensiva, graças à invenção do enxerto, que é o termo que lhe dão. Existe um conjunto de mulheres idosas que fazem desta operação o seu negócio, todos os outonos, no mês de setembro, quando o grande calor já diminuiu, as pessoas visitam-se umas às outras, para saberem se alguém da família tem varíola; fazem festas para isso, e quando se encontram (muitas vezes quinze ou dezasseis), a mulher idosa aparece com uma casca de noz cheia da matéria do melhor tipo de varíola e pergunta que veia se deseja que abra. E rasga imediatamente aquela que lhe for apresentada com uma grande agulha (que não dá mais dor do que um vulgar arranhão) e coloca dentro da veia o máximo de matéria que estiver na cabeça da sua agulha, e depois disso liga a pequena ferida com um pedaço oco de casca, e deste modo abre quatro ou cinco veias [...]. As crianças ou jovens pacientes brincam juntas o resto do dia e ficam de perfeita saúde até ao oitavo dia. Depois a febre começa a atacá-las e elas ficam de cama dois dias, muito raramente, três [...]. Não há exemplo de nenhuma que tenha morrido nela, e podem acreditar que eu estou muito satisfeita com a segurança desta experiência, pois pretendo testá-la no meu querido filho mais novo. Sou patriota o suficiente para sofrer as dores de popularizar esta útil invenção em Inglaterra, e não deverei deixar de escrever a alguns dos nossos médicos em particular sobre isso.
Napoleão criou um código de leis unificado para a nação, que dura até aos dias de hoje e que influenciou a reforma de sistemas legais de todo o mundo(...) o Código Napoleónico, que entrou em vigor em 1804 impedia as mulheres de agirem como indivíduos autónomos (...)enquanto cidadās, as mulheres eram membros passivos, não ativos, da nação francesa: não tinham o direito de participar na política nem podiam mover processos contra malfeitores ou ser testemunhas julgamentos. A sua nacionalidade seguia a do marido, perdendo a cidadania francesa se casassem com um homem estrangeiro. Em termos económicos, não podiam ter um negócio em seu nome, nem trabalhar sem a autorização do marido. Se trabalhassem, o seu ordenado pertencia ao marido. Com o casamento, a propriedade de uma mulher, salvo algumas exceções, passava para o marido. Com o casamento, a mulher tinha de residir onde o marido mandava. Se fosse considerada culpada de adultério, seria presa; um homem adúltero não era punido, a não ser que levasse a sua concubina para viver no lar conjugal. Os filhos de um casamento eram propriedade do marido. Se este morresse, ficariam à guarda de um conselho familiar, não da mãe. Em suma, o Código Napoleónico criava pobreza para as mulheres e a sua inferioridade civil, até a sua não-existência, exceto como entidades vivas subjugadas aos maridos e aos caprichos do Estado. Sem terem rendimentos próprios mesmo que ganhassem salário, o Código Napoleónico praticamente obrigava as mulheres a ficarem com o marido. Não tinham alternativa.
Considera-se que o foco da Revolução Industrial foram tecnologias (...) e máquinas criadas em Inglaterra a partir do século XVIII. Contudo, as mulheres já utilizavam uma diversidade de tecnologias antes da ascensão da indústria, por exemplo, as complexas ferramentas das mulheres chinesas para tecer e os sistemas de irrigação para a agricultura das africanas.
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, um grupo de mulheres de doze países encontrou-se em Haia, fundando a Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade (WILPF, na sigla inglesa) e decidindo visitar chefes de Estado de vários países envolvidos no conflito para negociar a paz. A tentativa fracassou, mas a declaração de principios que estas mulheres redigiram e entregaram aos chefes de Estado era notavelmente semelhante aos Catorze Pontos do presidente norte americano Woodrow Wilson, publicados cerca de dois anos mais tarde.*
A administração manchu (...) deu particular ênfase à pureza das mulheres, com uma lei de 1646 sobre violação a declarar que a alegação de violação de uma mulher só era credível se ela morresse no ataque ou se lutasse sem interrupção. Qualquer diminuição de resistência indicava consentimento, logo, condenava a mulher à morte.
Reformadoras chinesas ajudaram o país a ganhar cerca de 134 mil escolas para raparigas, educando quatro milhões e meio de alunas antes da Primeira Guerra Mundial. A educação superior para mulheres também evoluiu, sendo criadas faculdades femininas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, na década de 1860 e início da de 1870; a Universidade Feminina em 1901 e a Universidade Feminina de Chukyo em 1905, no Japão; a Faculdade Ginling foi fundada em 1913, na China; e, na Índia, um ashram para viúvas e raparigas, fundado em 1896, foi convertido em faculdade para mulheres em 1916 e depois numa universidade. Antes de 1914, o número de universidades para mulheres explodiu por todo o mundo, e os homens de muitos países emergentes eram ativos no debate do direito das mulheres à educação, a bons empregos, à detenção de propriedade e ao voto.
Em 1915, quando milhões de homens perdiam a vida nas linhas da frente ou ficavam inválidos devido a ferimentos de guerra, foram contratadas mulheres para as fábricas de munições, e não só, e para trabalharem nos transportes, nas quintas, na educação e no comércio. As mulheres também prestavam serviço como enfermeiras nas linhas da frente, e na Rússia formaram unidades militares exclusivamente femininas. Em locais onde havia empregos segregados de homens e mulheres, as expectativas de género esfumaram-se.
A ascensão das mulheres ao poder como chefes de Estado foi notável no final do século XX e continuou no século XXI. Em 2015, a pessoa mais importante na Europa foi considerada a chanceler alemã Angela Merkel (n. 1952), que subiu ao poder em 2005. Na verdade, Merkel liderava não só a Alemanha, mas o maior mercado do mundo-a União Europeia-, devido à economia próspera do seu país e à sua mão firme perante muitas emergências. Antes de Merkel, como já vimos, existiram muitas chefes de Estado e mulheres líderes na Ásia, depois da Segunda Guerra Mundial: Golda Meir chefiou Israel; Indira Gandhi, a Índia; Corazón Aquino e Gloria Macapagal Arroyo, as Filipinas; Benazir Bhutto, o Paquistão; e Megawati Sukarnoputri, a Indonésia.(...)tornou-se visível que a ênfase feminista na igualdade, justiça e na capacidade das mulheres para a liderança fora eficaz e que o ativismo feminino fora uma força progressiva.