A mulher na história do Brasil vai buscar no período colonial as raízes do machismo brasileiro. A permanência desses valores permite que chavões surrados do tipo "lugar de mulher é na cozinha" seja repetidos geração após geração, sem qualquer questionamento.
As raízes desse machismo mergulham fundo na história do país e só muito recentemente concentram-se esforços para denunciar e combater também essa forma de discriminação e dominação social.
O livro de Mary Del Priore faz parte desses esforços, mostrando que lugar de mulher é na história, lutando para ultrapassar os limites que lhe são impostos, tanto no espaço privado da vida doméstica, quanto na arena pública, onde se desenvolve a luta pela sobrevivência.
Mary del Priore, ex-professora de história da USP e da PUC/RJ, pós-doutorada na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, tem 29 livros de história publicados, sendo o mais recente Uma breve história do Brasil, escrito com Renato Venancio e lançado pela Planeta em 2010. É vencedora de vários prêmios literários nacionais e internacionais, como Jabuti, Casa Grande & Senzala, APCA, Ars Latina, entre outros. Colabora para jornais e revistas, científicos e não científicos, nacionais e estrangeiros. É sócia titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do PEN Club do Brasil. Atualmente, leciona na pós-graduação de história da Universidade Salgado de Oliveira.
Uma rápida introdução por Mary del Priore à construção do papel da mulher na História do Brasil.
A autora se baseia principalmente em relatos históricos e foca na ação da Igreja Católica para a formação do que se considerava boa-conduta. Há vários exemplos de como a cultura portuguesa abalizada pela religião comprimia oficialmente a conduta da mulher e como, igual a todas as outras áreas da sociedade luso-brasileira, escapava por relações populares.
Do casamento á prostituição, concubinato, maternidade e arrimo - bem como a relação com os padres que aparentemente pela nossa formação tornou-se um dos poucos lugares em que tal nunca foi visto com particular desconfiança ou repressão.