Eu estava buscando um fonte de leitura para entender melhor a questão do revisionismo histórico. Essa aqui é uma boa referência. O autor se baseia na mudança de visão (séc. XVIII) ocorrida no conceito de história, de algo pontual ou contextualizado (Historie) para algo linear e conectado (Geschichte). Muito em razão do questionamento do apocalipse, que tornou o tempo mais "elástico". Isso permite criar-se uma visão de futuro elaborada. Passado e futuro são conectados. São experiência e expectativa, cuja tensão faz surgir o tempo histórico. Quanto menor a experiência, maior a expectativa.
A partir daí, análises históricas tornaram-se “possíveis”. O autor cita o exemplo de Lorenz von Stein e as suas previsões sobre a constituição prussiana. Mas não só previsões como ações de construção do futuro: “Se o futuro da história moderna abre-se para o desconhecido e, ao mesmo tempo, torna-se planejável, então ele tem que ser planejado.”
O autor também destaca como a história dos conceitos está diretamente relacionada à história social, complementando que conceitos são temos cujo significado costuma não só ser complexo como mutável (no tempo e na perspectiva). E isso torna a análise histórica relativa. Schiller: “A história do mundo é a história do julgamento do mundo”.
À análise, soma-se a ideia de que o acaso passou a estar fora da história. Afinal, se tudo precisa fazer sentido, não há lugar para o acaso.
Também se comenta sobre conceitos antitéticos (que se opõem) fazem parte da análise histórica, como cristão x pagão. Nesta caso, análise é igual a divisão, que contém em si a oposição.
Mais ao fim, o autor destaca a oposição entre história e poesia com essa frase de Alsted: "Aquele que inventa peca contra a história; aquele que não inventa peca contra a poesia”. É uma revelação da complexidade de se tratar res fictae e res factae (ficção e fato), ou seja, objetividade e perspectiva do historiador. Lembrei da "fake fiction" do Haddad aqui...
Percebo que, sem a arbitrariedade de Deus, uma fenomenologia da história parece ser inevitável. Cada deusinho historiador com seu ponto de vista. Não mais a história de Deus com a humanidade, mas a história da própria humanidade. Eu entendo melhor o ponto de vista, ainda que consiga antever as altas confusões decorrentes dele.