"Este romance é uma viagem alucinante pelos labirintos do desejo e da solidão, que nos arrasta para lá das convenções dos géneros e do sexo, conduzindo-nos ao conhecimento da vertigem. A escrita transparente e comunicante de Patrícia Reis ganha corpo e espessura nesta narrativa polifónica orquestrada pela obsessão do Grande Amor - aquela luz infinita que simultaneamente cega e acende a verdade íntima de cada um de nós. Este livro morde-nos, de facto, o coração - e é para isso que servem os bons livros." Inês Pedrosa
PATRÍCIA REIS nasceu em Lisboa, a 12 de Dezembro de 1970. Começou como jornalista n' O Independente aos dezassete anos. Passou pela revista Sábado, de que foi editora, fez um estágio em Nova Iorque na revista Time e, no regresso dos EUA, colaborou no Expresso, trabalhou nas revistas Marie Claire e Elle e nos «projectos especiais» do jornal Público. Em 1997 passou a colaborar com o atelier de Henrique Cayatte, na produção de conteúdos para a Expo' 98. Desta colaboração surgiu o Atelier 004 de que é directora e que, entre outros projectos, produz a Egoísta.
Escreveu a curta biografia de Vasco Santana e o romance fotográfico Beija-me (2006), em co-autoria com João Vilhena, a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008), Antes de Ser Feliz (2009), Por este mundo acima (2011), Contracorpo (2013) e O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky (2014).
Peguei neste livro antes de ir dormir e não consegui largá-lo até ele chegar à última página. Primeiro porque é pequeno quer em tamanho quer em número de páginas e segundo porque é grande, muito grande no conteúdo. Parece, quem pega nele sem lhe prestar muita atenção, que não tem nada. Que é vazio. Mas este pequeno livro é cheio de emoções. Está carregado de sentimentos. Eu não me atrevi a interromper o fluido de palavras que se ia derramando nos meus olhos. Acredito que não será um livro unânime. Nem toda a gente vai adorar como eu. Vão haver leitores que o irão achar monótono e sem história, até porque os diálogos são inexistentes. Vão haver leitores que não vão gostar porque a história da Maria e do Xavier não lhe diz nada. A mim tocou-me o coração, fez-me esquecer completamente as horas.
Um pequeno livro cuja leitura não me agradou muito. Achei muito disperso e apesar de achar engraçado que as personagens contasse a sua versão da história à vez, achei-a muito banal e corriqueira, sem grande interesse da minha parte em saber o final, que ficou muito pouco claro para o genero de livro que era...
Um livro com uma escrita maravilhosa, que nos toca, encanta e prende da primeira à última página. Uma escrita cheia de sentimentos e emoções que metaforicamente morde o nosso coração. É impossível ficar indiferente à estória e ao mar de sentimentos que desagua no nosso coração durante a leitura. A estória em si, de amores e desamores, de encontros e desencontros, é menos forte, por isso as 4 estrelas. Um pequeno grande livro que deve ser lido, logo que possível.
Apesar de não ter sido um livro enviado para escrever no Deus Me Livro, ainda pensei em escrever mas decidi fazê-lo à minha maneira e partilhar exclusivamente no Goodreads. Morder-te o Coração da escritora Patrícia Reis (actualmente podem ouvi-la no programa A Páginas Tantas na Antena 1, todas as quartas às 23h se não estou em erro) surgiu recentemente como um livro de bolso, bem pequeno e prático para levar na mochila ou numa carteira. Apesar das pequenas dimensões (não mais de 150 páginas), é um grande livro sobre o tema que mexe com todos: o amor.
Patrícia Reis apresenta o amor em todas as formas: o não correspondido, o inseguro, o despreparado – devido à dimensão que um verdadeiro amor contém –, o sexual e tantas outras formas que podem fazer parte de qualquer ser humano. Um homem, a recordar a primeira vez que a viu, na ilha do Pico há dez anos atrás «(…) tu à janela, a olhar lá para fora e depois, sem pressa, num gesto pausado, a camisa de alças a fugir do teu ombro (…)» e ela, sem saber realmente se encontrou o amor por ter sido tão violentada desde criança. Não tivesse perdido o coração aos 9 anos. Entre aflições, desgostos, a satisfação e a plenitude, estes dois protagonistas caminham, ao longo do livro, sobre a corda bamba. Perto da morte, ela chega a tentar matar-se e ele, pleno dos seus sentimentos, chega a abandonar Estocolmo para partir em direcção a Lisboa. Uma cidade que não é a sua, mas onde procura a sua verdadeira casa.
Dos poucos dias que a leitura demorou, provavelmente senti o meu corpo pleno com este Morder-te o Coração. Com uma escrita simples e rica, a Patrícia Reis consegue entrar na cabeça de qualquer leitor e plantar imagens. Contém uma escrita muito visual, como foi afirmado em várias entrevistas, e recheada de emoções pelo meio. E, como se poderia esperar, o final não foge à regra de todos os finais de grandes histórias de amor. Recomendadíssimo para quem aprecia este género literário.
Não sabia o que esperar deste livro quando iniciei esta leitura e no fim de terminada fiquei na mesma.
Não foi o livro que me seduziu, nem me disse nada de especial, não sei se o li na altura certa ou se apenas não consegui compreender a sua essência. Para mim é apenas de pessoas que se deixaram levar pelos percalços da vida e nada fizeram para conseguir ultrapassa-los e que em vez de viveram apenas se limitaram a existir.
Riqueza na construção frásica, nos jogos de palavras e na originalidade do raciocínio: 5 estrelas. Enredo, a história de amor: 3 estrelas. O final: 2 estrelas.
Confesso que gostei muito das primeiras páginas. Senti-me muito interessada nos dois monólogos/diálogo inicial, apesar de ter achado que o terceiro pode ter tanto de prescindível quanto de instrumental para a compreensão do que é ter-se um "coração mordido".
Seja como for, foi uma primeira incursão no que escreve Patrícia Reis que me deixou com vontade de ler mais da autora. É um livro curto, mas uma excelente introdução. E uma excelente reflexão sobre como, às vezes, se faz sentir o amor.
"Não mudámos nada, não fizemos nada. Somos apenas carne da carne, reduzida à sua indigna condição de súbdito do transcendente, um produto simples do medo. O medo que nos domina. Homens e animais presos a essa adrenalina da sobrevivência, da necessidade. De amor, de abrigo, de comida, de frio e de calor. Lentamente, vivemos. Morremos."
Esta é uma história triste, de amores desencontrados, de pessoas que amam quem não os ama, de amores que surgem quando um dos protagonistas não está preparado para amar, não sabe sequer se é capaz de o fazer, pois perdeu o coração aos 9 anos de idade e nunca mais o encontrou. É um livro triste sobre a procura do Grande Amor, uma procura obsessiva que provoca danos colaterais nas pessoas que se vão cruzando no caminho do Grande Amor, uma procura que faz com que não atentemos nas possibilidades que nos rodeiam e que poderão ser elas próprias uma hipótese de encontrar o tão desejado amor. É uma história triste que não deixa de ser bonita, se bem que tenha poucas ou nenhumas alegrias e razões para sorrir.
É um livro que está muito bem escrito com uma escrita que encanta e embala. Um livro repleto de sentimentos e que só posso recomendar.
A primeira parte lembra o "Fazes-me falta", da Inês Pedrosa (e não é por acaso: Inês aparece na lista de agradecimentos, e um personagem chega a dizer, com todas as letras, a frase "fazes-me falta"). Temos um homem e uma mulher ("ele" e "ela"), amantes separados, alternando-se como narradores em capítulos em que um fala ao outro. No começo é ainda mais interessante porque, enquanto ele fala da sua vida depois da separação, ela fala do que se passou antes de conhecê-lo. Essa simetria sozinha seguraria uma boa novela, mas a autora parece se cansar dela rapidamente e ainda no fim da primeira parte mistura os tempos.
A segunda parte é quase um outro livro, um conto spin-off, dando voz e protagonismo a uma coadjuvante nos capítulos "dele". Na terceira, "ele" volta a ser o narrador para amarrar as pontas e conduzir a história a uma conclusão.
Achei que faltou um pouco de consistência. As histórias de amor (e de poliamor) acontecem sem muito impacto, seja nos Açores, em Lisboa ou Estocolmo, e os personagens passam sem provocar mais que uma leve simpatia.
Um dos primeiros livros que li escrito por uma escritora contemporânea portuguesa. Surpreendeu-me muito pela intensidade e o modo de escrita, além da originalidade da história em si. Nunca escrevo reviews de livros e este realmente é o primeiro que me parece que mereça que o faça devido ao fato de não ser tão conhecido e consequentemente merecer mais reconhecimento por parte do público. Fiquei curiosa para ler outros livros da Patrícia Reis e já adicionei alguns deles á lista de próximos livros a comprar!
Um livro pequeno mas com muito que dizer sobre o amor. Sobre relações amorosas e a sua complexidade e expectativas muito diferentes entre os intervenientes. Contada a 3 vozes esta história leva a uma leitura compulsiva e muito agradável. Muito bem escrito.
Um romance de amor e desamores, de encontro e desencontros. Gostei da obra. Contudo, não foi das obras que mais gostei desta autora. É um livro relativamente leve, que se lê num instante e que nos deixa a pensar... nas nossas relações e na vida humana.
li de rajada acho que prevalece a solidão a falta de comunicação os desencontros acho que é muito transversal aos livros que tenho lido da Patrícia. gosto sempre da escrita, da leitura compulsiva que provoca mas não está no top 3 ainda assim acho que vale muito a pena a sua leitura
Depois de Antes de Ser Feliz, o último livro de Patrícia Reis que li foi Morder-te o Coração. Esta é uma história que tem como tema central o amor. Não podemos falar apenas do chamado grande amor, mas no amor nas suas tantas vertentes afectivas, que oscila pelos recantos do desejo, da paixão, do sexo, do medo, da loucura, da desilusão, da fuga, do amor incondicional e também da solidão. Um homem, como tantos outros, conhece um dia uma mulher que está de passagem. Nessa ilha portuguesa, tendo o mar como testemunha, a paixão desponta fazendo-o crer que essa é a mulher da sua vida, a sua cara metade. Nesse amor de Verão, na entrega do amor a nas histórias por ela partilhadas, o amor cresce dentro dele, como se nunca a distância o pudesse acabar. Mas um dia esta mulher parte e a única coisa que lhe deixa são as histórias que contou sobre a sua vida. Seriam verdadeiras? É então que ele decide partir na busca do seu amor e, seguindo as histórias que guardou, parte numa viagem pelo mundo, pelos locais por ela revelados. Sentindo que a sua missão foi falhada, acaba por encontrar algum conforto em Estocolmo, cidade por onde ficou e procurou recomeçar a sua vida nos braços de outra mulher. Aqui, esta relação e o sexo, motivam-no a uma viagem bem diferente daquela que um dia pensou viver. Alguns anos mais tarde, um acontecimento leva-o a deixar tudo e partir de novo em busca da sua verdadeira motivação para viver... Será que ainda valeria a pena? Seria esse acontecimento mais forte que a razão? A narrativa é partilhada por três personagens, o homem (Xavier), a sua paixão (Maria) e a mulher com quem acabou por refazer a sua vida. Com uma escrita cativante e transparente, Patrícia Reis assume a pele destas personagens que, ao ritmo do desenrolar da história, vão revelando os seus verdadeiros sentimentos, os seus disfarces e fraquezas, em histórias de vida que se cruzam e que poderiam ser a história de qualquer um de nós. Como escreveu Inês Pedrosa:
"Este livro morde-nos, de facto, o coração - e é para isso que servem os bons livros."
Não posso dizer que tenha sido um livro cuja história me tenha atraído particularmente. Apesar de tudo achei uma leitura agradável, uma narrativa simples, sobre os desencontros do amor. Gostei particularmente do facto da história ser contada por vários personagens, intervinientes na acção, contando a sua perspectiva dos eventos. Relativamente ao tipo de escrita, não posso dizer que seja fã da forma como a escritora expõe a história ou da sua maneira de escrever, fez-me lembrar muito a maneira de escrever da Inês Pedrosa - e eu não aprecio, de todo, esta escritora -, por outro lado a narrativa fez-me lembrar uma coisa ao estilo do Tiago Rebelo - do qual também não sou grande fã. Os personagens, pareceram-me muito unidimensionais, sem características distintivas que me fizessem sentir que as conhecia ou que elas eram diferentes de qualquer outra personagem de outra história qualquer. No geral, uma leitura rápida, que não é de todo desagradável mas que não acrescentou nada à minha vida e que não foi, de todo, memorável.
Em termos de escrita, o livro prima pela excelência. Uma linguagem tão sensível e matafórica que é incapaz de não nos morder o coração. Achei, no entanto, que a história em si dos dois apaixonados não era muito interessante e saí as 4 estrelas e não 5.
Hoje lembrei-me que já tinha lido este livro e lembro-me que o fiz de um fôlego. Tem umas metáforas interessantes, o título ficou, mas o conteúdo foi para algum recanto da memória ou perdeu-se pelo caminho...
Alta velocidade, são histórias marcadas por pequenos pormenores....não serão eles o sentido da vida?...na solidão da vida e das vidas, terei o mesmo fim?