Nesta obra, Manoel de Barros recorre às lembranças de Mato Grosso, e de seus primeiros passos no Pantanal, para dar novos significados às palavras. O livro oferece uma oportunidade de apresentar aos leitores a vida de um dos mais importantes poetas contemporâneos. Um autor que surpreende, ao mesmo tempo em que intriga e comove ao leitor, com o despojamento de seus versos, tirados de chão, árvore, bicho, água e pedra.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
Eu sou dois seres. O primeiro fruto do amor de João e Alice. O segundo é letral: É fruto de uma natureza que pensa por imagens, Como diria Paul Valèry. O primeiro está aqui de unha, roupa, chapéu e vaidade. O segundo está aqui em letras, sílabas, vaidades e frases E aceitamos que você empregue o seu amor em nós.
Manoel faz algo extraordinário, utiliza termos simples e cotidianos para uma amplitude de sentidos. Parece fácil, mas é a pureza da infância transformada em palavras. Fico encantado a cada página que viro.
Simples pensamentos em torno da obra e do autor. Divido em partes, como o livro. (Não quis estruturar o texto, preferi passar o sentimento ao ver/ler em tentativas de palavras.)
Direto da "infância da língua", uma arte pré-histórica:
*Canção do ver(1° parte) - Linguagem de nascimentos. Rios e rios de imaginação repleta e transbordante de invenções.
Frases de efeitos e consequências; repensamos o dia e por vezes a vida.
Fala dos dias e do tempo: "todo mundo se ocupava da tarefa de ver o dia atravessar".
Onde a seriedade não vence a invenção infantil; o "olhar de pássaro" voa livre e o "olhar furado de nascentes" vê além.
Contempla a meninice curiosa, sabendo-se parte de tudo e sabendo que "ninguém era início de nada".
Busca recordações - ou até mesmo o toque vivido - das infâncias e momentos dentro importância das coisas desimportantes.
Onde a manhã se confunde com pássaro e o pássaro se confunde com vida.
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*Desenhos de uma voz(2° parte) - Os animais e suas tantas formas que só ele consegue ver e nos fazer ver.
A simplicidade de observar profundamente, sem muita distinção, as pequenezas nos animais.
"quem ouve a fonte dos tontos não cabe mais dentro dele", pois rejeita qualquer seriedade que seja mais séria que a própria invenção.
Continua a puxar pela memória dos nascimentos que faz e que teve.
Definitivamente um ser letral que nos carrega com suas latas e ideias.
Examina e nos mostra os caminhos e descaminhos das palavras, frases e sentidos.
Nos faz também sofrer "uma espécie de encantamento poético" pelas palavras que provocam isso nele.
Sempre a palavra mais crua de significado, tão crua que o próprio significado de cru não a identificasse.
Com seu próprio lápis criava a natureza.
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*Carnaval(3° parte)
Brinca com as palavras como pode.
Cresce e imagina; na sua fonte infinita, tudo se tem alcance; e cíclico como a vida, o olhar faz silêncios.
O susto da palavra, da língua que cria a imagem, da imagem que tem o poder de uma ou mais dúvidas.
Entrava no sonho das palavras, as via, as sentia; o oposto também era real.
Observa como quem já olha diretamente pro passado.
Mais e mais o Manoel me surpreende, a cada livro que leio dele mais me encontro nos seus casamentos incestuosos entre as palavras e me perco em sua nostalgia pueril de infancia no mato. Apesar de curto esse livro é muito tocante, mal comecei a ler o primeiro poema e ja me vi fisgada pelo seu encanto. Às pessoas que irao ler esse livro, só vos digo uma coisa: leio esse negocio!!!