Em 2111, o mundo vive enclausurado numa nuvem de poluição. Portugal não foge à regra.
As pessoas debatem-se nas ruas da capital por ar puro e dignidade. Os Tecnal, soldados com implantes mecânicos, foram proscritos pela sociedade estratificada. Mas uns quantos sobreviveram, perseguidos por uma polícia especial e dependentes de uma droga potente.
Filipe, agente desta força policial, está dividido entre seguir a lei ou o instinto. Embrenhado naquele submundo, cedo descobre que os Tecnal podem ser a chave para uma verdade maior.
A ele juntam-se personagens surpreendentes e fortes, perdidas na ambiguidade da sua própria condição.
O desenvolvimento científico, além de vantajoso é também causador duma crescente poluição atmosférica e detritos tóxicos.
Por outro lado, o crescimento da Paz no Mundo não é proporcional ao progresso tecnológico. A rivalidade bélica entre as nações é ainda uma constante que quando aliada ao avanço tecnológico se traduz em armamentos mais sofisticados, exponenciando os perigos para a Humanidade enquanto espécie.
Regra geral, as distopias procuram alertar para estes pontos negativos que coexistem com o avanço das civilizações e que se não forem travados crescem como Calamitosas Bolas de Neve.
Problemas sobejamente conhecidos, mas que nunca é demais recordar!
Em "Cinzas de um Novo Mundo", está-se em 2111 e 3 Confederações dominam o Mundo, num Clima de Guerra Fria: A Aliança Asiática, A Confederação Europeia e A América Unida. Os exércitos compõem-se de Guerreiros Clones, híbridos de máquinas e homens, mais temíveis e rápidos que quaisquer soldados humanos. Marionetes assassinas, programadas para matar. A poluição é atroz: a atmosfera terrestre está envolta numa espessa cúpula de fumo onde o sol é incapaz de penetrar. O ar é irrespirável, tornando a vida de cada dia num permanente Desafio de Sobrevivência!
Esta opinião vai ser um bocadinho grande pois vou explicar o que me aconteceu antes de pegar neste livro e só depois é que dou a opinião sobre o livro. Opinião completa em: http://aviciadadoslivros.blogspot.pt/...
É verdade que à primeira vista a história lembre o Blade Runner, porém, para alguém que adora o género de ficção científica e distopias, foi um prazer ler este livro!
Talvez o começo custe um bocado a engrenar, visto que embora a história seja ambientada em Lisboa, o cenário ainda é completamente diferente da nossa realidade, e os vários personagens permanecem uma incógnita até pelo menos a página 50, mas, uma vez dentro da narrativa, a história escorre com fluidez e é difícil não se afeiçoar aos personagens principais! A temática da alma e da consciência humana são trabalhadas com delicadeza, um contraste que apreciei quando colocada à frente da dura realidade da Lisboa de 2111.
O final é electrizante e cheio de adrenalina, fazendo juz ao nome de Eagle! Doce e amargo, a história fica concluída na perfeição!
Num futuro não muito longínquo, a poluição toma conta do mundo e deixa os seres vivos a beira da extinção. A luta pela supremacia leva os países a unirem-se na criação de novas armas, novas formas de se auto-destruírem. A acelerada corrida ao desenvolvimento cientifico-tecnológico permite avanços gigantescos na área da medicina e tecnologia como é o caso da nanotecnologia. Os Tecnal, soldados semi-humanos, desenvolvidos com recurso a esta nova tecnologia, tornam-se incapazes de cumprirem o seu propósito quando um misterioso vírus aparece e os sentencia a uma morte certa. Os que sobrevivem são considerados perigosos e por isso são perseguidos e eliminados por uma polícia especial anti-tecnal denominada de Trisquel da qual faz parte Filipe Eagle. Filipe, um inspector íntegro e justo, juntamente com mais quatro improváveis aliados vão tentar reverter a situação actual e salvar o mundo.
"A História dita que, quando se eleva um mal, gera-se no mesmo instante algo de bom. O equilíbrio desperta soldados que, com chamas nos corações, o querem derrotar. Eles vêm ao mundo apenas com essa missão, erguendo-se mesmo da morte, se assim o destino o ditar."
Esta narrativa apresenta uma escrita fluída e bem construída, cheia de acção, mistério, aventura, com personagens fortes e corajosas que apesar dos seus medos e dúvidas não se deixam vencer pelo medo nem pelo cansaço, seguindo os seus destinos e mudando a face do mundo.
Que vos sugere este título? Destruição? Esperança? Morte? O certo é que é um livro único do género! Passa-se num futuro atribulado, num mundo contaminado por nuvens de poluição, chuvas ácidas e doenças avassaladoras. As Organizações Mundiais caíram, os países dos diferentes continentes uniram-se e uma guerra eminente surge. A poluição tóxica varre milhões e a fome outros tantos. Em Portugal, a população é dividida por zonas! A Zona 1, com alguns privilégios e energia, a Zona 2, sobrevivendo através de barras proteicas, a Zona 3, onde a desordem e a morte reinam e a Zona 4, uma "suposta" zona morta e inóspita...
O que mais gostei neste enredo, foi ver este caos pela perspetiva de um agente da paz, uma assassina, um soldado e um Imortal. Tudo passado em Portugal que, combinado com uma escrita fluída e cuidada, faz desta obra algo a não perder!
Este foi um livro que me surpreendeu muito pela positiva. Quem me conhece minimamente sabe que o género distópico é dos meus géneros de eleição e quando soube da existia deste livro fiquei super curiosa devido a ser não só de um autor português mas, também, por se passar no nosso país. Este livro tem um ar sombrio e remete-nos para daqui a uns 100 anos em que o mundo já não é como o conhecemos hoje. O mundo foi dividido em 3 grandes fações, não há sol devido à poluição, não há ar puro, as pessoas têm problemas respiratórios, estão cheias de doenças, e o governo parece não dar conta do recado, ou será que não lhes interessa muito que tudo volte ao normal?! Somos rodeados por uma nova geração de “pessoas”, os tecnal, que (...)
Muito bom. Daria 4,5 estrelas, mas não há... Gostei muito do argumento (mas é dos temas meus preferidos), dos timings e dos personagens, ainda que alguns (os tecnal) pudessem ter sido mais caracterizados e trabalhados. Em qq caso têm muito potencial... A outra parte da meia estrela vai para a ausência de referências geográficas, com excepção da foto da capa... Uma pena, acho eu... Quase que tirava uma estrela por causa disso...
Este foi o primeiro livro do autor que li e estou rendida!
Este livro não se encaixa num só género. Na verdade, ele é uma combinação de vários estilos literários que gosto bastante: distopia, pelo mundo como está descrito; fantasia, pela introdução de alguns poderes sobrenaturais de Kura e a presença dos Nocturnus; policial, através do agente Eagle; um toque poético, pelas belas frases que o autor nos oferece.
Só o prólogo prendeu-me imediatamente a atenção: a introdução que o autor faz do mundo, focado principalmente na cidade de Lisboa, num futuro não tão distante quanto isso, imerso em poluição atroz, quer a nível ambiental, quer a nível político. «É impressionante ver como os homens pouco aprendem com a História, voltando a cometer os mesmos erros do passado.»
Ainda que o desenrolar da história seja um pouco vagaroso, compreendo o objectivo do autor. As diferentes perspectivas dos personagens têm a sua complexidade e isso não pode ser explanado de uma forma leviana. E à medida que as vidas destes mesmos personagens se vão cruzando, compreendemos o papel fundamental que cada um possui até aos momentos finais do livro.
Gostei muito de Tauro e da sua relação com Helena. Um e outro complementam-se e mostram o que de melhor há em cada um. Kura é um personagem misterioso e senti uma grande profundidade da sua alma. Um espírito demasiado bom para o mundo onde se encontra, cuja sabedoria e palavras trocadas com o Imortal Andrew me deliciaram e pediram por mais. Compreendo que os Nocturnus não sejam mais explorados, já que existe uma trilogia na qual estes seres têm papel principal. Este livro despertou a minha curiosidade para querer ler essa trilogia.
Filipe é mais complexo do que pensava. Enquanto que nas distopias que costumamos ler há claramente personagens a favor ou contra o regime, neste livro o Filipe muda de posição ao longo do tempo. O seu aguçado sentido de justiça é abalado perante as descobertas que faz, as suas convicções são abaladas pelos seres que deveria perseguir e, nos momentos finais, a traição de um provoca uma reviravolta de acontecimentos, levando-o ao outro lado da contenda.
Tenho pena que não se vislumbre mais deste mundo após os acontecimentos nos últimos capítulos. Ou o autor deixa à imaginação do leitor, em que os mais esperançosos (como eu!) imaginam as cinzas serem substituídas por verde e a miséria substituída por prosperidade; ou que os mais pessimistas imaginem que a luta continuou por várias gerações, pois um regime não é derrubado assim tão facilmente. Afinal, o autor refere que «(...) o poder é um veneno sedutor que, ao tingir a honra de poucos, se alastra como uma praga pelos outros.» Será que o autor não terá deixado aqui margem para uma continuação? Quem sabe? Eu leria, certamente!
Imaginar o nosso lar coberto de cinzas não é assim tão descabido. Ano após ano, a Humanidade egoísta assume um papel de Deus implacável, sobrepondo o seu bem estar em relação à Natureza e aos seus próprio irmãos. Cabe a cada um de nós travar este fogo destruidor, não deixar que cinzas de discórdia de espalhem ao vento, pois não haja dúvida que «o Homem, teimoso e determinado, manteve o rumo qual barco aponta a proa em direção aos rochedos numa noite sem lua.»
Um futuro não muito distante, a poluição cobre o céu e deixa a humanidade numa luta pela sobrevivência. A população é dividida entre Pares (mais privilegiados), Ímpares (com menos condições) e Nulos (os párias da sociedade). Em contexto de possível guerra são criados os Tecnal, soldados humanos com implantes mecânicos que necessitam de uma droga para sobreviver. É neste mundo apocalíptico que vive Filipe, um agente policial com sentido de dever e justiça. Mas por vezes o correcto não é o que parece e têm que ser tomadas decisões difíceis para conseguir chegar ao verdadeiro objectivo. ⚖️ Com o cenário de pandemia, de seca e a ameaça de uma guerra, este livro ganha uma dimensão ainda mais realista e assustadora. As questões da poluição e da ganância humana são muito bem abordadas, a corrupção e o desespero dos mais fracos também. No entanto, esta é uma história de resiliência, amizades improváveis e uma luta pela verdade e pela justiça. É impossível não nos ligarmos a estas personagens. Sentimos empatia pela sua dor, pelas suas imperfeições, pelas causas que defendem. Uma obra distópica, no mesmo mundo que a trilogia Nocturnos, se bem que pode ser lida individualmente.
Fui super difícil no início ultrapassar a poluição, sentir-me a sufocar, sentir os pulmões a arder Mas o policial distópico melhorou e eu fiquei rendida. A pensar quero que acabe rápido mas não quero que acabe. No final pensei se iria haver uma continuação, só porque sim. Mas na realidade não ficou nada pendurado.
Uma estreia com este autor, que conheci na feira do livro deste ano.
Confesso que não tinha mt interesse, mas qd vi a capa do livro resolvi ler a sinopse e fiquei curiosa e arrisquei e não fiquei nada desiludida por ter arriscado,
O livro traz mts outras leituras ou filmes à memória O Blade Runner principalmente devido à luta solitária do protagonista.... O mundo no futuro, desta vez com Portugal, Lisboa como palco, mas que por xs na faz pensar em Nova Iorque, nem sei bem porquê... Algumas passagens que nos fazem pensar, a adrenalina subir com o suspense
Se o Rafael escrever outra distopia seguramente vou estar na fila da frente, ansiosa para devorar o novo livro
Rafael Loureiro, escritor português, estreou-se na literatura com a Trilogia Nocturnos, um mundo que a espécie imortal, vampírica, nos é apresentada e em torno do qual o universo da trilogia gira. Lembro-me de ter ficado agradavelmente surpreendida quando li sobre Nocturnos. Reparei que o romantismo era um traço na escrita do Rafael, mas que também a acção e a ausência de tempos mortos o eram. Passados cinco anos, sai novo romance cá para fora, desta vez uma distopia, com a capital portuguesa como local de eleição - Cinzas de Um Novo Mundo. As características que acabei de apontar, parecem manter-se, mas confesso que me senti surpreendida pela ausência de romance romântico a que os outros livros me habituaram.
Cinzas de Um Novo Mundo apresenta-nos um cenário apocalíptico no que toca ao ambiente e à deterioração e à segregação social. Temos Filipe, enquanto protagonista, um agente cuja integridade e valores vão contra quase tudo o que é confrontado. Nesta sociedade, para além de cada cidadão estar marcado como Par, Ímpar, ou ser considerado uma "Ratazana", temos ainda os Tecnal, humanos geneticamente modificados para servirem como soldados, com diferentes características. Penso que aqui a história peca um pouco por apenas expor dois tipos de Tecnal, sendo que ficamos um pouco na obscuridade no que toca aos restantes. Achei os dois personagens fascinantes, mas senti falta de intervenção de outros de outros tipos ou de um maior desenvolvimento sob a perspectiva dos mesmos.
A acção decorre a bom ritmo. Do início ao fim, Filipe passa por uma série de mudanças nas suas convicções. O que julgava certo mostra-se sombrio, as suas dúvidas tornam-se em certezas que preferia não ter, e quando dá por si encontra-se sem norte, escondendo um segredo que dita o seu destino. Destino esse que não chega sem que se cruze com uma assassina profissional. É também a única protagonista feminina do romance, mas força e independência não lhe faltam. O elo de ligação entre todos estes personagens é Andrew, personagem que conhecemos do universo Nocturnos. A subtileza com que este livro se faz cruzar com esse universo anterior está muito bem conseguida. Nem sempre compreendi a passividade deste personagem, mas no quadro geral, chegando ao fim, consigo perceber o porquê da opção.
Acho que o que mais me surpreendeu foi mesmo a ausência de uma história romântica, talvez por estar tão habituada a tal nos outros livros do Rafael. Não vou dizer que é crucial numa obra, mas a verdade é que emocionalmente não foi fácil sentir empatia com nenhum outro personagem que não os dois Tecnal, talvez uma maior compaixão relacionada com um possível romance tivesse ajudado. Certamente esta ausência poderá ser agradável para um público mais masculino, mas pessoalmente achei que faltou um maior elo de ligação empático entre a história e eu. Não obstante, foi um livro fácil de ler, que certamente puxou pela minha curiosidade do início ao fim. É bom ver autores portugueses a arriscarem no ramo das distopias, que tão previsíveis futuros acabam por relatar. Só posso esperar que não cheguemos ao universo que Rafael Loureiro descreve aqui, com confederações a lutarem por supremacias não se importando com o futuro da humanidade.
Normalmente não sou de ler livros que falam do futuro e envolvem ação, porém ao ler o resumo do livro fiquei intrigada - trata-se de um livro que se passa num futuro distante, consequência da poluição causada por nós, humanos. A ação em concreto passa-se em Portugal, sendo que pelo mundo a poluição também se propagou embora de maneira diferente. "Como seria viver num Portugal poluído?" é a questão que se coloca. As classes sociais mais baixas não têm sequer acesso a oxigénio, muitos deles já nem humanos são. Existem três zonas que os separam: zona 1 - os Pares, zona 2 - os ímpares e zona 3 - os nulos. Uma marca no braço determina a condição social e consequentemente o acesso a bens como comida, água e luz, bens preciosos pelos quais se mata e se morre. É o caos! Haverá esperança?