Anrath, o mercenário irlandês conhecido como o "Cão Negro de Clontarf", é um homem atormentado. Nascido gaélico, foi criado entre os vikings. O destino fez dele um renegado, um guerreiro condenado a vagar entre duas culturas sem pertencer a nenhuma. Contratado pelo misterioso Inglês para encontrar o medalhão chamado "Coração de Tadg", Anrath é envolvido em uma trama de vingança e traição que o levará direto para as mãos de ild Vuur, O Viking, e o fará confrontar horrores além do espaço e do tempo.
A arte é bastante agradável e fluída, com cores vibrantes e vivas. O problema vem da história que é basicamente inexistente e sem a menor originalidade. Se me dissessem que essa é uma história de Conan, O Barbaro, do Robert Roward. Seria interessante ver novos trabalhos do artista.
Histórias de aventureiros em busca de tesouros ancestrais ou combates mortais. Esta é uma boa e velha proposta de aventura que sempre rende coisas memoráveis. Cesar Alcazar nos presenteia um personagem com um passado complicado buscando entender qual o seu sentido no mundo presente. Isso ao lado de uma boa arte do Fred Rubim que acaba precisando mostrar sua habilidade em construir espaços abertos para a narrativa.
"Não estou procurando confusão! Deixem as coisas do passado para os bardos e menestréis. Mas, se ainda quiserem a minha pele, juro que matarei muitos antes de tombar."
Uma das qualidades desta HQ é conseguir te apresentar rapidamente o personagem. Em pouco menos de quinze páginas, sabemos como o personagem funciona, quais as suas motivações e um possível mistério que o autor deixa para ser resolvido mais tarde. Não estamos diante de nenhum Conan da Ciméria que derrota cem inimigos em um piscar de olhos. Desde o começo, o autor deixa isso bem claro ao nos mostrar um homem poderoso ao mesmo tempo em que é apenas um bom guerreiro. É responsável pelo sucesso em um incrível combate (algo que deverá ser contado em futuras histórias), mas que deixou rivalidades para trás. Ao mesmo tempo existe um momento de tristeza quando ele perde seu grande amor por conta dos ciúmes de alguém que deveria ser seu aliado. Só por aí você, leitor, já consegue perceber quantas histórias estão escondidas nesta trama.
Eu já resenhei uma HQ com arte do Fred Rubim (Le Chevalier nas Montanhas da Loucura) e sei do que o artista é capaz. Muito detalhista e preciso na composição de cenas, ele sabe fazer o leitor prestar atenção em tudo o que está presente na cena. Porém, aqui nesta HQ, eu não curti tanto a arte dele. Os espaços abertos ficaram estranhos, uma presença muito forte do branco e daquele azul claro para indicar o céu fizeram com que o fundo não ficasse tão legal como é de costume na arte dele. Isso fez a gente prestar atenção mais na composição de personagens que não é exatamente o elemento forte do autor. Isso porque a arte do Rubim é mais estilizada e isso pode incomodar os leitores. A presença de tantos espaços abertos prejudicou sensivelmente a arte dele que brilha, por exemplo, quando Anrath está na caverna com Grainne ou mais tarde na taverna onde até as bebidas possuem detalhes.
A história é bem simples, porém muito bem executada. Temos Anrath sendo levado para ser sacrificado e a vingança de um velho conhecido do personagem. Logo vemos as influências lovecraftianas nas aventuras do personagem. Talvez muito desse link com Conan, dessas comparações inevitáveis que sempre aparecem. Porém, eu gostei que o Cesar conseguiu dar muita individualidade ao personagem, inserindo uma forma de pensar, uma série de objetivos que não são necessariamente matar vilões e um dilema moral que vemos surgindo aqui e vai se estender pelo próximo volume. O desenvolvimento da narrativa é muito bom e ficamos com aquela noção de aventura e mistério que antecipa este tipo de histórias.
Só fiquei um pouco preocupado no final. A batalha final é muito confusa. Em vários momentos o roteiro não batia bem com a cena que estava sendo apresentada e a gente via uma verdadeira bagunça nas páginas. Não sei se houve uma falha de comunicação entre autor e artista ou se foi simplesmente um prazo pequeno para terminar a HQ provocando esta confusão, mas esse final acabou me tirando um pouco da história. Mas, no geral, a HQ é muito boa e o problema é tão pontual que a primeira cena de ação que se passa em uma tumba é muito bem realizada. E achei legal o autor deixar alguns ganchos a serem aproveitados posteriormente.
O Coração do Cão Negro é um bom volume de estreia, apresentando rapidamente um personagem que tem tudo para se tornar memorável. O roteiro é simples, porém eficiente, e consegue entregar boas doses de ação e aventura. Além disso, o autor ainda consegue deixar mistérios no ar. A arte do Fred Rubim aparece bem aqui, apesar de que a quantidade de espaços abertos não favoreceram a arte mais detalhista do artista. Senti que no final houve uma falha de comunicação entre autor e artista, provocando uma batalha final com momentos estranhos e confusos.
Finalmente matei minha curiosidade! Há muito tempo venho querendo ler O Coração do Cão Negro – Volume 1, da dupla Cesar Alcázar (roteiro) e Fred Rubim (arte) e publicado pela AVEC Editora.
Aproveitei que estava na Feira Pop & Arts 2020 e comprei com minha amiga Lígia Colares esse primeiro volume. No dia seguinte já tinha lido e logo comecei a escrever minhas impressões de tão boa que é essa leitura.
Nada como um bom personagem e um bom roteiro Bastardos e mestiços sempre dão personagens excelentes. Suas vidas envoltas em segregação, dureza e martírio conseguem fisgar a maioria dos leitores. Assim é a história de Anrath, um mercenário irlandês conhecido pela alcunha de Cão Negro de Clontarf.
O protagonista nasceu gaélico mas foi criado pelos vikings. Renegado por ambos, ele vive entre dois mundos sem pertencer a nenhum deles. Vivendo como um mercenário ele acaba sendo contratado para um serviço que o levará ao encontro e confronto de forças sobrenaturais e por que não, cthulescas.
Impossível não traçar um paralelo de inspiração com Conan, de Robert E. Howard, seja pelo comportamento do personagem, seja pelas aventuras sobrenaturais as quais enfrenta. Assim como Howard era influenciado por H. P. Lovecraft, vemos Alcázar seguir semelhante estrada na construção de sua dark fantasy.
Ficou excelente mesmo!
Como a arte ajuda a construir o imaginário do leitor Quem nos acompanha aqui no blog sabe que sou fã de carteirinha da arte de Fred Rubim (falamos sobre a arte dele aqui). Seus traços riquíssimos permitem que o leitor facilmente viaje pelos mundos apresentados pelos roteiristas com quem ele trabalha. Em O Coração do Cão Negro não é diferente.
Neste quadrinho entretanto temos uma arte mais direcionada ao real. Os traços são menos exagerados e essa diferença fica nítida se comparamos aos seus trabalhos em Le Chevalier, que permite um traço mais solto e até mesmo cartunesco.
Muito bom perceber a plasticidade do talento de Rubim e a capacidade de adaptação da arte diante do enredo.
Conclusões finais É nítido que estamos tendo a possibilidade ímpar de ver excelentes duplas nacionais se reunindo e nos entregando material em quadrinhos da melhor qualidade!
A AVEC Editora está de parabéns em ter um título de tal grandeza em seu catálogo. Que seus títulos só melhorem pois quem ganha somos nós, os leitores!
Quero ler mais aventuras do Cão Negro e indico demais a compra para quem curte dark fantasy em quadrinhos! Fica a dica para meu amigo Aurélio Costa, que gosta do gênero.
Achei a história e as ilustrações simplesmente incríveis! Só esperava um pouco mais do final, que me deixou com aquele gostinho de 'quero mais'. Ainda assim, adorei a leitura e super recomendo!
Histórias de aventureiros em busca de tesouros ancestrais ou combates mortais. Esta é uma boa e velha proposta de aventura que sempre rende coisas memoráveis. Cesar Alcazar nos presenteia um personagem com um passado complicado buscando entender qual o seu sentido no mundo presente. Isso ao lado de uma boa arte do Fred Rubim que acaba precisando mostrar sua habilidade em construir espaços abertos para a narrativa.
"Não estou procurando confusão! Deixem as coisas do passado para os bardos e menestréis. Mas, se ainda quiserem a minha pele, juro que matarei muitos antes de tombar."
Uma das qualidades desta HQ é conseguir te apresentar rapidamente o personagem. Em pouco menos de quinze páginas, sabemos como o personagem funciona, quais as suas motivações e um possível mistério que o autor deixa para ser resolvido mais tarde. Não estamos diante de nenhum Conan da Ciméria que derrota cem inimigos em um piscar de olhos. Desde o começo, o autor deixa isso bem claro ao nos mostrar um homem poderoso ao mesmo tempo em que é apenas um bom guerreiro. É responsável pelo sucesso em um incrível combate (algo que deverá ser contado em futuras histórias), mas que deixou rivalidades para trás. Ao mesmo tempo existe um momento de tristeza quando ele perde seu grande amor por conta dos ciúmes de alguém que deveria ser seu aliado. Só por aí você, leitor, já consegue perceber quantas histórias estão escondidas nesta trama.
Eu já resenhei uma HQ com arte do Fred Rubim (Le Chevalier nas Montanhas da Loucura) e sei do que o artista é capaz. Muito detalhista e preciso na composição de cenas, ele sabe fazer o leitor prestar atenção em tudo o que está presente na cena. Porém, aqui nesta HQ, eu não curti tanto a arte dele. Os espaços abertos ficaram estranhos, uma presença muito forte do branco e daquele azul claro para indicar o céu fizeram com que o fundo não ficasse tão legal como é de costume na arte dele. Isso fez a gente prestar atenção mais na composição de personagens que não é exatamente o elemento forte do autor. Isso porque a arte do Rubim é mais estilizada e isso pode incomodar os leitores. A presença de tantos espaços abertos prejudicou sensivelmente a arte dele que brilha, por exemplo, quando Anrath está na caverna com Grainne ou mais tarde na taverna onde até as bebidas possuem detalhes.
A história é bem simples, porém muito bem executada. Temos Anrath sendo levado para ser sacrificado e a vingança de um velho conhecido do personagem. Logo vemos as influências lovecraftianas nas aventuras do personagem. Talvez muito desse link com Conan, dessas comparações inevitáveis que sempre aparecem. Porém, eu gostei que o Cesar conseguiu dar muita individualidade ao personagem, inserindo uma forma de pensar, uma série de objetivos que não são necessariamente matar vilões e um dilema moral que vemos surgindo aqui e vai se estender pelo próximo volume. O desenvolvimento da narrativa é muito bom e ficamos com aquela noção de aventura e mistério que antecipa este tipo de histórias.
Só fiquei um pouco preocupado no final. A batalha final é muito confusa. Em vários momentos o roteiro não batia bem com a cena que estava sendo apresentada e a gente via uma verdadeira bagunça nas páginas. Não sei se houve uma falha de comunicação entre autor e artista ou se foi simplesmente um prazo pequeno para terminar a HQ provocando esta confusão, mas esse final acabou me tirando um pouco da história. Mas, no geral, a HQ é muito boa e o problema é tão pontual que a primeira cena de ação que se passa em uma tumba é muito bem realizada. E achei legal o autor deixar alguns ganchos a serem aproveitados posteriormente.
O Coração do Cão Negro é um bom volume de estreia, apresentando rapidamente um personagem que tem tudo para se tornar memorável. O roteiro é simples, porém eficiente, e consegue entregar boas doses de ação e aventura. Além disso, o autor ainda consegue deixar mistérios no ar. A arte do Fred Rubim aparece bem aqui, apesar de que a quantidade de espaços abertos não favoreceram a arte mais detalhista do artista. Senti que no final houve uma falha de comunicação entre autor e artista, provocando uma batalha final com momentos estranhos e confusos.
A graphic novel O Coração do Cão Negro é baseada em um conto e tem ilustrações muito bonitas, bem feitas; os cenários são lindos, os personagens são muito expressivos, mesmo com a aura mais dark das ilustrações (exatamente pelo tipo de história). A história do livro é surpreendente, foi muito bem desenvolvida e muito bem explorada por Alcázar e Rubim.