Great book, Cassius is an amazing character. You root for him, but you don't exactly like him. I could feel he is a little vain, very arrogant. His motives are somewhat noble, but the way he searches how to make his vengeance happen are ruthless.
A ilha de Scipio, um lugar sem lei. Uma cidade habitada pelo pior que a sociedade produz, aqueles que querem fugir das leis do Império constroem aqui seu lar. Governada por dois senhores do crime, a cidade é dividida entre Alta e Baixa, entre Piso e Cinna. Alguns quilômetros dentro da perigosa selva que faz limite com a cidade, o lendário general Quintus está acampado com o seu exército, que anos atrás impediu uma rebelião, a violência utilizada por ele ainda marca a memória dos cidadãos de Scipio.
Neste cenário, vemos a chegada de um jovem, Cassius, até a ilha. Logo nos primeiros momentos conhecemos uma das poucas boas almas da história, Lucian, o dono da taverna onde Cassius está hospedado. Também conhecemos Sulla, uma mulher forte e desconfiada que conhece a vida bandida na cidade e vai arrumar uma luta para Cassius. Uma luta introdutória, para que as pessoas o notem, pois Cassius é um Conjurador (spellcaster) ou Matador (killer), como são mais conhecidos, feiticeiros, que não possuindo magia própria, tiram suas forças de runas que acumulam em suas manoplas, runas que convocam as magias capturadas de outros povos.
Sulla pretende conseguir uma luta fácil, porém Cassius mostra sua impetuosidade ao desafiar, derrotar e tirar a vida de um dos melhores Matadores de Piso, um dos chefes criminosos da cidade. Cassius utiliza este acontecimento para ser contratado por Cinna, o chefe rival.
Após isto, vemos cada vez mais decisões contraditórias e erráticas de Cassius, mas que parecem ter um sentido em sua mente. Vamos conhecendo um pouco mais sobre este mago criado na Ilha dos Doze, a melhor escola de Matadores do mundo. Descobrimos que ele é um “tocado”, que pode utilizar magia até sua morte, não tendo um limite de cansaço. Conhecemos Vorenicus, o filho honesto e idealista de Quintus, que sonha com uma Scipio que seja um lugar decente e honrado.
O livro é mais um daqueles que vão causar estranheza em alguns, provavelmente sendo adorado ou odiado. Não vemos um grande aprofundamento nas histórias e até personalidades dos personagens, o mundo em que vivem não é detalhado. Percebemos que é uma analogia ao Império Romano, mas muito pouco é esclarecido. O sistema de magias não é explicado em pormenores, entendemos como funciona e só.
A meu ver, isto dá um charme a história, nos é apresentado o necessário, o livro parece um filme de ação se desenrolando, porém um filme de ação com um ótimo roteiro. Falando em ação, as cenas em que acontecem as lutas são muito boas, bem descritivas, principalmente as lutas entre os Matadores.
Outros três fatores me fizeram gostar bastante de The Burning Isle: A tensão causada pelo desgaste físico e mental sofrido por Cassius, a antipatia que senti pelo personagem e o seu plano, que só vem fazer mais sentido e se mostrar ao leitor bem no final do livro.
É passado ao leitor que o uso das runas causa desgaste no mago, que precisa descansar bem após cada luta, Cassius porém, além de ser Tocado é obstinado, ele não pensa em si mesmo, ele segue inexoravelmente até seu objetivo. Ele usa magia, não dorme, sofre ataques físicos constantes, você fica no aguardo daquele colapso que nunca chega, ele sempre desmaia, levanta e continua.
Sobre a antipatia, outros leitores podem não sentir o mesmo, pessoas menos sensíveis que eu. Cassius se mostra para mim uma pessoa quase que completamente apática e indiferente ao que os outros possam sofrer, desde que ele cumpra os seus objetivos. Vejam, ele algumas vezes tenta proteger alguns personagens de receberem fogo amigo, mas esses são apenas os que ele considera “amigos”, não mostrando qualquer rancor em se utilizar das mortes de pessoas comuns para cumprir seus objetivos. Amigos se encontra em aspas anteriormente, pois ele mostra várias vezes possuir dificuldade em se relacionar com as pessoas, até mesmo causando estranhamento em Sulla por chamá-la de amiga, já que eles se conhecem a pouco tempo e só trataram de negócios.
E seu plano que mesmo sendo no final, como quase tudo na literatura, um apanhado de tropos (termo do Tio Nitro) acaba sendo meio complicado de acompanhar e entender, não por ter sido mal escrito. Ao contrário, justamente pelo autor conseguir nos fazer acompanhar as ações de Cassius sem nos esclarecer diretamente o que ele anseia com cada decisão tomada, causa esta sensação maravilhosa de não estar preparado para o final.
The Burning Isle é o livro de estreia de Will Panzo, que só descobri ao final da leitura que já foi editor na Marvel, uma leitura bem diferente do que estou acostumado, o que para mim, sempre é algo ou muito bom ou muito ruim. Nunca consegui avaliar de forma moderada uma leitura mais diferenciada. Fico feliz em afirmar que adorei o primeiro livro de fantasia de Will Panzo e espero ansiosamente pelos seus próximos trabalhos.