Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Publicado pela primeira vez em 1958, na Guimarães Editores, este livro foi reeditado posteriormente em conjunto com No Tempo Dividido (1985, Edições Salamandra), tendo vindo posteriormente a ser publicado de novo em volume autónomo, na Caminho, em 2003. A presente edição, a 5.ª, mantém essa opção acrescentando um magnífico prefácio de Fernando J.B. Martinho. É mantida a antiga grafia.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade."
A evolução na escrita da poetisa ao longo dos tempos é notória. Um livro muito marcado pela memória / nostalgia / saudosismo / recordação dos que já partiram (e da inerente passagem do tempo associada à morte) - tendo muito o mar e os navios como a metáfora dos que partem para a morte. E jamais regressam.
"AUSÊNCIA"
Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua.
Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua."
Não deixa contudo de ser curioso que um dos títulos de um dos poemas seja “Liberdade”, atendendo ao período de repressão e censura que se vivia em Portugal à época da publicação do livro.