Vivem-se tempos de grandes avanços e convulsões: os estudantes manifestam-se nas ruas de Paris e, em Memphis, é assassinado o negro que tinha um sonho; transplanta-se um coração humano e o homem pisa a Lua; somam-se as baixas americanas no Vietname e a inseminação artificial dá os primeiros passos. Porém, na pequena aldeia onde decorre a acção deste romance, os habitantes, profundamente ligados à natureza, preocupam-se sobretudo com a falta de chuva e as colheitas, a praga do míldio e a vindima; e na taberna – espécie de divã freudiano do lugar – é disso que falam, até porque os jornais que ali chegam são apenas os que embrulham as bogas do Júlio Peixeiro. E, mesmo assim, passam-se por ali coisas muito estranhas: uma velha prostituta é estrangulada, o suposto assassino some-se dentro de um penedo, a rapariga casta que colecciona santinhos sofre uma inesperada metamorfose, e a parteira, que também é bruxa, sonha com o ditador a cair da cadeira e vê crescer-lhe, qual hematoma, um enorme cravo vermelho dentro da cabeça. Quando aparece o primeiro televisor, as gentes assistem a transformações que nem sempre conseguem interpretar...
Com personagens inesquecíveis e um recurso narrativo extremamente original, 'O Coro dos Defuntos' é um belíssimo retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974.
António Tavares nasceu em Angola em 1960, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e é pós-graduado em Direito da Comunicação pela mesma universidade. Foi professor do ensino secundário e, actualmente, exerce o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Escreveu peças de teatro - 'Trilogia da Arte de Matar', 'Gémeos 6', 'O Menino Rei'-, estudos e ensaios - 'Luís Cajão, o Homem e o Escritor'; 'Manuel Fernandes Thomás e a Liberdade de Imprensa'; 'Arquétipos e Mitos da Psicologia Social Figueirense'; 'Redondo Júnior e o Teatro' - entre outros.
Foi jornalista, fundador e director do periódico regional 'A Linha do Oeste'. Fundou e coordenou a revista de estudos 'Litorais'. Como romancista, obteve uma menção honrosa no prémio Alves Redol, atribuída em 2013 pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ao romance 'O Tempo Adormeceu sob o Sol da Tarde', ainda no prelo, e foi finalista do Prémio Leya 2013 com a obra 'As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia', publicado pela teorema e também finalista no Prémio Literário Fernando namora. participou no festival do Primeiro Romance de Chambéry, em França, em 2015.
Sendo este romance evocativo da obra de Aquilino Ribeiro, existem várias palavras usadas pelo mestre.(…)
Ficamos imediatamente a saber que é uma leitura que vai exigir de nós, e que nos ensinará muitos regionalismos – pelo menos para mim que sou bicho da cidade de Lisboa.
Os acontecimentos nacionais e internacionais, entre 1968-1974, vistos segundo a perspectiva de uma comunidade beirã distante de tudo, e perdida no tempo.
“O coro dos Defuntos”, de António Tavares, foi o grande vencedor do Prémio LeYa 2015 e foi igualmente a minha primeira experiência com vencedores do dito galardão. Devo dizer que esperava mais. O livro é pautado por uma monotonia imensa, com alguns rasgos esporádicos de brilhantismo pelo meio. A estória em si não me cativou, mas valeu pelos apontamentos históricos sobre acontecimentos nacionais e mundiais daqueles anos (entre 1968 e 1974), comentados de forma deliciosa pelos habitantes da aldeia. Muitas das expressões e frases utilizadas pelo autor, mais rurais e pouco usuais no nosso dia-a-dia, e "emprestadas" da obra de Aquilino Ribeiro, são deliciosas. Mas tudo isso são momentos, frases no meio de capítulos, palavras no meio de diálogos… Pareceu-me que faltou alguma consistência, como se num dia negro de chuva surgisse por momentos um raio de sol, daí as 3 estrelas. Numa nota final, dei ainda por mim a recordar por diversas vezes, ao longo da leitura, o livro "Galveias", de José Luís Peixoto.
António Tavares refere, no início deste livro, que O Coro dos Defuntos se trata de um “romance evocativo da obra de Aquilino Ribeiro” e que, por isso, “existem várias palavras usadas pelo mestre“. Nunca li nada de Aquilino Ribeiro, por isso estava longe de imaginar o que me esperava, mas assim que iniciei a leitura percebi que a homenagem se concretizava na utilização de regionalismos das Beiras, de onde Aquilino Ribeiro era originário.
O Coro dos Defuntos relata a vida de uma aldeia situada na Cova da Beira num período de mais ou menos 6 anos antes do 25 de abril de 1974. O narrador ouve a história da aldeia através da neta de uma das filhas da terra, que tinha poderes de vidência e era esposa do regedor da localidade. E, partindo da avó, vamos conhecendo as outras figuras da aldeia, como o padre, o taberneiro, a prostituta, o seminarista culto, os dois dinamitadores de pedras ou a rapariga devota que desaparece da aldeia e volta uma mulher completamente diferente.
A forma como António Tavares entrelaça os importantes acontecimentos nacionais e internacionais da época na vida do dia-a-dia destes aldeãos é brilhante. Pequenos comentários aqui e ali são o suficiente para que o leitor perceba do que se está a falar, mas os eventos são relegados para segundo plano, tal como o eram pelas pessoas que viviam afastadas do mundo e cujas maiores desgraças seriam as colheitas falhadas ou o aumento dos preços dos bens que consumiam. Por vezes, alguns dos acontecimentos relatados fizeram lembrar-me o realismo mágico sul-americano.
O uso dos regionalismos é, na minha opinião, o elemento diferenciador deste livro e o toque de originalidade que lhe terá valido o Prémio Leya em 2015. O apreciar desta característica do livro terá muito a ver, penso eu, com a experiência pessoal de cada leitor. Pessoas que conheçam razoavelmente as palavras utilizadas poderão, à partida, tirar mais proveito deste livro, enquanto que o seu desconhecimento e consequente recorrência frequente ao glossário no final do livro poderá afetar de forma negativa o fluir da leitura. Comprovei isto quando falámos sobre O Coro dos Defuntos na última Roda dos Livros, e foi engraçado ver como o mesmo livro pode ter impactos tão diferentes de acordo com quem o lê. Penso que fiquei a meio das duas experiências: reconheci várias palavras (igualmente utilizadas no Baixo Alentejo, uma realidade mais próxima) mas outras tantas obrigaram-me a recorrer ao dicionário do Kindle. Gostei da originalidade dos regionalismos, mas a minha opinião é que, a partir de certa altura, começa a tornar-se cansativo e não ajuda a narrativa a fluir.
Tinha grandes expectativas para este livro, que não foram inteiramente concretizadas. Reconheço-lhe a originalidade e vários outros méritos, mas a minha experiência de leitura não foi a que desejava. O maior problema foi a minha ligação emocional com o livro, que me impede, assim, de lhe dar uma classificação superior. Contudo, é uma leitura que recomendo, pois considero que a medida da sua apreciação depende, em grande parte, da experiência do leitor.
Se alguém me pedisse para resumir “O Coro dos Defuntos” em poucas palavras eu diria que é um conjunto de efemérides apresentado com vocabulário pouco usual. Na verdade, nada acontece de relevante nesta história, que acompanha o dia a dia de uma aldeia do interior entre 1968 e 1974.
O recurso a vocabulário invulgar nos dias de hoje pretende ser uma homenagem a Aquilino Ribeiro e a verdade é que isto não me aborreceu pois, mesmo não conhecendo as palavras, tirava-lhes o sentido pelo contexto. O grande problema do livro é que não existe ação e uma verdadeira história com princípio, meio e fim. O autor limita-se a apresentar importantes acontecimentos que decorreram entre 1968 e 1974 (a chegada do homem à lua, a guerra colonial, o 25 de abril, etc…) e a contrapor o que estava a acontecer na aldeia nessa altura (que se resumia a quase nada). Sim, temos uma escrita cuidada e original, mas em termos de conteúdo… népias!
apesar de ter achado interessante e ter aprendido algumas coisas com este livro, não faz muito o meu género, é só narrativa o que o torna um pouco entediante, pelo menos para mim. De fácil leitura, recomendo a quem goste deste tipo de escrita.
Este romance decorre numa aldeia do interior de Portugal que permanece imune ao tempo, tão parada como eterna era a ordem das coisas e eterno era também o seu ditador, sempre a zelar por todos. Deu um tombo de uma cadeira, o velho ditador, e a vidente da aldeia, durante o sono, via crescer-lhe um cravo vermelho dentro da cabeça.
Este livro foi uma profunda desilusão prometia ser um daquele livros que retratam o doce quotidiano rural do nosso país. Mas na realidade não passa da descrição de um conjunto de personagens sem nexo. Os capítulos são contos que pouco ou nada têm de comum entre si.
Romance brilhante, fiel retrato do Portugal rural dos anos 60 e 70, ponteado por evocações a Aquilino Ribeiro. Recomendo. Deveria ser de leitura obrigatória ❤️
A pacatez do Portugal do interior a tentar compreender o mundo, a tentar acompanhar a aceleração do desenvolvimento. Personagens, algumas envoltas em grande mistério, que podem ser de qualquer sítio do nosso país: " dizia ela que a realidade depende da forma como as pessoas interpretam o que as rodeia. A verdade não existe senão na realidade construída e, por isso, nunca podemos dizer que ela constitui o real absoluto." Um escritor português é mais cuidado nas palavras, escreve com a riqueza da nossa língua e por isso esta é uma leitura exigente! Um livro demorado por um tempo que parece que estagnou e teima em passar! "Em suma, o mundo movia-se."
Vencedor do Prémio LeYa 2015, O Coro dos Defuntos é daquelas narrativas que sabe bem levar. Criando um retrato rural de Portugal e relatando os acontecimentos mundiais entre 1968 e 1974, época tão conturbada pelo nosso país, nesta obra as personagens opinam sobre tudo e mais alguma coisa da forma que nos tempos de hoje conseguimos visualizar como os acontecimentos foram vivenciados tanta vez à distância por outras épocas. Com as notícias a chegarem a uma pequena aldeia através da imprensa que poucos conseguiam ler, da rádio e dos primeiros televisores, O Coro dos Defuntos é um verdadeiro retrato social, recheado de humor e com um cuidado linguístico único. Com descrições incríveis sobre cada cidadão que se vai cruzando no centro da aldeia, todos são tão peculiares que conseguem conquistar ao longo de cada momento o leitor que sente que quer seguir em frente na história de um país onde Salazar cai da cadeira e o Carnaval brasileiro faz furor pelos primeiros anos junto dos portugueses que aprenderam a ver a preto e branco o que se passava ao virar da esquina. Adquiri O Coro dos Defuntos porque ando a tentar seguir todos os galardoados com o Prémio LeYa, faltando algumas das obras anteriores, e não pensei que iria gostar assim tanto de ter este livro como companheiro. Primeiro porque os vencedores desta distinção costumam ser livros mais parados, secantes por vezes e de um certo modo baralhativos, o que não acontece desta vez. Nesta obra de António Tavares, cada curta história é retratada de forma explicativa, com um vocabulário bem cuidado e expressões que não conseguem ser encontradas na maioria dos escritos atuais. Embora veja esta narrativa como um conjunto de contos acerca de uma pequena população, existe uma sequência histórica, real e imaginada, que consegue criar no leitor a ideia de que o Manuel Rato e a Olivita existiram mesmo para serem retratados anos mais tarde em sábias palavras. Uma obra que vale a pena!
(PT) As peripécias de uma aldeia no interior beirão, durante os anos de entre 1968 e 1974, com as suas vivências locais, sem contudo não estarem alheios às coisas que aconteciam fora delas.
"O Coro dos Defuntos", de António Tavares, rendeu ao seu autor o Prémio Leya de 2015, e ele afirmava que era uma forma de homenagem não só a uma geração que já desapareceu, mas também uma homenagem a Aquilino Ribeiro, que escreveu sobre esta terra e estas gentes, numa linguagem que em muitos aspectos, é ininteligível para muita gente. Confesso ter visto aqui e ali um pingo de Cela, mas isso é mais impressão minha.
Contudo, mais do que a linguagem ou o periodo em questão, há uma história. E a maneira como a conta, com os seus momentos cómicos e trágicos, tem o seu quê de comovente, porque é um mundo que não existe mais. É o conto de um periodo que ficou para trás, aquele microcosmos que foi absorvido pela emigração, quer para o estrangeiro, quer para a grande cidade, e essa perda desse microcosmos, onde acontecem coisas que roçam entre o surreal, como os delírios de Manuel Rato, as aparições de Olivia, entre outros, fazem deste livro algo que vale a pena ler.
Life in a small village in Portugal during 1968 and 1974 is eventful. Either because the local prostitute shows up dead, because the old man running the country falls from a chair or because the newspapers describe how the Americans have reached the moon.
The background setting was very well done in here. Many references to local or world happenings and characters are slightly hidden and it was fun trying to figure them out. However, if the actual plot had been more developed it would have been perfect! (merging this background with "Pecado do Porto Negro's" plot would create a great book!)
Reading this book in kindle (which somehow has a Portuguese dictionary installed) definitely helped me figure out most of the less commonly used words that are planted on this text. It was also a good idea to read this along with friends as I want to discuss it now!
As histórias e historietas de mulheres e homens de uma aldeia perdida numa cova entre montes algures no interior profundo durante a meia dúzia de anos que precederam o 25 de Abril. Se quisermos: uma outra abordagem da História, a História vista por olhares diversos, insuspeitos, surpreendentes e surpreendidos. Um texto vivo (e ao vivo), uma narrativa cadenciada em capítulos curtos, um romance “diferente” que, nem por isso, deixa de ter princípio, meio e fim e no início do qual, se for esse o nosso desejo, até podemos imaginar a expressão “Era Uma Vez…” E era! Altamente recomendável - também por constituir uma “homenagem” à riquíssima e fulgurante prosa de Aquilino!
"Em capítulos muitos curtos – de três ou quatro páginas – a narrativa vai seguindo, num linguajar excessivo pelo abuso de palavreado mais incomum e regionalismos, não tendo havido o cuidado num equilíbrio vocabular. Como indicado na sinopse, o enredo ambienta-se numa aldeia do interior português durante a ditadura, pegando num punhado de personagens-chaves que por um motivo ou por outro se destacam na povoação.(...)"
O Coro dos Defuntos é implacável no retrato exímio que faz da sociedade Portuguesa nos anos anteriores à Revolução. Toca em temas muito particulares às pequenas aldeias do interior do país e ajuda em muito a perceber esta realidade que parece tão distante às gerações mais recentes (da qual faço parte) mas que foi vivida por pessoas tão próximas como os nossos avós. Por isso gostei muito desta obra.
Estou indecisa entre o que escrever: se, por um lado gostei do tipo de escrita do autor, por outro vi a novela como um monte de acontecimentos históricos enfiados no meio da vida da aldeia.
O Coro dos Defuntos relata a vida de uma aldeia portuguesa perdida no meio do nada, dos finais dos anos 60 até ao 25 de abril de 1974. Para quem, como eu, tem alguma memória do mundo português desse tempo o livro retrata sem cansaço nem monotonia a queda do Salazar, as conversas de Marcelo, a emigração, o 25 de abril e tantos outros acontecimentos que se passaram por esses anos. Embora bem escrito, com uma linguagem muito cuidada e própria, em homenagem a Aquilino, não tem a cadência de um grande livro. Mas gostei de o ler por representar o Portugal dessa época já esquecida!
Um retrato da vida rural ente 1965-1975 apresentado de uma forma simples, mas ao mesmo tempo complexa, mostrando as fortes diferenças existentes (mundo/cidade vs. aldeia) e como uma comunidade rural as enquadra no seu dia-a-dia.
Gosto como o fio condutor de acontecimentos históricos une a narrativa e nos apresenta a evolução dessa mesma comunidade e de cada um dos seus membros.
Comunidade essa que ainda a vivi e que consigo tão facilmente reencontrar em cada uma das personagens e no seu todo.
Recomendo a leitura deste pequeno e saboroso livro
O Coro dos Defuntos é um romance que desafia a estrutura do romance em si e que, acima de tudo, será mais apreciado por quem privilegia a construção da linguagem e a riqueza do vocabulário sobre a construção do enredo. Os capítulos assemelham-se a pequenas crónicas, saltando por vezes de personagem em personagem e de cena para cena, sem, no entanto, perder uma certa coerência lógica. O livro é, essencialmente, aquilo por que é conhecido - uma homenagem a Aquilino Ribeiro, mais mais leve e, ligeiramente, mais atual.
Eu tinha grandes expectativas para esse livro, até me deparar com a linguagem, que é muito difícil para o meu nível de leitura. Também reparei que quando estou cansada não consigo ler de maneira alguma, porque é preciso o triplo de concentração para entender. Depois de 102 páginas sem entender nada, eu desisto.
Tentei mas não consegui. Estar constantemente a decifrar a linguagem e a usar o glossário, a história que tenta ser demasiadas coisas ao mesmo tempo, o narrador sem ponta por onde se pegue. Larguei a meio porque o interesse em saber quem matou a Chichona não foi maior que o aborrecimento causado pela história.
Achei chato. Não entendi o porquê de ter ganho um prêmio de 100 mil euros. O uso de um vocabulário específico não me parece mérito suficiente, a não ser se fosse campeonato de charadas. Para entretenimento não serve, é do tipo que agrada apenas críticos.
Definitivamente um livro que não é para mim! Interessante conhecer como se vivia numa aldeia portuguesa entre 1968 e 1974, mas perdi-me imensas vezes, nem a escrita nem a história me cativaram. Terminei de ler só mesmo porque não gosto de deixar um livro a meio!
Achei interessante o paralelismo ao longo de todo o livro entre os grandes acontecimentos nacionais e mundiais (1968-1974) e o dia-a-dia numa aldeia do interior de Portugal, onde as novidades que mais interessam são como estão as colheitas. Mesmo quando a televisão chega à taberna, e o acesso à informação do que se passa para além da aldeia é aumentado consideravelmente, os habitantes comentam o que se passa para logo a seguir voltar à sua vida. No entanto, achei os personagens pouco estruturados e alguns capítulos um pouco monótonos. Não foi um livro que me agarrou. A utilização de vocabulário extraído da obra de Aquilino Ribeiro (segundo explicação do autor no início), e que é apontada por alguns como a grande originalidade deste livro e a razão principal por ter sido galardoado com o Prémio Leya, torna-se nalgumas passagens um pouco cansativa, e a consulta do glossário o final do livro, apesar de poder facilitar a interpretação, acaba por quebrar o ritmo de leitura. E nem sequer me parece que enriqueça a história.
"O Coro dos Defuntos", de António Tavares, sagrou-se vencedor do Prémio Leya em 2015 e, como tenho lido todos os vencedores de edições anteriores, não poderia deixar passar este em branco.
O livro é composto por capítulos que se assemelham a contos, e por vezes a ligação entre eles não é evidente e chega a ser inexistente. O tipo de linguagem é diferente, com palavras a que não estamos habituados no dia-a-dia. Ainda assim faz uma descrição do Portugal rural dos anos 70 focando aspectos históricos mundiais daquela época e que foi o que mais me cativou neste livro.
Os regionalismos, em homenagem à forma de escrever de Aquilino Ribeiro - frisado pelo autor no início do livro -, são um elemento diferenciador e ao mesmo tempo cansativo ou mesmo exagerado.
A história em si parece que não desenvolve, em termos de conteúdo ficou um pouco aquém da minha expectativa, ainda assim vale sempre a pena ler.
Este livro foi o vencedor do Prémio Leya 2015 e iniciei a leitura com algumas expectativas que, infelizmente, não foram correspondidas. Através dos "olhos" da neta de uma das habitantes da aldeia, vamos conhecendo os restantes contemporâneos da avó, através de curtíssimos capítulos, cada um dedicado a um episódio específico de um habitante. Estas pequenas apresentações, quase que parecem pequenos contos e sem grande ligação ao capítulo seguinte, dando a ideia de pequenas histórias que foram contadas pela avó. A própria escrita também não é muito acessível, e segundo o autor, pretende ser uma homenagem ao escritor Aquilino Ribeiro. É certo que no final do livro podemos encontrar um pequeno glossário das palavras desconhecidas mas não achei prático e julgo que funcionaria melhor como notas de rodapé. Não me convenceu.