Para mim, Eduardo Mendoza é um dos mais proeminentes escritores catalães da atualidade. Tudo o que li dele gostei embora tenha de destacar o fabuloso livro “A Cidade dos Prodígios” onde perambulamos por uma Barcelona em plena revolução industrial, convidando-nos também a conhecer todo o bulício, os caprichos, a azáfama dos preparativos para a Exposição Universal que ocorrera naquela cidade em 1888.
Em “Rixa de Gatos”, que decorre no período que antecede à guerra civil, Mendoza mantém-nos, indefetivelmente presos na trama da primeira à última página, acompanhando um crítico de arte inglês que tem como missão a autenticação de um quadro, um Velasquez salvo o erro, que estaria na base de uma conspiração que permitiria o eclodir de um golpe de estado.
E será, também, neste “O Segredo da Modelo Perdida” que, mais uma vez, Eduardo Mendoza revelará a sua enorme e pujante veia criativa. A partir de um tema banal, um crime, um mistério a desvendar, o autor catalão concebe uma narrativa densa mas extraordinariamente divertida! A história, contada na primeira pessoa por um personagem (não me lembro de ter reparado se tinha algum nome, apesar dos falsos que utiliza), espécie de bandido preso, várias vezes e internado num sanatório, acusado de um crime que não cometera vai tentar, com a ajuda de outros personagens, também notáveis na sua caracterização, desvendar o sucedido no sentido de ilibar as suspeitas que recaiam sobre si.
Por outro lado, Mendoza, como em muitas das usas obras, dá-nos a conhecer e a viajar por uma Barcelona descaracterizada, pobre, afastada das suas intenções de grande metrópole até à Barcelona de hoje com o seu indiscutível glamour, de dimensões estonteantes para o turista incauto, considerada uma das urbes que mais crescimento urbanístico conheceu, principalmente, após a edição dos Jogos Olímpicos de 1992 e uma das cidades europeias com uma procura turística mais pronunciada.
A leitura vale pelo enredo, pelo mistério, pela ação mas fundamentalmente, pelos personagens que só poderiam ter dado à luz por um escritor que tem a capacidade de gerar, num só livro, o humor, a ironia, a inteligência, a tragédia através dos quais constrói um quadro social e mental de uma época em ricas cambiantes tonais características do melodrama e das tragicomédias. Muito bom!