Pedro Paixão nasceu em Lisboa, em 1956, vive em Stº António do Estoril e tem um filho. É doutorado em Filosofia, que ensina na Universidade Nova de Lisboa. Com Miguel Esteves Cardoso fundou a agência de publicidade Massa Cinzenta, que mais tarde vendeu. Com o seu primeiro romance, "A Noiva Judia", inaugurou um estilo que tem vindo a marcar a cultura portuguesa desde o início dos anos 90. Tem somado sucessos atrás de sucessos, entre eles "Viver Todos os Dias Cansa", "Muito Meu Amor", "Nos Teus Braços Morreríamos", "Quase Gosto da Vida que Tenho" e "Amor Portátil".
Preciso morrer e voltar a nascer para gostar de certos autores.
Excertos de opiniões de críticos literários que constam na contracapa deste livro: "...redespertou-me o gosto de ler." - Fernanda Botelho "...o melhor escritor português da sua geração. Sem exagero." - Rui Tendinha "Um tratado das paixões da alma." - Sílvia Cunha
...eu sou mesmo bronca...
Nem sei se são crónicas, se são contos, se são desabafos, se se... Um dos "coisos" é assim: "Escritor
Telefonava-lhe a meio da noite. Não importava a hora, precisava. Ela acordava sobressaltada. Ele dizia: "Sou eu." Ela dizia: "És tu?" fingindo espanto. Ele dizia disparates. Ela ficava a ouvir. Isto durou alguns meses. Até ele acabar o romance que estava a escrever. Depois deixou de telefonar. Ela primeiro ficou triste e depois procurou um namorado que não fosse escritor."
Digam-me lá o que é que isto interessa... (E este nem é dos piores; pelo menos é pequenino...)
Se todos os livros fossem assim, eu dedicava-me mas era às telenovelas...
“As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudesse também andar para trás de vez em quando. Para corrigir o que saiu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas - tal como uma canção que quanto mais se ouve mais se gosta - e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois, sim, seguir pelo caminho encontrado.”
"O sexo é o lugar mais seguro e protegido neste mundo vão, (...) primeiro é simples, depois tem resultados que se sentem à flor da pele, e ainda tem a bondade de nos livrar de qualquer preocupação. O tempo concentra-se num só ponto muito quente que depois derrete e desaparece."
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"As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudesse também andar para trás de vez em quando. Para corrigir o que saiu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas - tal como uma canção que quanto mais se ouve mais se gosta - e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois, sim, seguir pelo caminho encontrado."
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"As pessoas deviam ter mais cuidado. Com o que dizem, com o que fazem. Se bem que se tiverem demasiado cuidado não dizem nem fazem nada. As pessoas deviam ser mais pessoas (...). As pessoas deviam estar mais juntas e mais afastadas, consoante os casos, as horas e os sítios. As pessoas deviam ter mais respeito pelo que não lhes diz respeito. Só deviam ver televisão em casa dos vizinhos."
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"De repente as pessoas são todas simpáticas, educadas, atenciosas e mesmo surpreendentemente espirituosas e, de repente, bruscas, mal educadas e opacas. Nota-se isto ao telefone, a comprar um maço de cigarros, dentro do carro parado no trânsito e em várias casas de várias pessoas. É como se o mundo estivesse todo virado para um lado, um lado agradável, e depois se virasse para o outro. Não há muito que se possa fazer, é assim."
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"A vida é uma mistura de coisas que se repetem e de coisas que só acontecem uma vez. O que é estranho é poderem ser as mesmas."
Do Pedro Paixão conhecia-lhe apenas a doença bipolar desde a minha tenra idade, em que comecei a ouvir falar dos seus livros mas nunca tive a curiosidade de ler algum, de pedir emprestado. Até começar a ver duas amigas minhas a ler ao mesmo tempo diferentes obras dele, despertou-me especialmente a curiosidade com este Viver Todos os Dias Cansa. Publicado em 1995, este livro reúne uma pequena coleção de crónicas sobre o quotidiano e as relações humanas – é este o foque em especial do escritor no livro.
São histórias pouco desenvolvidas, algumas quase encaradas como um conto por contarem uma pequena história (apesar de não sabermos o nome de qualquer uma delas, unicamente os sentimentos por detrás do enredo). Viver Todos os Dias Cansa contém unicamente drama no título, não na obra em si. Não há qualquer espécie de dramatismo nas poucas mais de cem páginas, como se o escritor quisesse dar a conhecer unicamente a essência das relações humanas. Quando acabei de ler fiquei com a sensação de que viver todos os dias não cansa. É, pelo contrário, uma dádiva da natureza se querem que seja sincero. É essa a minha implicância para com este livro, talvez não o tenha percebido a 100%. Mas espero ler outra obra dele fora da área das pequenas narrativas, a incidir numa história mais desenvolvidas e com personagens “a sério”!
* "Se pudesse zangava-se. Sacudia o saco da tristeza. Se pudesse isolava-se. Passava a ser um nobre eremita, sem relações íntimas nem ambições. Qualquer ambição sugere-lhe logo a preguiça e a certeza da derrota merecida. Se pudesse tornava-se irascível, sarcástico e impossível de aturar. Em vez de não o convidarem por não se lembrarem dele, passavam a não o convidar por se lembrarem demasiado bem dele. Queria passar a sofrer da solidão de não querer.Este silêncio é que não". * "As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudesse também voltar atrás se necessário. Para corrigir o que saiu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas - tal como uma canção que quanto mais se ouve mais se gosta - e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois, sim, seguir pelo caminho encontrado". *
Livro constituídos por diversas breves histórias, na sua maioria por pensamentos, derivações pessoais. É inegável que as histórias são imaginativas mas no geral trata-se de literatura descartável.
só um lembrete que nem tudo é conteúdo literário. só um lembrete que nem todos têm talento literário. não faz mal, respira fundo, foca-te noutra coisa, vais conseguir de certeza. apenas deixa a literatura e serás feliz
Ambíguo. Muita depressão e incompreensão e acima de tudo, bastante infelicidade. Este livro não me cativou e cansou-me bastante… Para mim, viver todos os dias não cansa e espero e desejo poder viver muito e muito mais. Que a morte demore a me vir buscar.
Honestly, I think it's a disposable book, it has some striking sentences but the book in general doesn't have very appealing stories or stories that add anything new. There are far better books to fill your time than this one.
Quando a consciência se apaga, o corpo apodrece e por fim, como poeticamente se diz, a terra acaba por comer todo o corpo, isto significa que, como tudo o resto, somos feitos de nada ou, pelo menos, que o nada é parte essencial do que se é.
sinceramente, não gostei. iludiram-me as primeiras histórias, que me chamaram a atenção devido às personagens, a frieza e a má descrição das relações entre si. Rapidamente o livro cai no desinteressante, com as histórias seguintes. não consegui terminar.