Tendo em vista seu caráter introdutório é um bom livro. Porém, os autores cometem algumas adjetivações inexatas e descontextualizadas, como ao tratarem dos efeitos da subjetividade privatizada na sociedade com a formação de novos sistemas religiosos e o que os autores chamam de “heresias”, sem ao menos terem o cuidado de definir se estão tomando algo como herético ou se algo é assim tido em relação a uma posição social das circunstâncias que se apresentam ou etc; ou quando caem no corrente erro de dizer que a gestalt entende a forma resultante como mais que a soma das partes, a gestalt entende a forma resultante como diferente, não como maior, não é uma designação quantitativa que está em voga no pensamento gestáltico. Contudo, os autores também fazem uma excelente análise das questões sócio-culturais e da formação dessa subjetividade privada no contexto da consolidação do regime mercantilista, que desloca o homem de uma produção em coletividade a uma produção individual com a venda de sua força de trabalho, critica essa que os autores não estendem (até pelo tema do livro não ser esse), mas pode ser usada para pensar o capitalismo atual e o pensamento liberal na economia; e também são apresentados de forma sucinta pontos-chave dos diversos pensamentos e discursos que nortearam a psicologia em sua gênese. Em suma, neste breve livro é apresentada uma visão bem interessante e dinâmica da conturbada gestação, do confuso nascimento, e da disputa de paternidade entre as ciências naturais e humanas dessa bela e confusa coisa que recebeu o nome de Psicologia.